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Por que é tão importante falar de COP com a população de vilas e favelas?

17/10/2025 às 11h29 - Atualizado em 17/10/2025 às 11h58
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Moradores da maior favela de Minas Gerais vinham perdendo o sossego por conta dos eventos (Moisés Santos/BHAZ)

No ano em que o Brasil recebe a COP, trazendo pela primeira vez esse evento para o Sul Global e para o contexto da maior floresta tropical do mundo – a Floresta Amazônica –, é de fundamental importância a iniciativa de promover em Belo Horizonte o evento da COP das Quebradas.

Tive a honra estar à frente na organização desse evento conjuntamente com seu idealizador, Júlio Fessô – liderança climática e Diretor de Vilas e Favelas da Regional Centro-Sul – e de participar dessa construção coletiva que envolveu diversos setores da Prefeitura de Belo Horizonte e organizações de peso na pauta ambiental e climática como Greenpeace, Global Shapers, Engajamundo, Virada Climática, Eu amo minha quebrada, dentre outros.

Belo Horizonte novamente sai na vanguarda quando promove esse evento e chama a população das vilas e favelas da cidade para dialogar a respeito da emergência climática e seus efeitos perversos. Foram realizados dois dias de discussão abordando os seguintes temas: justiça climática, racismo ambiental, águas e matas, agroecologia e soberania alimentar, educação ambiental e boas práticas. 

Tivemos a oportunidade de discutir e refletir sobre as mudanças climáticas e, principalmente, conhecer o que as comunidades de vilas e favelas têm realizado através de soluções baseadas na natureza para mitigar e enfrentar os desafios impostos pela emergência climática e seus efeitos. Pudemos conhecer quais são os desejos e anseios das populações das regiões mais vulneráveis às mudanças climáticas, mas sobretudo o que essas comunidades têm feito para enfrentar essa realidade e quais inovações podem ser replicadas em outros países para enfrentamento da emergência climática.

Uma das discussões importantes na COP 30 será sobre o financiamento climático de iniciativas ambientais, ponto no qual Belo Horizonte trará importantes contribuições a partir das discussões realizadas na COP das Quebradas e que geraram o documento norteador. O Manifesto da COP das Quebradas aponta caminhos possíveis para que possamos replicar e apoiar ações de enfrentamento à emergência climática que podem impactar positivamente no quadro atual em que a população mais vulnerável socioeconomicamente é mais atingida pelos efeitos das mudanças climáticas. Belo Horizonte traz contribuições importantes para essa discussão e deixará um legado fundamental na COP 30.

Foram elencadas 20 propostas a partir da COP das Quebradas e que serão levadas para a COP 30,  com destaque para a urgência de um plano de ação multirrisco intersetorial, com definição de responsabilidades e estratégias para informar e proteger populações vulneráveis durante eventos climáticos extremos; a criação de comitês de participação popular e controle social, além do incentivo a políticas de hortas urbanas, agroecologia e segurança alimentar.

A questão hídrica é também um dos principais eixos do documento, propondo um planejamento urbano integrado para aprimorar a gestão da água e a oferta de serviços básicos. Na área de resíduos, o Manifesto recomenda priorizar o recolhimento e a separação adequada do lixo, promovendo compostagem, reciclagem e a aplicação do conceito de Lixo Zero nas comunidades. 

Vale destacar a proposta de fortalecer ações de educação ambiental e o trabalho fundamental de lideranças climáticas locais, além do imprescindível engajamento de jovens nas pautas ambientais.

Tivemos a oportunidade de discutir e refletir sobre as mudanças climáticas e principalmente conhecer o que as comunidades de vilas e favelas têm realizado através de soluções baseadas na natureza para mitigar e enfrentar os desafios impostos pela emergência climática e seus efeitos. 

A construção e realização da COP das Quebradas deixa como legado uma carta manifesto com 20 propostas para a COP 30 mas, sobretudo, a importância fundamental de promover a discussão da emergência climática com quem mora nas vilas e favelas e  escutar essa população. Como diz Júlio Fessô: “Se a favela não desce para o asfalto, o asfalto não funciona. É hora do asfalto escutar o que a favela tem pra dizer e construir juntos soluções para o enfrentamento das mudanças climáticas”.

Ana Paula da Costa Assunção

Ana Paula da Costa Assunção

Diretora de Educação Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Belo Horizonte



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