Brasil atinge marca dos 600 mil mortos pela Covid-19

cemitério
Só nas últimas 24 horas, foram 615 mortos (Amanda Dias/BHAZ)

O Brasil ultrapassou, nesta sexta-feira (8), a triste marca das 600 mil mortes por Covid-19. Apenas nas últimas 24 horas, 615 pessoas morreram em decorrência da doença e, com isso, o país acumula agora 600.425 vidas perdidas. As informações foram divulgadas pelo Ministério da Saúde.

No topo do ranking de mortes por estado, estão São Paulo (150.630), Rio de Janeiro (67.029), Minas Gerais (54.944), Paraná (39.471) e Rio Grande do Sul (35.017). Os estados que menos registraram mortes por covid-19 foram o Acre (1.839), o Amapá (1.986) e Roraima (2.005).

O levantamento mostra ainda que 18.172 novos casos da doença foram registrados no sistema de monitoramento da pasta. No total, o país registrou até o momento 21.550.730 casos de infecção pelo coronavírus. Desses, 282 mil estão em monitoramento – ou seja, são pessoas diagnosticadas, que estão sob supervisão médica ou em isolamento.

O informativo também traz os dados sobre óbitos em decorrência de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) – 3 mil ao todo – que estão em investigação.

600.425 nomes e sobrenomes

Na última quarta-feira (6), completaram-se seis meses desde que a publicitária Silvia Maoski perdeu sua mãe, Amélia, para a Covid-19. Na próxima segunda (11), farão seis meses que ela perdeu o pai, Alexandre, também para a doença. Abruptamente, sem tempo para despedidas, Silvia se viu sem as duas figuras que foram seu alicerce, seus companheiros de vida e com quem ainda tinha muitos planos.

Alexandre Maoski e Amélia Maoski são duas das mais de 600 mil vidas que a Covid levou desde a chegada da crise de saúde, em março de 2020. Para a filha, restaram a saudade e a tarefa de aprender a lidar com o luto.

Ainda em junho do ano passado, por conta da pandemia, Silvia perdeu o emprego em Belo Horizonte. Com uma filha de menos de 2 anos de idade, resolveu passar três meses em uma casa de praia com seus pais, no Paraná.

“Mal sabia eu que seria tão bom, um momento tão incrível, ter passado três meses convivendo intimamente com eles, eles terem convivido com a neta. Na época parecia uma angústia, mas hoje eu agradeço muito esse momento que tive, por ter sido demitida e por ter tido esse tempo com eles”, conta Silvia.

‘Nem nos meus piores pesadelos’

Quase um ano depois da viagem, no último mês de abril, seus pais foram diagnosticados com o novo coronavírus. Primeiro Alexandre Maoski, então com 72 anos. Depois Amélia Maoski, com 66. Ele tinha diabetes num grau leve e havia feito uma cirurgia cerca de um ano atrás. Ela era extremamente disciplinada com alimentação e exercícios. “Disciplina oriental”, disse a filha.

O pai foi internado; a mãe, que também havia testado positivo, ficou como acompanhante. Dias depois, no entanto, acabou precisando ser internada também. Comemoraram os 38 anos de casados no hospital que, no passado, era um hotel e, coincidentemente, o local  onde passaram a lua de mel. Segundo a filha, o fisioterapeuta conseguiu levar seu pai até a ala onde estava a esposa.

“Nem nos meus piores pesadelos eu imaginei que veria ir embora um deles, quem dirá os dois”, confessou. “Meu pai estava super bem, dizia que daqui a pouco teria alta e tomaria a vacina”, lembra Silvia.

Os dois foram internados no mesmo dia na unidade de terapia intensiva (UTI). Também foram intubados no mesmo dia. “Eu não conseguia mais trabalhar, não conseguia mais fazer nada”, recorda a filha.

A publicitária fez uma última chamada em que pôde vê-los, mas não conseguiu falar com eles. “Não tive um dia para me despedir do meu pai, da minha mãe”, lamentou.

Com Agência Brasil

Giovanna Fáverogiovanna.favero@bhaz.com.br

Editora do BHAZ desde julho de 2021 e repórter desde 2019. Graduada em jornalismo pela PUC Minas (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais). Participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2021, além de figurar entre os finalistas do prêmio Sebrae de Jornalismo também em 2021.

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