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Contagem confirma soltura de mosquitos com Wolbachia contra dengue a partir de novembro

23/07/2026 às 16h13
aedes aegipty
(Adão de Souza/PBH)

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Contagem divulgou o cronograma das próximas etapas do método Wolbachia no município no enfrentamento à dengue. Após a pesquisa de percepção da população, o projeto segue para a fase de engajamento comunitário, com ações de informação e mobilização entre setembro e novembro. Na sequência, ocorre a soltura dos mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia.

O projeto integra as ações da secretaria no enfrentamento das arboviroses em Contagem, com participação do Ministério da Saúde, da Fiocruz e da empresa Wolbito do Brasil. O método consiste na liberação de mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, que impede o desenvolvimento dos vírus da dengue, zika e chikungunya no mosquito.

A técnica tem origem em pesquisa do cientista mineiro Luciano Moreira, presidente da Wolbito do Brasil. Moreira entrou, em 2025, para a lista de dez pessoas que moldaram a ciência do ano segundo a revista Nature, e, em 2026, para a lista de cem pessoas mais influentes do mundo da revista Time. A Wolbito do Brasil opera em parceria com a Fiocruz, o Instituto de Biologia Molecular do Paraná e o World Mosquito Program, organização com atuação em 14 países.

Em Belo Horizonte, no mesmo eixo metropolitano de Contagem, o método está em uso desde 2020, com início em Venda Nova. Segundo a Prefeitura de BH, mais de 60% dos mosquitos capturados nas áreas de liberação já carregam a bactéria. A Prefeitura confirmou também a expansão do método para todas as regiões da capital ao longo deste ano.

Outro município monitorado pelo programa é Niterói, no Rio de Janeiro. Segundo a Wolbito do Brasil, o local registrou redução de 88,8% nos casos de dengue após a introdução do método e é citado pela empresa como o primeiro município do país com o método aplicado em toda a área urbana.

Dados do Ministério da Saúde registram queda de 75% nos casos prováveis de dengue no Brasil entre janeiro e abril deste ano, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Etapa de mobilização em Contagem

A fase de mobilização em Contagem tem como objetivo ampliar o conhecimento da população sobre o método Wolbachia, esclarecer dúvidas e reforçar a confiança na estratégia antes da soltura dos mosquitos, prevista para novembro.

“A expectativa é ampliar o conhecimento da população sobre o método Wolbachia, fortalecendo a confiança e o apoio à estratégia como mais uma ferramenta de enfrentamento das arboviroses no município”, afirma a subsecretária de Vigilância em Saúde de Contagem, Rejane Letro.

O engajamento comunitário ocorre de forma intersetorial, com participação das áreas de saúde, educação e assistência social. Equipamentos públicos nos territórios da estratégia passam por mapeamento, e profissionais dessas instituições recebem capacitação para atuar como multiplicadores das informações sobre o método.

Os multiplicadores atuam nas ações de mobilização por meio de palestras, oficinas, distribuição de materiais informativos e orientações durante as atividades dos serviços.

“O envolvimento da população é fundamental para o sucesso do projeto, pois a participação comunitária contribui para a disseminação de informações corretas, o esclarecimento de dúvidas e a construção de uma relação de confiança entre os moradores e os órgãos responsáveis pela implementação da metodologia. Além disso, o engajamento social fortalece as ações integradas de prevenção e controle das arboviroses, potencializando os resultados esperados para a saúde pública”, ressalta Rejane Letro.

Com o avanço do cronograma definido pela SMS e pelas instituições parceiras, a previsão é que a soltura dos mosquitos com Wolbachia comece em novembro.

A SMS reforça que o método Wolbachia atua como estratégia complementar no enfrentamento da dengue, chikungunya, zika e febre amarela urbana, sem substituir as medidas tradicionais de combate ao mosquito. “Estamos incorporando mais uma ferramenta ao conjunto de ações de vigilância e controle das arboviroses. Por isso, é essencial que a população continue eliminando os criadouros do mosquito e adotando as medidas de prevenção”, conclui a subsecretária.

Pedro Rocha Franco

Pedro Rocha Franco é jornalista desde 2007 e bacharel em ciências sociais. Foi repórter do jornal Estado de Minas, editor do portal O Tempo e head do departamento de jornalismo digital da Itatiaia. Hoje é gerente executivo do BHAZ. Além disso, colaborou com UOL e Repórter Brasil.

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