A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) informou que o Brasil segue fora do Mapa da Fome. Segundo o relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo (Sofi)”, que considera dados referentes ao triênio 2023-2025, o país manteve abaixo de 2,5% da população, índice usado pela instituição para classificar os países fora do mapa.
A taxa indica ainda a proporção da população que não tem renda suficiente para consumir a quantidade mínima de calorias para uma vida saudável, segundo o indicador de Prevalência de Subnutrição (PoU, na sigla em inglês) utilizado pela FAO na construção do Mapa da Fome. O anúncio foi feito na última terça-feira (21).
Em conversa com o BHAZ, Valéria Burity, secretária-extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome (MDS), disse que o Brasil alcançou o menor nível já registrado de pessoas com insegurança alimentar severa, chegando a 0,6%. Para ela, a conquista está relacionada a um conjunto de programas e políticas que garantem trabalho, acesso à renda, produção de alimentos e o fortalecimento da agricultura familiar.
“Temos um programa muito abrangente de alimentação escolar, o PNAE, cujo valor foi reajustado. É um programa muito conhecido, e vimos como ele é importante para garantir segurança alimentar aos estudantes. Também temos um conjunto de ações, desde políticas sociais, como o Sistema Único de Assistência Social, o Sistema Único de Saúde e o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, até uma política econômica que tem gerado desenvolvimento com distribuição de renda”, explicou.
De acordo com o relatório, 16,7 milhões de brasileiros deixaram a condição de fome no triênio 2023-2025. O percentual da população em situação de insegurança alimentar severa também manteve trajetória de queda, passando de 6,6% no período de 2021-2023 para 3,4% em 2022-2024.
Dieta saudável no Brasil
A proporção de pessoas que não podem pagar por uma alimentação saudável também apresentou queda no Brasil, ficando em 21,1% no triênio encerrado em 2025. Para chegar ao resultado, a instituição utiliza indicadores macroeconômicos e demográficos que consideram fatores como tamanho da população, perfil de renda e custo médio de uma cesta de alimentos saudáveis.
Segundo a FAO, o custo da dieta saudável no Brasil foi de US$ PPC 4,89 (dólares em Paridade do Poder de Compra) por pessoa ao dia, abaixo da média da América do Sul (US$ 4,94) e da América Latina e Caribe (US$ 4,91).
“O relatório considera uma quantidade mínima de alimentos necessária para que uma pessoa viva bem e avalia quem consegue ter acesso a ela. Para isso, são analisados fatores como a disponibilidade e o preço dos alimentos no país. Conseguimos aumentar o número de pessoas que conseguem acessar uma dieta saudável. Isso também é importante. Não se trata apenas de combater e erradicar a fome, mas de garantir que as pessoas tenham uma alimentação saudável”, disse a secretária-extraordinária.
Contexto
Os resultados do Brasil no relatório também refletem a melhora de indicadores econômicos do país. Segundo dados do IBGE, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 3,2% em 2023, 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025. No mesmo período, a taxa de desemprego caiu para 5,6%, enquanto o rendimento médio mensal domiciliar per capita atingiu R$ 2.264 em 2025, o maior da série histórica iniciada em 2012.
O controle da inflação, especialmente dos alimentos, também contribuiu para o resultado: o IPCA de Alimentos fechou 2025 em 2,95%, com média anual de 3,8% no triênio analisado pelo relatório.










