‘Tu é minha empregada’: Manifestante antivacina ataca vereadora com ofensas racistas e gera revolta

manifestante racismo porto alegre
Manifestante antivacina chama vereadora de ’empregada’ durante confusão na Câmara Municipal de Porto Alegre (Reprodução/@bruna.rodrigues65/Instagram)

Uma cena de racismo chocou o Brasil nessa quarta-feira (20), na Câmara Municipal de Porto Alegre (RS). Uma manifestante antivacina atacou e disse para a vereadora Bruna Rodrigues (PCdoB) que ela seria “empregada” dela durante tumulto na Casa. Além disso, no mesmo dia, manifestantes invadiram o local e até mesmo uma suástica nazista foi vista na confusão. No momento, era discutida a obrigatoriedade do chamado “passaporte da vacina” contra Covid-19.

“Eu sou o povo, eu sou o povo, eu sou o povo e não posso estar aqui? Tu representa a mim. Tu é minha empregada”, disse a manifestante antivacina para a vereadora, que também chamou a política de “lixo”. Na sequência, a parlamentar afirma que jamais será empregada dela. Gritos de “racista” também podem ser ouvidos após a cena protagonizada pela agressora.

Pelas redes sociais, Bruna Rodrigues compartilhou o vídeo e repudiou o episódio. “Infelizmente, ouvimos hoje aqui na Câmara o que estamos acostumadas a ouvir desde muito tempo. Ser chamada de ’empregada’, de ‘lixo’ é mais uma manifestação de um racismo que tenta desqualificar a todo momento a nossa chegada na Câmara! Não aceitaremos essas manifestações. Não passarão!”.

View this post on Instagram

Uma publicação compartilhada por Bruna Rodrigues (@bruna.rodrigues65)

Suástica nazista

A confusão começou enquanto um dos vereadores defendia a vacina em plenário. Imagens da TV Câmara mostram parlamentares indo em direção aos manifestantes e a briga começa. Fotos divulgadas pela Câmara Municipal também mostram pessoas sendo contidas e, de acordo com a colunista da GaúchaZH Kelly Matos, um dos vereadores chegou a ser mordido por um manifestante.

Em meio ao protesto na Câmara, vereadores flagraram uma mulher segurando um cartaz com uma suástica, elemento apropriado pelo Partido Nazista no século XX. A lei brasileira afirma que é crime veicular símbolos do nazismo para fins de divulgação.

Câmara repudia manifestação violenta

Por meio de nota (leia abaixo na íntegra), a Câmara disse que repudia “com veemência qualquer tipo de manifestação política que utilize o expediente da violência”. Além disso, a Casa informou que “em hipótese alguma […] aceitará apologia à suástica, símbolo do período mais obscuro da história moderna da humanidade”.

A nota continua e afirma que “aqueles que buscam impor suas vontades pela força ou pelo terror nunca terão guarida nesta Casa”. Para finalizar, o documento diz que “tais indivíduos serão submetidos ao rigor da lei e responsabilizados por seus atos”.

Nota da Câmara Municipal de Porto Alegre

“Em face dos acontecimentos ocorridos na tarde de hoje (20/10) nas dependências do Plenário da Câmara Municipal de Porto Alegre, o presidente em exercício, vereador Idenir Cecchim (MDB), e a Mesa Diretora desta Casa repudiam com veemência qualquer tipo de manifestação política que utilize o expediente da violência. O plenário da Câmara Municipal é a expressão da democracia na capital dos gaúchos e suas decisões são soberanas. Este Legislativo rejeita qualquer forma de intimidação contra seus integrantes.

Em hipótese alguma esta Câmara aceitará apologia à suástica, símbolo do período mais obscuro da história moderna da humanidade. Aqueles que buscam impor suas vontades pela força ou pelo terror nunca terão guarida nesta Casa. Pelo contrário, tais indivíduos serão submetidos ao rigor da lei e responsabilizados por seus atos”.

Vitor Fernandes
Vitor Fernandesvitor.fernandes@bhaz.com.br

Editor e repórter do BHAZ desde fevereiro de 2017. Jornalista graduado pela PUC Minas, com experiência em redações de veículos de comunicação. Trabalhou na gestão de redes do interior da Rede Minas e na parte esportiva do Portal UOL. Com reportagens vencedoras nos prêmios CDL (2018, 2019 e 2020), Sindibel (2019), Sebrae (2021) e Claudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados (2021).

Comentários