Recorde atrás de recorde: Brasil tem 3.650 mortes por Covid-19 em 24h

Cemitério no Brasil
Já é a segunda vez que o número supera a marca de 3 mil (Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Mais uma vez, o Brasil bateu novo recorde de mortes por Covid-19 registradas em 24 horas nesta sexta-feira (26), com 3.650 óbitos confirmados, de acordo com o levantamento do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde). Esta é a segunda vez que o número de mortes em 24 horas supera a marca dos 3 mil: a primeira foi na última terça-feira (23).

Ao todo, o país já contabiliza 307.112 óbitos em decorrência da doença. A marca dos 300 mil, superada nessa quarta-feira (24), chegou apenas dois meses e meio depois de o Brasil cruzar a trincheira das 200 mil mortes. Nas últimas 24 horas, o estado de São Paulo também bateu recorde, registrando 1.193 óbitos, o que corresponde a cerca de 32% do total de mortes contabilizadas hoje em todo o país.

O total de casos confirmados de Covid-19 até hoje no Brasil já chega a 12.404.414, sendo que 84.245 foram registrados nas últimas 24 horas, ainda segundo dados do Conass, que reúne o que é divulgado pelas Secretarias Estaduais de Saúde. E os números podem ser ainda maiores: as informações da doença no Ceará não foram atualizadas nesta sexta-feira, por causa de problemas técnicos no acesso à base de dados.

Sem remédios

Além do número de mortes que cresce a cada dia, outro problema preocupa os brasileiros em meio à pandemia: hospitais privados do país dizem que só têm medicamentos para intubação de pacientes com Covid-19, como sedativos e relaxantes musculares, para mais três a quatro dias.

O alerta vem de duas associações: Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados), que reúne 118 instituições de excelência, como o Albert Einstein e o Sírio-Libanês; e a FBH (Federação Brasileira de Hospitais), que congrega 4,2 mil unidades de pequeno e médio porte. Hospitais e associações médicas já vinham alertando nas últimas semanas o governo federal para a queda no estoque de analgésicos, sedativos e bloqueadores musculares.

A escassez dos medicamentos tem obrigado equipes médicas a trabalhar com drogas de segunda ou terceira linha, de maneira racionada, o que pode causar mais sofrimento aos pacientes, além de prejuízo na adaptação à ventilação mecânica e mais mortes, segundo médicos intensivistas.

“Lá no Sírio a gente usava todas as sedações puras, e agora começamos a diluir porque não tá tendo. O Propofol [anestésico] 1% acabou, estamos usando o 2%, e o Cisa [Besilato de Cisatracúrio, bloqueador neuromuscular] também acabou e estamos usando o Rocurônio [relaxante muscular]”, diz uma técnica de enfermagem.

Com Folhapress

Edição: Thiago Ricci
Sofia Leão[email protected]

Repórter do BHAZ desde 2019 e graduada em jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Participou de reportagens premiadas pelo Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados, pela CDL/BH e pelo Prêmio Sebrae de Jornalismo em 2021.

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