Durante o velório de quatro das 10 vítimas do acidente com o ônibus que saiu de Belo Horizonte com destino ao Rio de Janeiro, mas tombou na serra de Petrópolis, uma moradora da Vila Acaba Mundo pediu justiça pela morte das pessoas da comunidade. Faxineira e mãe, ela conhecia Lavínia Eduarda Souza Dias, de 7 anos, uma das vítimas, que era amiga de sua filha.
“Uma tristeza, viu? Um luto. Isso nunca tinha acontecido na vila. E assim, muito sofrimento, porque eu sou mãe. Imagina uma mãe enterrando um filho. Só quem é mãe está entendendo a dor de outra mãe”, afirmou Renata Mário, de 48 anos.
Ela também destacou a proximidade entre os moradores da comunidade e lembrou da personalidade de Lavínia. “Era uma criança doce, assim, uma criança que todo tempo para ela, ela estava sorrindo. Às vezes, eu estava descendo para trabalhar, encontrava com ela”, contou.
Para a moradora, o acidente poderia ter sido evitado e os responsáveis precisam ser punidos. “No Brasil, está faltando punição. O motorista tinha que saber que dentro daquele ônibus tinha vida e tinha criança, gente. Tinha criança lá dentro, não precisava correr”, disse. “Tem que ter justiça por esse povo”.
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O acidente
O acidente aconteceu na madrugada do último domingo (16), na BR-040, em Petrópolis, na região Serrana do Rio de Janeiro, quando um ônibus de turismo que saiu de Belo Horizonte com destino ao Rio de Janeiro tombou.
O veículo levava 47 passageiros. Dez pessoas morreram, entre elas uma criança de 7 anos e uma jovem de 19 anos que estava grávida de quatro meses. Dezenas de passageiros ficaram feridos e foram encaminhados para hospitais de Petrópolis, Duque de Caxias, da capital fluminense e também para o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte.
Entre as vítimas, quatro eram moradoras da Vila Acaba Mundo, na Região Centro-Sul de BH: Lavínia Eduarda Souza Dias, de 7 anos, e Jhennifer Ferreira Carvalho, Luciana Ferreira Carvalho e Priscilla de Souza Braz. Outras duas moradoras da comunidade também estavam no ônibus e permanecem internadas, uma delas tia da pequena Lavínia. A viagem havia sido organizada no formato “bate-volta”, com saída de Belo Horizonte na noite de sábado (15), com destino a Copacabana.
Após o acidente, passageiros relataram que o ônibus trafegava em alta velocidade e que havia problemas em alguns cintos de segurança. Uma sobrevivente contou ao BHAZ que chegou a pedir ao guia da viagem que orientasse o motorista a reduzir a velocidade. Um caminhoneiro também afirmou ter visto o veículo em alta velocidade em um trecho de pista simples e com obras.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que o ônibus operava de forma clandestina. O veículo ainda apresentava um adesivo da agência em nome de outra empresa, que também estava inapta para realizar viagens interestaduais.
Equipes do Corpo de Bombeiros e do Samu atuaram no resgate, e a rodovia precisou ser parcialmente interditada. A Polícia Civil do Rio de Janeiro, por meio da 105ª DP (Petrópolis), investiga as circunstâncias do acidente e busca esclarecer as causas do tombamento.










