“Eu entendo as dificuldades da Copasa, mas nós não podemos ficar entendendo pro resto da vida”. Com essa declaração em uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira (2), o prefeito Álvaro Damião cobrou respostas da Companhia de Saneamento de Minas Gerais sobre a falta d’água que atinge BH, pelo menos, desde o último domingo (30). A cobrança pública ocorre poucos meses após a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) ter assinado, em março deste ano, uma renovação de contrato com a concessionária que estende os serviços de saneamento até o ano de 2073.
O prefeito revelou que a cobrança ocorreu durante um encontro pessoal com a presidente da Copasa, Marília Carvalho, ao lado de um procurador do Ministério Público. Segundo Damião, a agenda original era a assinatura de um convênio de recapeamento de vias. No entanto, ele disse que aproveitou a oportunidade para cobrar soluções urgentes para a população.
De acordo com o chefe do Executivo, a presidente da Copasa se comprometeu em resolver a situação, com foco principal na região Oeste, que tem sofrido mais com constantes interrupções. “Hoje ela prometeu uma solução para resolver esses problemas. Tomara a Deus que a Copasa consiga”, disse Damião.
Impacto na rede de ensino
O impacto da falta d’água já compromete o funcionamento de serviços essenciais na capital. O prefeito destacou que a administração municipal foi forçada a paralisar as atividades de uma escola municipal devido à falta de abastecimento de água.
Como medida emergencial, a Copasa têm utilizado caminhões-pipa para tentar amenizar a situação, mas Damião questionou a continuidade do serviço. “Os caminhões-pipa vão servir até quando? Eles são realidade ou estão vindo só para poder nos apoiar nesse momento?”, indagou. “São muito bem-vindos, mas sabendo que depois de amanhã eu preciso de solução na torneira das pessoas, não é na caixa d’água delas”, completou.
Falta d’água em BH
A grave crise na região Oeste de BH iniciou em 19 de agosto, após o rompimento de uma adutora de grande porte na rua Xapuri, esquina com a avenida Barão Homem de Melo, no bairro Nova Granada. O vazamento de grandes proporções abriu um buraco em um imóvel residencial, inundou vias próximas e levou à interdição da residência pela Defesa Civil. A família desabrigada está recebendo assistência social e hospedagem em hotel custeadas pela Copasa
A concessionária isolou temporariamente o trecho e realizou manobras na rede para manter o fluxo de abastecimento, o que causou perda de vazão e oscilações de pressão nas partes altas de 33 bairros da capital, incluindo Buritis, Estoril, Nova Suíça, Gutierrez, Havaí, Betânia, Alto Barroca e Calafate.
Para resolver a falta d’água, a Copasa informou que iniciou, na última segunda-feira (31), uma obra emergencial para implantar um novo traçado e desviar a adutora do imóvel. De acordo com a Companhia, as obras devem ser concluídas até esta quinta-feira (3), regularizando o abastecimento na Grande BH.
Barreiro
Além da crise na região Oeste, bairros do Barreiro enfrentam três dias consecutivos de interrupção completa no fornecimento de água devido ao rompimento de outra adutora. A manutenção desse ponto foi concluída na manhã desta terça-feira (1º), e o sistema está em fase de pressurização e recuperação gradual.
A Copasa anunciou a criação de uma força-tarefa especial com equipes de engenharia e assistência social para estabilizar a rede da Grande BH. Segundo a Companhia, mais de 15 caminhões-pipa estão nas ruas prestando suporte emergencial prioritário a UPAs, hospitais, creches e escolas da capital.












