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Mega da Virada: como a matemática pode ajudar na hora de apostar

25/12/2025 às 11h58
Mega-Sena
(Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Já pensou em ficar bilionário? Então, pode se preparar: a Mega da Virada 2025 acumulou, e a premiação já chegou a R$ 1 bilhão, a maior da história do concurso. O principal sorteio da Caixa Econômica Federal será realizado no dia 31 de dezembro, no Espaço da Sorte, em São Paulo. Para ajudar na tradicional “fezinha”, o BHAZ conversou com o professor de matemática e estatística Adalberto Benevides, que explicou quais estratégias podem (ou não) fazer sentido na hora do jogo.

Segundo o especialista, autor do livro ‘Loteria Sem Segredo – a Matemática Explica’, a matemática não consegue indicar quais números serão sorteados, mas pode ajudar o apostador a montar jogos mais eficientes em comparação às apostas feitas de forma totalmente aleatória.

“Ela otimiza o orçamento na hora de apostar. Um dos conselhos que costumo dar é optar por cartões simples, com seis dezenas, em vez de jogos com mais números”, explicou o professor, que também é fundador da Mega Comunidade, projeto educacional que explica o papel da matemática nas loterias.

Adalberto afirma que um exemplo prático é optar pela técnica de “fechamento” com grupos de 15 dezenas, que consiste em dividir o mesmo conjunto de números em vários jogos menores, organizados de forma estratégica, para aumentar as chances de prêmios menores. Nesse caso, a estratégia é mais eficiente e econômica do que fazer uma única aposta, a qual o custo é de R$ 30.030,00.

“Em uma aposta única com 15 números, são geradas 1.351.350 combinações que podem resultar em uma quadra, num universo total de 50.063.860 possibilidades da Mega-Sena. Já com a técnica de fechamento, cada grupo custa, em média, R$ 114 – o que correspondente a seis jogos simples. Se o apostador fizer quatro grupos, o investimento total será de R$ 456, e o número de combinações chega a 1.495.356, superando a quantidade obtida com a aposta única”, contou ao BHAZ.

O professor afirma que costuma fazer apenas jogos simples, mesmo quando poderia investir o mesmo valor em apostas múltiplas. A partir dos estudos de referência, as sequências elaboradas por ele já garantiram diversas premiações principais, como a Quina de São João de 2019, cinco Lotecas e cinco vezes a Mega-Sena – nos concursos 1525, 2061, 2256, 2369 e 2411.

“Os prêmios de quadras e de quinas são mais fáceis de garantir com aposta simples, usando a técnica de fechamento, além de ser uma forma de não desperdiçar tanto dinheiro”, comentou.

Vale lembrar que a premiação da Mega da Virada não acumula e, por isso, caso não tenha apostas com as seis dezenas sorteadas, o valor é dividido entre aqueles que acertaram a quina (5 números) e assim por diante.

Estratégias

Além dessa estratégia, o escritor destaca que há quatro fatores que devem ser considerados no momento da aposta. O primeiro é o método, ou seja, o sistema otimizado usado para gerar as combinações, já que fazê-lo manualmente é impraticável. Já o segundo diz respeito aos filtros, que ajudam a selecionar as dezenas que serão combinadas.

O terceiro fator é o orçamento disponível, uma vez que dificilmente o apostador consegue registrar todas as combinações possíveis de uma loteria. Por isso, o quarto elemento é a sorte, considerada indispensável em qualquer jogo. “Porém, essa dependência ou não da sorte dependerá da otimização dos três primeiros fatores”, salienta Adalberto.

Segundo o especialista, um exemplo de aplicação dessas estratégias é considerar o ciclo de números da Mega-Sena, ou seja, o intervalo médio necessário para que todas as dezenas sejam sorteadas ao longo dos concursos.

