Mulher tem falência do fígado após uso de chá emagrecedor e médica faz alerta: ‘Charlatanismo’

03/02/2022 às 20h10
chá emagrecedor
Segundo médica do Hospital das Clínicas de São Paulo, a paciente usava um chá emagrecedor com mais de 50 ervas (FOTO ILUSTRATIVA: Banco de imagens/Unsplash)

Uma moradora de São Paulo entrou para a fila de transplante de fígado na última semana depois de ser diagnosticada com uma hepatite fulminante. Segundo a médica cirurgiã Liliana Ducatti Lopes, do Hospital das Clínicas de São Paulo onde a paciente está internada, a mulher teve a falência do órgão provocada pelo uso excessivo de um chá emagrecedor com mais de 50 ervas.

“Sempre que recebemos esses pacientes, a primeira coisa que a gente faz é investigar a causa. Na grande maioria das vezes é medicamentosa. Nesse caso não havia nenhuma medicação conhecida, mas depois os familiares trouxeram pra gente uma medicação que a paciente estava fazendo uso, chamado ’50 ervas emagrecedoras'”, relata Liliana em seu Instagram.

‘Charlatanismo’

Ela conta que ao analisar o rótulo do produto, foram identificadas diversas ervas que são prejudiciais ao fígado. “O mais comum é o chá verde. Existem vários relatos de casos de hepatite fulminante por uso de chá verde”, explica.

Outros condimentos citados por ela são a mata verde e a carqueja. “Nós recomendamos não fazer o uso desse tipo de medicação, chá que desincha, chá detox, chá ‘natural’, isso tudo é charlatanismo e podem levar a um transplante de fígado”.

O relato da médica já foi visto mais de 30 mil vezes e, pelos comentários do vídeo, muita gente se mostrou assustada com a informação. “Eu fico profundamente triste! Uma situação que poderia ser evitada se ela tivesse buscado uma orientação correta de um profissional”, escreveu uma pessoa.

“Espero que essa moça tenha a sorte que tive de conseguir um fígado a tempo de transplantar. Também tive uma hepatite medicamentosa fulminante em 2019, graças ao sim de uma família, a linha da minha vida não acabou”, compartilhou outra usuária da rede social.

Larissa Reis

Graduada em jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e repórter do BHAZ desde 2021. Vencedora do 13° Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, idealizado pelo Instituto Vladimir Herzog. Também participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.
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