‘Circulação extrema’ é responsável por novas variantes, diz especialista

Pessoas fazendo caminhada na orla da lagoa da pampulha
As novas variantes foram causadas por circulação extrema, diz Starling (Amanda Dias/BHAZ)

Novas variantes do vírus que paralisa o mundo há mais de um ano já circulam em Belo Horizonte, causam a internação de bebês e crianças, e foram criadas pela “circulação extrema”. É o que alertam integrantes do Comitê de Enfrentamento da Covid-19 de BH. Infectologistas referências no estado divulgaram novas descobertas sobre a Covid-19 durante anúncio do prefeito Alexandre Kalil (PSD), nessa sexta (5), de fechamento da cidade.

“Foi essa circulação extrema que fez surgir essas novas variantes. Precisamos fazer com que o vírus pare de circular, foi essa circulação extrema que fez surgir essas novas variantes. Elas são muito mais transmissíveis e pegam outras faixas etárias [como crianças]”, afirmou o infectologista Carlos Starling, integrante do comitê criado pela PBH (Prefeitura de Belo Horizonte).

O médico infectologista e outro membro do comitê, Unaí Tupinambás, explicou que as três novas variantes do vírus já foram encontradas no estado, e que 30% das amostras testaram positivo para mutação. “A variante P2 tem as mesmas mutações da P1. Ela pode escapar do efeito da vacina e pode ser mais grave, e elas transmitem com mais facilidade”, informou.

As três novas variantes foram detectadas pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). Segundo o comunicado da fundação, publicado nessa quinta-feira (4), a alta circulação de pessoas e o aumento da propagação do vírus Sars-CoV-2 favorece o surgimento dessas no Brasil.

‘Estamos em um voo cego’

O infectologista Estevão Urbano, mais um membro do comitê de enfrentamento, afirmou que não certeza de imunização contra todas essas mutações do vírus. “Nesse momento de tanta incerteza, estamos num voo cego sem saber exatamente pra onde caminhamos. Por isso sugerimos o fechamento, porque ninguém sabe o que está acontecendo”, disse.

O infectologista expliou que o fechamento da cidade foi uma solução dura, mas responsável para preservar a vida dos mineiros. “Desde o início da pandemia, BH teve uma postura que não mudou, preservando a vida em primeiro lugar. Não deixamos o caldo entornar para depois fazer uma ação corretiva. Estamos evitando o colapso na saúde antes que o caos aconteça”, disse.

“O que se pretende toda vez que há esse retorno para a estaca zero é reduzir a mobilidade social. É isso que faz com que o vírus passe de uma pessoa pra outra. Isso é absolutamente necessário. As pessoas precisam entender que não dá pra aglomerar dentro de casa. Isso tem que ser a nível nacional. Aquelas cenas de Manaus, estão se repetindo. Se a gente diminui a transmissão viral, a gente se protege e a vacina pode fazer efeito”, reforçou Starling. 

Edição: Thiago Ricci
Jordânia Andradejordania.andrade@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde outubro de 2020. Jornalista formada no UniBH (Centro Universitário de Belo Horizonte) com passagens pelos veículos Sou BH, Alvorada FM e rádio Itatiaia. Atua em projetos com foco em política, diversidade e jornalismo comunitário.

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