O Zoológico de Belo Horizonte anunciou, nesta sexta-feira (16), o nascimento de um filhote de mutum-de-alagoas. Segundo a PBH, essa espécie de ave, na década de 1970, chegou à extinção na natureza e assim permanece até os dias de hoje. Atualmente, existem pouco mais de 100 indivíduos, todos vivendo sob cuidados humanos, sendo quatro adultos (e agora um filhote) no Zoológico de Belo Horizonte.
Esse é primeiro filhote da espécie no Brasil- criada e reproduzida sob cuidados humanos com vistas a promoção de um futuro programa de reintrodução na natureza – que nasceu de forma natural, rompendo sozinho o ovo e sem a necessidade do uso de chocadeiras.
A ave nasceu de um dos dois casais de mutum-de-alagoas que o Zoo de Belo Horizonte recebeu, em 2018, por meio do Plano de Ação Nacional (PAN) para conservação da espécie. A mãe e o pai chegaram a BH ainda jovens (a fêmea com pouco mais de um ano e o macho com aproximadamente seis meses de vida), frutos de cruzamentos em criadouros legalizados.
“No começo, a fêmea não aceitava o macho, pois ele ainda não havia alcançado a maturidade sexual. Depois, ele passou a atacá-la nas tentativas de aproximação. Tivemos que construir uma área cercada dentro do recinto para permitir um convívio, sem contato e, gradativamente, fomos trabalhando com enriquecimentos ambientais e outras estratégias que permitiam manter os dois juntos, em segurança, por mais tempo a cada dia”, comenta a bióloga Márcia Procópio.
Por ter sido a primeira instituição até o momento a conseguir a reprodução desta forma, a Prefeitura informou que o Zoo de BH será agora espaço de estudo e pesquisa sobre a espécie.
Atualmente, o filhote está com pouco mais de 15 dias e vive num recinto de cerca de 20 metros quadrados com os pais, num espaço reservado do Zoo, fora da área de visitação. No entanto, os visitantes podem conhecer e aprender sobre a espécie contemplando outros dois indivíduos que vivem juntos na Praça das Aves da instituição.
O mutum-de-alagoas
O mutum-de-alagoas (Pauxi mitu) é uma ave de grande porte, nativa da Mata Atlântica nordestina, e que permaneceu por mais de 300 anos como uma das aves mais raras e enigmáticas de todo o mundo. Endêmico do “Centro Pernambuco”, faixa da Mata Atlântica que se inicia ao norte da foz do rio São Francisco, quase desapareceu.
Extinto na natureza, o mutum sobreviveu e procriou em cativeiro. Existem hoje, sob cuidados humanos, pouco mais de 100 indivíduos da espécie. É um dos animais mais ameaçados do mundo. A ave, nativa da Mata Atlântica nordestina, foi encontrada no começo do século XVII, no período de colonização holandesa da região.
O naturalista alemão Georg Marcgrave, da expedição científica de Maurício de Nassau, registrou o mutum numa xilogravura. A semelhança com um parente amazônico, o mutum-cavalo (Pauxi tuberosa), confundiu os cientistas. Durante mais de 300 anos, o mutum-de-alagoas foi considerado o mesmo animal ou uma subespécie.
A confusão só acabou em 1951, quando o ornitólogo Olivério Pinto identificou características que definiam o mutum-de-alagoas como uma espécie diferente. Para alterar o quadro de acentuada ameaça de extinção da espécie, assim como estabelecer estratégia visando retornar a espécie à natureza, o governo brasileiro pactuou uma estratégia com a sociedade por meio do Plano de Ação Nacional para a Conservação do Mutum-de-alagoas – PAN Mutum-de-alagoas.
Com informações da PBH







