Covid: Pela primeira vez, ocupação de UTIs está fora da zona de alerta em todo o Brasil

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Índice geral do país é o mais baixo desde o início do monitoramento (Ascom/HCPA/Divulgação)

Pela primeira vez desde o início da pandemia de Covid-19, em março de 2020, o Brasil tem todos os estados fora do nível de alerta nas taxas de ocupação de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva). O dado é do Boletim do Observatório da Covid-19 divulgado nesta sexta-feira (25) pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

O levantamento mostra que todas as regiões do estado estão, pela primeira vez, em nível verde no que diz respeito à ocupação de leitos de UTI voltados ao tratamento de Covid-19 e doenças respiratórias no SUS (Sistema único de Saúde). O Boletim refere-se às Semanas Epidemiológicas 10 e 11 de 2022 – que abrangem o período de 6 a 19 de março.

Com as taxas inferiores a 60%, todos os estados brasileiros e o Distrito Federal estão fora da zona de alerta para o indicador de internações em UTI. Os pesquisadores do observatório, responsáveis pelo boletim, alertam, no entanto, que o momento ainda exige atenção nas ações de vigilância em saúde e cuidados.

Brasil está 100% no ‘verde’ desde o início da pandemia (Fiocruz/Divulgação)

“É importante destacar que esta queda encontra-se acompanhada de taxas ainda significativas de [Síndrome Respiratória Aguda Grave] SRAG e incidência de mortalidade por Covid-19”, pontuam os profissionais. Eles atribuem esse resultado positivo na ocupação dos leitos de UTI ao avanço da vacinação no país.

Os dados atuais mostram 82% da população brasileira com a primeira dose, 74% com a vacinação completa e 34% vacinada com a dose de reforço. “É importante a vacinação contra a Covid-19 para crianças, assim como as demais vacinas do calendário infantil. A população em geral, também deve realizar o esquema completo de vacinação”, reforçam.

Manutenção das máscaras

Os pesquisadores também pontuam que o controle da pandemia não está concentrado em uma única medida, mas numa série de providências e recomendações. Diante dessa constatação, reforçam que sob circunstâncias de intensa circulação de pessoas nas ruas, concomitante ao abandono do uso de máscaras, podem ser criadas situações que favoreçam uma maior circulação do vírus.

“Consideramos prudente a manutenção do uso de máscaras para determinados ambientes fechados, com grandes concentrações de pessoas (a exemplo dos transportes coletivos) ou abertos em que haja aglomerações”, recomendam.

Os pesquisadores reforçam que o ponto de mudança da Covid-19, de pandemia para endemia, envolverá um conjunto de indicadores, sendo um deles o de letalidade. Nesse sentido, a OMS (Organização Mundial da Saúde) é destacada como a principal referência para esta definição.

“Quando a ocorrência de formas graves que requerem internação for suficientemente pequena para gerar poucos óbitos, e não criar pressão sobre o sistema de saúde, será possível saber que se trata de uma doença para a qual se poderá assumir ações de médio e longo prazo sem precisar contar com estratégias de resposta imediata”, explicam os cientistas.

Com Agência Fiocruz

Edição: Giovanna Fávero
Giulia Di Napoligiulia.di.napoli@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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