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Homem debocha da própria prisão após atacar funcionária de supermercado: ‘Sou racista mesmo’

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'Além dessa demora, eu ainda tenho que ser atendido por uma preta! Não irei falar baixo com uma preta', disse o homem à funcionária (Arquivo pessoal/Bruno Haringl)

Um homem de 32 anos foi preso em flagrante no último domingo (14) após proferir ofensas de cunho racista contra a funcionária de um hipermercado de Goiânia. O suspeito, que não teve a identidade revelada, teria ficado irritado com a demora do atendimento e, quando a jovem foi até ele para entender a situação, ele a chamou de “preta”. Imagens que circulam nas redes sociais mostram que, ao receber a voz de prisão, o homem ainda debocha (veja abaixo).

“Além dessa demora, eu ainda tenho que ser atendido por uma preta! Não irei falar baixo com uma preta! Sou racista mesmo! E não sou obrigado a conversar com uma preta!”, disse ele à funcionária, segundo testemunhas.

O homem sofreu retaliação imediata de dezenas de clientes e funcionários que o seguiram até o estacionamento do supermercado e chegaram a agredi-lo. O consultor de marketing Bruno Haringl, que no momento estava fazendo compras com um amigo, fez questão de registrar a prisão do agressor.

‘Ela tava bem abalada’

“Eu cheguei lá por volta de 17h30 com um amigo, estacionamos e subimos a rampa do supermercado. Nesse momento desceu o agressor com a mãe dele, ele tava bem apressado e foi pro rumo do carro”, conta Bruno ao BHAZ.

Segundo ele, os demais clientes o seguiram e cercaram o carro para impedir que ele fosse embora antes da chegada da polícia. “Eles começaram a bater nele, até que ele entrou no carro e a mãe se colocou na frente da porta para protegê-lo. Ela chegou até a morder uma mulher que estava próxima”, conta.

Os militares chegaram cerca de 15 minutos depois e pediram que a vítima, de 19 anos, descesse para dar seu depoimento. “Mas ela tava bem abalada, tava chorando dentro do banheiro, o pessoal teve que ir lá conversar porque ela não queria descer”, explica o consultor de marketing.

‘Não basta não ser racista’

Os vídeos registrados por Bruno, que mostram a condução o homem até a viatura, repercutiram bastante nos últimos dias e geraram revolta nas redes sociais. Nas imagens, é possível ver quando o agressor debocha da situação diante das testemunhas, aplaudindo sua própria prisão.

Para ele, não deixar que situações como essa saiam impunes é o mínimo que uma pessoa branca pode fazer. “É algo que, eu branco, nunca passei e nunca vou passar. Então não sei te explicar o que essa vítima sofreu. Não basta não ser racista, a gente precisa também ser antirracista”, ressalta.

Ainda bastante assustado com a situação, Bruno conta que conversou com outros funcionários do supermercado, localizado em uma região nobre de Goiânia. Segundo eles, este não foi um caso isolado.

“Eu nunca havia presenciado, mas depois do acontecido eu fiz minhas compras e conversei com um grupo de funcionários. Eles me disseram que isso acontece com muita frequência por lá, o que é uma pena”, relata.

Caso será investigado

Ao BHAZ, a Polícia Civil de Goiás disse que o homem foi conduzido à Central Geral de Flagrantes e Pronto Atendimento ao Cidadão. O inquérito de investigação será finalizado pelo Grupo Especializado no Atendimento às Vítimas de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância e o homem deve responder pelo crime de injúria racial.

Larissa Reis

Graduada em jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e repórter do BHAZ desde 2021. Vencedora do 13° Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, idealizado pelo Instituto Vladimir Herzog. Também participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.

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