A Polícia Civil de São Paulo, indiciou, nesta quinta-feira (28), o empresário Saul Klein, filho do fundador da rede varejista Casas Bahia. Klein, 68, é investigado desde o ano passado pelos crimes de organização criminosa, redução à condição análoga à escravidão, tráfico de pessoas, estupro e estupro de vulnerável, entre outros.
A Polícia Civil determinou a prisão preventiva do empresário, investigado há mais de 15 meses. Ao todo, o inquérito policial reuniu depoimentos de 14 mulheres com idades entre 16 e 24 anos. Ao BHAZ, a corporação informou que “detalhes serão preservados, pois as investigações tramitam em segredo de justiça”.
De acordo com as mulheres, Klein as aliciava e estuprava em festas que promovia em sua casa, em Alphaville, na região metropolitana de São Paulo, desde 2008. Em reportagem feita pelo Fantástico em 2020, as vítimas contaram anonimamente sobre como aconteciam os abusos.
“A gente tinha que falar com voz fina, vozinha de criança. Tinha menina que tinha que andar de boneca pela casa. As novatas ficavam bem chocadas, não podiam ir embora, a casa era cercada de seguranças e muros”, relatou uma delas.
‘Ato discriminatório’
O BHAZ tentou contato com a defesa de Klein, mas não obteve retorno. Ao g1, o advogado André Boiani e Azevedo argumentou que o indiciamento “é um ato discricionário da autoridade policial que não vincula os demais atores processuais”.
Ainda de acordo com ele, os dados obtidos nas investigações o isentarão dos crimes. “Saul e sua defesa técnica respeitam o posicionamento da Polícia Civil, mas entendem que a análise atenta e isenta dos elementos do inquérito levará o Ministério Público e o Judiciário a concluírem por sua inocência”, afirmou.
Quem é Saul Klein?
Saul Klein é filho de Samuel Klein, fundador das Casas Bahia, que morreu e 2014. Ele disputa a herança do pai na Justiça com o irmão mais velho, Michel Klein. Em 2010, Saul vendeu a parte da sociedade da empresa ao irmão, pelo valor estimado de R$ 1,5 bilhão, e desde então se afastou dos negócios do varejo.
Quando as investigações começaram, a defesa de Klein informou que o empresário atuava como “sugar daddy”, termo atribuído a homens ricos que sustentam mulheres financeiramente em troca de atos sexuais ou somente de companhia e carinho (veja aqui).
“O sr. Saul Klein vem sendo vítima de um grupo organizado que se uniu com o único objetivo de enriquecer ilicitamente às custas dele, através da realização de ameaças e da apresentação de acusações falsas em âmbito judicial, policial e midiático”, afirmou André Boiani.












