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Blocos de rua e escolas de samba comemoram adiantamento de auxílio para o Carnaval de BH e cobram melhorias

23/06/2026 às 16h13
Blocos de carnaval e escolas de samba comemoram adiantamento do subsídio da Prefeitura
(Igor Ribeiro/BHAZ)

Escolas de samba e blocos de rua e caricatos de Belo Horizonte comemoram o anúncio da Belotur de antecipar o edital de auxílio financeiro da Prefeitura de BH para o Carnaval 2027 em quatro meses. A informação foi confirmada com exclusividade ao BHAZ pelo presidente da Belotur, Eduardo Cruvinel.

“O planejamento antecipado permite que as entidades trabalhem com responsabilidade, organização e visão de futuro”, disse a presidente da Liga das Escolas de Samba de BH, Maria Elisa de Moraes.

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Com a antecipação do edital, os blocos que desejam receber o auxílio financeiro da prefeitura deverão se inscrever já no próximo mês. A expectativa da Belotur é que os repasses sejam feitos em até 45 dias, ou seja, até setembro.

No Carnaval deste ano, por exemplo, o edital foi publicado apenas no fim de outubro de 2025, o que gerou reclamações dos blocos devido à demora no repasse dos recursos. Em muitos casos, a verba foi liberada próximo ao período dos desfiles.

Integrante da Liga Bruta, que representa 60 blocos do Carnaval de BH, Marcela Linhares afirma que a antecipação era uma reivindicação antiga. Segundo ela, os blocos que participam do chamado pré-carnaval, muitas vezes, realizam os cortejos sem ainda terem recebido os recursos necessários para cobrir os custos do evento. “Quem contrata um trio elétrico, técnico de som, músicos, tudo que você precisa contratar para um bloco, que varia muito de bloco para bloco? Você precisa pagar. Se você não consegue pagar antes, muitos blocos têm muita dificuldade para sair”, diz.

Nas escolas de samba, o cenário também era desafiador. Em anos anteriores, segundo representantes das agremiações, muitas chegavam ao período da folia endividadas por recorrerem a empréstimos para custear os preparativos. “Com os recursos chegando mais cedo, as escolas podem iniciar ensaios com antecedência, contratar profissionais, planejar a produção de fantasias e alegorias, negociar melhores preços com fornecedores e organizar toda a logística do desfile”, acredita Maria Elisa.

Eduardo Cruvinel afirma que o planejamento para o Carnaval de 2027 começou logo após o encerramento da edição deste ano. Segundo ele, a construção do próximo carnaval está sendo feita de forma conjunta com representantes das escolas de samba, dos blocos caricatos e dos blocos de rua. “Este ano, o que nós estamos fazendo é uma construção conjunta. Estamos traçando, definindo com estes três atores, quais são os movimentos que a gente quer para o Carnaval 2027”, disse o presidente da Belotur, que também reforçou que o planejamento antecipado auxilia, inclusive, na execução de projetos administrativos ligados ao carnaval e ao planejamento dos blocos.

Representantes dos diferentes segmentos do Carnaval de Belo Horizonte avaliam que as mudanças fortalecem não apenas o trabalho das agremiações e blocos, mas também a cultura da cidade.

Subsídio ainda pode ser melhor

Apesar do adiantamento dos valores e da importância do investimento público para as festividades do carnaval de BH, o valor oferecido no edital ainda é considerado pequeno. Maria Elisa lembra que as despesas com materiais, transporte, barracões, fantasias, alegorias, equipamentos e prestação de serviços são muito altas, no caso das escolas de samba, e cresceram muito nos últimos anos. “Em 2025 apresentamos para o prefeito e para a Belotur um valor mínimo gasto pelas agremiações e solicitamos o aumento, mas não recebemos”, afirma.

Em 2025, o valor total do subsídio disponibilizado pela PBH foi de R$ R$1,762 milhão, destinado a 101 agremiações. O montante foi dividido em três categorias: A, com o repasse individualizado de R$22,8 mil para 52 blocos; B, em que 35 blocos receberam R$13,2 mil cada; e C, com auxílio de R$8 mil para 14 blocos.

A busca por valores melhores do auxílio financeiro fornecido pela prefeitura é contínua. Marcela Linhares também é diretora de um dos maiores blocos do carnaval de BH, o Então, Brilha, e acredita que, especialmente para os blocos maiores, o valor não consegue suprir boa parte das demandas. “Para os blocos de grande porte, a categoria A, já não atende mais, porque ela paga só o trio elétrico ou só o carro de som e, às vezes, nem isso. As vezes, o carro de som é mais caro do que isso e para fazer uma reserva, você precisa fazer meses antes do carnaval e precisa pagar isso meses antes”, analisa.

Espaço para ensaios dos blocos de carnaval ainda é um grande problema

A grande maioria das escolas de samba e blocos de rua e caricatos de BH não conta com uma sede. Antes dos desfiles, boa parte do material usado nos cortejos é guardada na casa dos integrantes. A falta de um local dedicado a esta preparação também é vista como um grande problema para os agentes do carnaval. Neste ano, a Belotur anunciou que vem tentando resolver a situação, com a criação de um espaço para a realização de eventos, como ensaios programados dos blocos de rua de BH e o uso cotidiano deles.

Embora os 17 espaços dos centros culturais e de referência de Belo Horizonte sejam liberados para que os blocos e as escolas de samba possam realizar ensaios, a ideia é que eles também transformem estes momentos em eventos. Os grupos poderiam realizar a venda de souvenirs, como itens personalizados, e outros produtos, incluindo mídias digitais.

Mas, Marcela Linhares lembra que muitos destes espaços não tem uma estrutura adequada para a realização de ensaios dos blocos, por exemplo. “Os centros culturais muitas vezes têm resistência em agendar os ensaios, porque comportam só pouca gente, ou não comportam o barulho, porque tem problemas ali com a vizinhança, devido ao fato de não terem estrutura”, explica a representante, que também afirma que é preciso que, além do isolamento acústico, uma cobertura em dias chuvosos e espaço para, muitas vezes, baterias que contam com mais de 100 pessoas, além das outras alas.

prefeitura aposta que estes locais podem funcionar, inclusive, como atrações culturais e turísticas da cidade, “para que eles possam operar e trazer a chamada de visitantes que estejam na cidade neste período, para conhecer um pouco do carnaval, mesmo que essas pessoas, depois, não estejam necessariamente no Carnaval. Ou seja, que tenham um gostinho do Carnaval de 2027”, conforme explicou Eduardo Cruvinel.

Fábio Galdino

Fábio Galdino é jornalista, apresentador de TV e, agora, repórter do Portal BHAZ. Natural de Santa Luzia, na Grande BH, é formado pela Universidade Federal de Ouro Preto e, nos últimos anos, dedicou à cobertura jornalística em diferentes emissoras de televisão, com passagens por afiliadas à Rede Globo, SBT e Band. Em 10 anos, participei de grandes coberturas, como eleições municipais e estaduais, a tragédia do rompimento de uma barragem, em Mariana, e a pandemia de Covid-19.

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