“Levando em conta o último concurso, o de número 2954, eu organizei as dezenas em três grupos. O primeiro reúne oito números que ainda não saíram na Mega da Virada: 7, 8, 9, 13, 28, 39, 44 e 54. A orientação, nesse caso, é escolher no máximo duas dessas dezenas, filtro que, dentro do modelo utilizado, apresenta uma taxa de acerto de 97,33%. Já o segundo grupo corresponde às dezenas sorteadas no último concurso — 1, 9, 37, 39, 42 e 44. Nesse cenário, a recomendação é selecionar apenas uma delas para compor o jogo, critério que, segundo o método, tem uma eficiência de 89,49%”, explicou.

Por fim, Adalberto afirmou que o terceiro grupo se baseia no ciclo de números da Mega-Sena, que vai do concurso 2938 ao 2954, ou seja, as dezenas que ainda não foram sorteadas nesse intervalo. “São elas: 16, 18, 19, 26, 28, 32, 34, 41, 43, 55 e 57. Desses 11 números, a recomendação é escolher no máximo três para compor o jogo. Dentro dessa estratégia, o filtro apresenta uma taxa de 99,16%”, completou.

No livro, o professor também analisa a distribuição das dezenas no cartão, a partir da observação de padrões recorrentes nos sorteios da Mega-Sena. Ele aponta quatro formatos de preenchimento das linhas que, juntos, representam mais de 90% dos resultados já registrados.

Um dos exemplos citados é a escolha de dois números em uma linha, dois em outra e os dois restantes distribuídos em linhas diferentes. Já outro formato recorrente é marcar dois números na mesma linha e os outros quatro em linhas distintas. Segundo o autor, esses filtros ajudam a organizar as combinações e fazem parte do método apresentado na obra para otimizar a elaboração dos jogos.

Jogo é um evento independente

Embora reconheça que cada sorteio é um evento independente, ou seja, um concurso não influencia o resultado do outro, o professor afirma que, ao analisar o ciclo dos números, o apostador pode fazer uma leitura mais estratégica para identificar quais dezenas ainda não apareceram em determinado período.

“Assim, considerando o intervalo médio entre os sorteios, é possível escolher uma certa quantidade de números que ainda não saíram para montar as combinações”, explicou.

Adalberto assegura que, ainda que a sorte seja a variável mais relevante, a matemática, por meio de técnicas que envolvem a análise combinatória, elimina repetições de aposta, o desperdício de dinheiro e fazer melhores apostas. “Ela não vai operar milagres, mas, certamente, irá otimizar os seus jogos. É muito mais eficaz comparado a combinações aleatórias”, finalizou.

Como fazer uma aposta?

Há três maneiras de fazer uma aposta na Mega da Virada 2024: pelo site da Caixa Econômica Federal, pelo app ou fisicamente em alguma das 13 mil lotéricas espalhadas pelo país.

Para apostar pelo site, basta acessar loteriasonline.caixa.gov.br e selecionar o concurso Mega da Virada. Casa não tenha cadastro na plataforma, se inscreva com CPF e uma senha de seis dígitos. Escolha entre as modalidades Aposta Simples (e selecione seis dezenas entre 1 e 60), Surpresinha (todos os números são escolhidos aleatoriamente pelo sistema), Completar com Números Aleatórios (selecione alguns números e deixe o sistema preencher aleatoriamente os restantes) ou Teimosinha (optar por repetir os números em mais sorteios). Depois clique em Colocar no Carrinho para finalizar a aposta. Acesse o carrinho de compras e valide o pagamento. O valor mínimo para a modalidade é de R$ 30 e o máximo é de R$ 945.

Para apostar pelo app, acesse o app Loterias Caixa e realize seu cadastro. Siga os mesmos passos da aposta pelo site.

Para apostar por uma lotérica, basta comparecer ao local e preencher a cartela disponível da Mega da Virada. Atente que o volante, com 60 números, é especial para o jogo do fim de ano. Assim, cuidado para não confundir com o da Mega Sena comum.

Até quando posso apostar?

Apostadores têm até às 17h de 31 de dezembro para apostar na Mega da Virada.

Ana Magalhães

Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foi estagiária do Jornal Estado de Minas e do programa Agenda da Rede Minas de Televisão. Repórter do BHAZ desde agosto de 2024.
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