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Caso Jeff Machado: 40 dias antes da morte, suspeito teria alugado casa em nome do ator para ocultar cadáver

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Jeff Machado
Casa em Campo Grande foi onde o corpo do ator foi encontrado (Reprodução/Instagram)

Enquanto seguem as buscas por Bruno de Souza Rodrigues, as investigações do caso Jeff Machado continuam e revelam, cada vez mais, detalhes do homicídio do ator. De acordo com o jornal Extra, cerca de 40 dias antes do assassinato, o suspeito foragido teria alugado uma casa no nome da vítima, já planejando ocultar o cadáver no imóvel.

A casa em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, foi onde o corpo do ator de 44 anos foi encontrado: dentro de um baú, enterrado a dois metros de profundidade e concretado. Além de planejar o crime com antecedência, Bruno teria se passado por Jeff durante meses, por meio de mensagens.

O produtor de TV suspeito teve a prisão preventiva decretada na última semana e é considerado foragido. Jeander Vinícius da Silva Braga, também suspeito de envolvimento no crime, foi preso na sexta-feira (2) e revelou à polícia detalhes do homicídio.

Planejamento minucioso

De acordo com o Extra, as investigações do caso Jeff Machado apontam que a vítima chegou a pagar R$ 18 mil a Bruno por uma vaga para atuar na TV Globo, mas não a conquistou. Cíntia Hilsendeger, amiga de infância de Jeff, conta que ela e outros amigos tentaram alertá-lo sobre a amizade com o agora suspeito.

“O Jeff estava preocupado e chateado, achou que Bruno era de confiança. A gente acredita que a morte dele foi por conta disso, porque ele falou que ia colocar a boca no mundo. Jeff pediu o dinheiro de volta, mas só recebeu R$ 2 mil. Bruno pedia para o Jeff ter paciência, que o momento dele ia chegar. Falava para ele ficar calmo que tudo ia dar certo, que na próxima novela ele conseguiria”, disse ela ao jornal.

Quatro dias depois do aniversário do ator, o suspeito teria começado a planejar o crime. O plano consistia em forjar o desaparecimento de Jeff Machado, se passando por ele por meio de mensagens.

Bruno teria matado a vítima no quarto dela, com um fio telefônico, acompanhado do cúmplice Jeander. Depois, amarrou pés e mãos com fita adesiva e colocou o corpo em posição fetal dentro de um dos baús usados na decoração da própria casa do ator.

De lá, os dois teriam colocado o baú no carro de Jeff e levado o corpo até a casa na rua Itueira, chegando a furar uma blitz da Polícia Militar. A quitinete, por sua vez, teria sido alugada por Bruno no nome da própria vítima (entenda abaixo). Foi lá que o baú foi enterrado e concretado.

Falso desaparecimento

Depois do homicídio, Bruno foi a uma delegacia em janeiro e registrou o sumiço do ator. 

Dias depois, o produtor de TV foi ao terreiro do pai de santo Jorge Augusto Barbosa Pereira, em Santíssimo, pedindo um “trabalho” para ajudar a encontrar Jeff. Foi o pai de santo que ficou com os oito cachorros do ator, a pedido de Bruno e de Jeander.

Jorge Pereira contou à polícia que avisou à dupla que só ficaria com os cachorros por três dias. No terceiro dia, Bruno teria voltado ao terreiro, e os cães fugiram quando ele abriu o portão. Dois acabaram morrendo, um está desaparecido até hoje, e os outros foram resgatados por uma ONG.

Ainda conforme o Extra, fotos publicadas pela ONG foram vistas pela veterinária Patricia Triacca, amiga de Jeff, que vendeu os cães para ele. Ela reconheceu os animais e mandou uma mensagem para o ator no dia 1° de fevereiro, mas foi respondida por Bruno, que estava se passando pelo ator usando o celular dele.

Fingindo ser o ator, o suspeito disse estar em São Paulo a trabalho e que havia pedido a uma amiga de para cuidar dos cães, mas que eles acabaram fugindo. A amiga suspeitou da falta de iniciativa do ator, que era apaixonado pelos cachorros, e entrou em contato com a família de Jeff.

A mãe e o irmão da vítima, que não ouviam a voz ou recebiam fotos e vídeos do ator há duas semanas, decidiram viajar ao Rio para registrar uma ocorrência de desaparecimento, feita na Delegacia de Descoberta de Paradeiros, em 4 de fevereiro.

No mesmo dia em que Patrícia soube dos cachorros, Bruno teria se preparado para colocar o carro e a casa de Jeff à venda. A informação de que a casa do ator estava anunciada por R$ 280 mil em plataformas na internet foi compartilhada anonimamente ao Disque Denúncia.

Casa alugada

Bruno de Souza Rodrigues alugou a casa onde o cadáver foi encontrado em 12 de dezembro de 2022, se passando por “Jefferson” por mensagens de texto com a proprietária. Pelos menos 50 dias do assassinato, o produtor já demonstrava interesse no aluguel.

Depois do crime em janeiro, o suspeito continuou se passando por Jeff em março e e em abril, enquanto a proprietária da quitinete o procurava para cobrar aluguéis atrasados. Em 15 de março, com um número diferente e ainda se passando pelo ator, Bruno pediu desculpas e alegou estar passando por dificuldades pessoais, prometendo fazer o pagamento quando possível.

Em abril, ele pediu para encerrar o contrato, revelando que não tinha dinheiro porque a empresa onde trabalhava “aplicou um calote nos funcionários”.

Já em maio, ainda segundo o Extra, Bruno ligou para a mulher se apresentou com o próprio nome, perguntando se ela precisava de um advogado e se tinha interesse em vender o imóvel onde Jeff Machado foi enterrado.

Suspeito preso

Jeander Vinícius da Silva Braga, preso suspeito da morte de Jeff Machado, afirma que foi Bruno de Souza Rodrigues que cometeu o crime. O homem, que trabalha como garoto de programa, diz que o ator foi dopado pela dupla antes de ser morto.

Os dois já haviam admitido à polícia que foram os responsáveis por ocultar o cadáver da vítima, mas, até então, diziam que não assassinaram Jeff e apontavam a autoria do crime para uma terceira pessoa, chamada de Marcelo.

No entanto, ao prestar depoimento depois de ser preso, Jeander Vinícius da Silva Braga admitiu que não houve mais nenhum envolvido no crime.

O garoto de programa também disse recebeu R$ 500 de Bruno para sustentar no depoimento a versão da existência da terceira pessoa. Ainda conforme a delegada, o suspeito preso é uma pessoa muito influenciável e manipulável, e Bruno teria se aproveitado disso.

Sofia Leão

Repórter do BHAZ desde 2019 e graduada em jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Participou de reportagens premiadas pelo Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados, pela CDL/BH e pelo Prêmio Sebrae de Jornalismo em 2021.

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