Ainda é cedo para dizer que estamos no fim da pandemia, alerta diretora da OMS

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Diretora avalia que a vacinação ajudou a amenizar os danos, mas população ainda deve ficar atenta (José Cruz/Agência Brasil)

A diretora-geral adjunta de acesso a medicamentos e produtos farmacêuticos da OMS (Organização Mundial da Saúde), Mariângela Simão, afirmou que ainda é cedo para declarar o final da pandemia. Isso ocorre por causa das mutações que o novo coronavírus sofre, tendo como exemplo as diferenças entre a variante delta e a mais recente descoberta que tem preocupado autoridades sanitárias, a ômicron.

A diretora ainda disse, em entrevista à Globonews, que existem discussões sobre o vírus ser classificado como endêmico – ou seja, uma doença que se manifesta com frequência em determinados locais, por causa de circunstâncias regionais. Nesses casos, a população convive com a doença em seu dia-a-dia – como acontece com a malária no Norte do Brasil, por exemplo.

“Ainda não é possível dizer que a gente está no final [da pandemia] porque é um vírus muito versátil, das mutações com facilidade. O que a gente pode esperar, já tem uma discussão globalmente, se a gente pode dizer que esse coronavírus vai virar endêmico. Parece que vai virar endêmico. A gente vai conviver com ele por mais anos”, disse Mariângela.

Novas variantes

Mesmo com a escalada no número de casos, o avanço da vacinação deve garantir um 2022 com um menor índice de mortes por Covid-19 no Brasil. Entretanto, isso não significa o fim da pandemia. Segundo Mariângela, além da ômicron – que se mostra menos severa em relação a internações, apesar de ser mais transmissícel -, ainda devem surgir outras variantes. Por isso, é importante não baixar a guarda para não sobrecarregar o sistema de saúde.

Além disso, conforme pontua a especialista, as vacinas provavelmente terão que ser atualizadas, uma vez que a imunização atual funciona bem para proteger contra o vírus, mas “não tão bem para prevenir transmissão”. Apesar das precauções, a diretora afirma que há motivos para pensar positivo.

“Com as vacinas está havendo uma dissociação da morte, as pessoas que tomam vacina têm menos complicação. E, por outro lado, você tem mais medicamentos para impedir o desenvolvimento de doença grave”, avalia.

Vacinação

Sobre a imunização infantil já iniciada no Brasil, Mariângela disse que a OMS recomenda que sejam vacinadas primeiro aquelas com comorbidades.

O Brasil se aproxima do patamar de 70% da população vacinada com as duas doses, enquanto 15% já receberam a dose de reforço e cerca de 75% receberam ao menos a primeira dose, segundo dados do painel Monitora Covid-19, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). A campanha coordenada pelo Programa Nacional de Imunizações já tinha atingido 68% dos brasileiros com as duas doses até a última sexta-feira (14).

Edição: Giovanna Fávero
Giulia Di Napoligiulia.di.napoli@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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