A COP30 terminou, deixando como saldo um conjunto de debates que precisam atravessar as fronteiras da conferência e chegar ao cotidiano das cidades. Se a crise climática é global, suas consequências são sempre territoriais; Por isso, considero impossível pensar soluções reais sem olhar para os modos de vida, as desigualdades e as relações de cuidado que sustentam cada território, cada cidade. Em Belo Horizonte, temos procurado transformar esse entendimento em políticas públicas concretas.
Esse pensamento vem atravessando fortemente o modo como pensamos a distribuição de emendas impositivas no meu mandato de vereadora. Para o ano 2025, direcionamos recursos para iniciativas multissetoriais, que abrangem tanto o tema da Emergência Climática quanto a vida cultural e as ações educativas na cidade. Investimos na proteção do Parque das Mangabeiras, no fortalecimento da Farmácia Viva, na estruturação do CEMAR e no apoio às catadoras que atuam no Recicla Belô. Essas ações, apesar de distintas, partem de uma mesma convicção: a justiça climática depende da valorização da natureza urbana, da proteção das pessoas que cuidam do território e da integração entre saberes tradicionais e políticas institucionais.
No campo legislativo, nossa atuação segue na mesma direção. Assino conjuntamente com outras parlamentares da Câmara projetos que visam a criação de políticas voltadas ao direito de crianças e adolescentes à natureza, à pavimentação ecológica, à proteção da Mata da Baleia e ao fortalecimento dos povos e comunidades tradicionais, porque acredito que o enfrentamento da crise ambiental exige também iniciativas institucionais que consolidem o que grande parte da sociedade já reconhece como essencial: a preservação do verde, a permeabilidade do solo, a valorização da ancestralidade e a defesa de modos de vida ameaçados pela expansão urbana.
A COP30 escancarou questões fundamentais, e uma delas foi a centralidade das mulheres na governança climática. Não se trata apenas de incluir mulheres no debate, mas de reconhecer que elas já estão na linha de frente da luta ambiental, muitas vezes sem qualquer visibilidade institucional. São elas que, nos territórios, administram a água, a alimentação, a saúde das famílias e o cuidado ampliado com a comunidade. São também as primeiras a sentir os impactos da degradação ambiental. E é nessa chave que gênero e clima se cruzam, apontando que justiça climática só existe quando há igualdade, participação e reconhecimento das práticas que sustentam a vida.
Tive a oportunidade de discutir esses temas em julho, na I Conferência Climática Internacional, em Córdoba, quando antecipamos parte dos debates que aconteceram agora na COP30. Em ambos os espaços, o que se viu foi a confirmação de que os territórios e as cidades precisam assumir maior protagonismo e que as políticas públicas de base territorial, como a Política Municipal Cultura Viva e o edital Territórios de Cuidados, podem inspirar modelos de ação mais efetivos. São políticas que articulam cultura, afeto e sustentabilidade. E é justamente essa articulação que faltou durante muitos anos nas discussões climáticas internacionais.
A COP30 terminou, mas o trabalho continua. Cuidar do clima também é cuidar das pessoas. A justiça climática se constrói no território, com políticas públicas locais, participação popular e com a coragem de reconhecer que a transição ecológica começa onde a vida acontece.









