“Saudades de uma chuvinha, né, minha filha?” Completando 138 dias de estiagem nesta quarta-feira (4), a capital mineira não tem acordado com o horizonte tão belo nos últimos dias. A cidade está envolta em uma névoa seca. Além disso, o cheiro de fumaça persiste desde o início da semana, e a qualidade do ar, que ontem (3) foi classificada como “ruim”, hoje chegou a “muito ruim”.
Os 138 dias sem chuva em BH são o maior intervalo de seca na capital mineira nos últimos 61 anos. O recorde é de 1963, quando a capital mineira atingiu a marca de 198 dias sem precipitação.
Registros mostram o antes e depois da cidade. E o que era para ser nosso costumeiro Belo Horizonte está mais para céu de São Paulo.




Entenda o fenômeno da ‘cortina de fumaça’
Ao BHAZ, a meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Andrea Ramos, explicou o motivo dessa “cortina de fumaça”. “A corrente de ventos tem transportado poluentes provenientes de focos de queimadas, que se intensificam durante o período de seca. Esses poluentes estão sendo retidos próximo à superfície, formando uma neblina que turva o céu e reduz a visibilidade na cidade”, afirma.
De acordo com a especialista, a massa de ar seco que atinge a cidade, característica do inverno, agrava ainda mais a situação. “A massa de ar seco e quente, que é característica desse período, junto com a grande amplitude térmica e os 128 dias sem chuva em BH, contribuem para que esse cenário se mantenha”, complementa Andrea.
Alerta
O Governo de Minas alerta que toda a população pode enfrentar sintomas como tosse seca, cansaço, e falta de ar devido à baixa umidade e poluição. Grupos sensíveis, como crianças e idosos, estão mais vulneráveis.
Esse período de estiagem prolongado também propicia a ocorrência de incêndios, o que piora ainda mais a qualidade do ar. Somente no fim de semana, o Corpo de Bombeiros recebeu aproximadamente 1.155 chamados para atuação em focos de incêndio em todo estado.










