‘Osso é vendido e não dado’: Com alta no preço da carne, açougue adota cartaz para evitar pedidos

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Cartaz teve que ser afixado em açougue devido à prucura por ossos (Reprodução/@caiodux/Twitter)

A foto de um cartaz com “novas regras” de um açougue tem repercutido nas redes sociais, nesta quarta-feira (6), por conta da mensagem que reflete o triste cenário do Brasil atual: “Osso é vendido e não dado”. Os dizeres estão afixados na vitrine de um mercado de carnes em Florianópolis, Santa Catarina e o dono explica que continua oferecendo ossos para pessoas necessitadas, mas precisou adotar a medida para evitar os pedidos vindos de clientes.

Com a repercussão da foto, vários internautas opinaram sobre o cenário econômico do país, e atribuíram a situação ao governo de Jair Bolsonaro (sem partido). “No Brasil com Bolsonaro, “o osso é vendido e não dado”. Como tem gente que se isenta ou ainda apoia esse genocida eu não entendo!”, disse uma pessoa.

“Como vegano, queria muito ver a queda no consumo de animais como parte da conscientização das pessoas sobre os direitos animais. Não é o que vemos: as pessoas tem comido cada vez pior por conta da miséria imposta por este governo de morte. Trágico!”, opinou um outro usuário.

Situações desse tipo estão se tornando cada vez mais comuns em diversos estabelecimentos do Brasil. Em Belo Horizonte, um supermercado da região Leste chegou a colocar alarmes antifurto nas carnes nobres, conforme mostrou o BHAZ. A prática foi adotada para evitar que os alimentos fossem furtados.

“Já tem tempo que os alarmes antifurto foram instalados, mas agora que têm chamado a atenção. Isso é preciso ser feito pois, infelizmente, muita gente acaba pegando o produto e escondendo em caixas e saindo do estabelecimento sem pagar. É uma precaução adotada”, explicou o diretor do Mercado Mineiro.

Consumo de carne bovina é o menor em 25 anos

A foto foi feita pela reportagem do G1, que conversou com o dono do açougue, Ari dos Santos. Ele contou que a procura por ossos de boi começou a aumentar há cerca de um ano e, por isso, o cartaz com o preço do produto teve que ser colocado no estabelecimento.

“Sempre vendi, mas aumentou”, afirmou. “Quando vem uma pessoa necessitada, eu ainda faço a doação”, detalhou. O dono do açougue, que está há 20 anos em Florianópolis, relatou que tem buscado por alternativas para manter as vendas.

“Desde a pandemia, caiu muito o movimento. As pessoas não estão mais comprando a carne aqui”, disse Ari. Helo Santos, de 60 anos, revelou que parou de comprar o alimento durante a pandemia e agora substitui por ovos, peixes, legumes ou verduras.

“Não como mais carne de gado, não. Não tem como, está tudo muito caro”, comentou a senhora. De acordo com os dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), o consumo de carne bovina entre os brasileiros caiu para o menor nível em 25 anos nesta pandemia.

Andreza Miranda
Andreza Mirandaandreza.miranda@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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