A Unesp de Botucatu, no interior de São Paulo, investiga estudantes que teriam feito “blackface”, uma prática racista em que se pinta o rosto de preto, durante um trote universitário. A universidade afirma que uma comissão de apuração investiga o caso.
A gincana universitária teria ocorrido em uma república chamada “Tarja Preta”, no último dia 25. Imagens que circulam na internet mostram estudantes com o rosto coberto de tinta. Os calouros teriam sido obrigados a se pintar durante o trote.
Em nota, o Instituto de Biociências da universidade manifestou repúdio “às eventuais ações de racismo e qualquer outro tipo de violência que tenha ocorrido nas queixas apresentadas na ouvidoria da Unesp”.
Comissão vai investigar o caso
O texto afirma que as imagens e denúncias já foram encaminhadas à comissão de apuração. Além de averiguar o ocorrido, o órgão deve enviar as devidas punições, se for o caso, às comunidades universitárias.
“Igualmente, essa comissão vai nos ajudar a definir os elementos legais que permitem proceder com denúncias junto às autoridades policiais no momento oportuno”, diz o comunicado.
O BHAZ entrou em contato com a República Tarja Preta, via e-mail, telefone e mensagem no Instagram, e aguarda retorno. Desse modo, caso a organização queira se manifestar, esta matéria será atualizada.
O que é blackface?
Os primeiros registros de blackface datam do século XIX, em Nova York, quando atores brancos pintavam os próprios rostos para encenar negros em peças humorísticas.
A mudança física era comumente associada a sotaques e trejeitos exagerados, que ridicularizava pessoas negras para entretenimento dos brancos. Além da pintura, muitas vezes outros traços físicos dos atores também eram modificados, além do modo de falar e agir.
O blackface surgiu porque, na época, pessoas negras não eram autorizadas a subir em palcos e atuar. Até os dias de hoje, atores negros ainda enfrentam dificuldades para conseguir papeis de relevância na indústria audiovisual e a prática se espalhou para outras esferas, reproduzindo estereótipos ofensivos em diversos âmbitos.
Humberto Adami, presidente Comissão Estadual da Verdade da Escravidão Negra da OAB-RJ (Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro), afirma que a prática se configura “uma forma de racismo e diminuição do ser humano negro, de desumanização da figura do preto e do pardo”.
O advogado ainda cita personagens nacionais, como Velho Zuza e Azambuja, interpretados por Chico Anysio, que faziam uso da prática. “Isso foi, por muito tempo, a comédia brasileira. Hoje já há o sentimento de que esse tipo de característica humilha, faz chacota das pessoas pretas e pardas, e portanto não é aceita”, diz.









