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A despedida de Lô Borges: como multidão se formou para homenageá-lo em Santa Tereza

06/11/2025 às 15h48
Homenagem a Lô Borges
Homenagem a Lô Borges, nessa segunda-feira (3). Crédito: Vinícius Sampaio/BHAZ

Um grupo de WhatsApp, criado de maneira aleatória, resultou na ‘Cantoria a Lô Borges’, uma das homenagens póstumas mais emocionantes da história recente da música mineira. Feita a muitas mãos, artistas, fãs e moradores se reuniram no encontro das ruas Paraisópolis e Divinópolis, no bairro Santa Tereza, na região Leste de BH, para celebrar a vida e obra do cantor e compositor mineiro, que morreu na noite do último domingo (2). Foi ali, no encontro dessas ruas, que nasceu, no final dos anos 1960, o Clube da Esquina, movimento que teve Lô como um dos fundadores e que conquistou o mundo.

A cantora Bárbara Barcellos, de 33 anos, foi a responsável por criar o grupo virtual, na última quinta-feira (30). De maneira despretensiosa, e até não intencional, a artista reuniu mais de 200 pessoas na rede. A intenção era enviar, por lista de transmissão e mensagem privada, o novo lançamento da carreira da belo-horizontina.

“Eu, às vezes, sou um pouco devagar com tecnologia. Coloquei muitos músicos da cidade, um monte de gente envolvida na área da cultura. Criei esse grupo sem querer e coloquei o nome dele de ‘Amigos de Música'”.

Na lista, nomes reconhecidos do estado, como Fernanda Takai, Flávio Venturini e o próprio Lô Borges, foram adicionados. Bárbara tirou essas pessoas, por medo de incomodar e inclusive tentou desfazer o grupo, mas uma parcela dos amigos aderiu à ideia: “O pessoal começou a falar: ‘Nossa, não desfaz o grupo não, deixa aí, que grupo maravilhoso, vamos continuar aqui””.

As conversas seguiram animadas, mas, na segunda-feira (2), chegou a notícia: Lô Borges havia falecido. Da tristeza, surgiu uma nova manifestação: “Muitas pessoas ali no grupo já faziam um movimento de música na esquina, como o Marcelo Dante e o Gabriel Guedes. Periodicamente, várias pessoas se juntavam ali para homenagear o Clube (da Esquina). Inclusive, uma das últimas vezes que aconteceu, o Lô esteve presente. Ficamos arrasados com a notícia”, afirmou a cantora.

Juntos, os ‘amigos da música’ se organizaram. “O Bar do Museu do Clube da Esquina falou que ia disponibilizar o banheiro para as pessoas usarem. O Pedro Martins, do coletivo Alvorada, combinou de levar retroprojetor para projetar a imagem do Lô. Com medo de chuva, alugamos um toldo, também”, explicou a artista.

A mobilização foi coletiva e, à medida que as pessoas chegavam, o microfone passava de mão em mão. Cantores, músicos e fãs se juntaram em coro para interpretar o repertório de sucessos da MPB. Nomes como Toninho Horta, companheiro musical de Lô, estiveram presentes.

O grupo continua ativo. Bárbara diz que os integrantes já combinam outras homenagens. Assim, o legado de Lô Borges e do Clube da Esquina permanecem vivos. “Foi muito emocionante. Tenho certeza que o Lô sentiu essa energia. Ele merece todas as homenagens desse mundo”.

Tol Ramos

Estudante de jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais. Foi estagiária do caderno de cultura do Jornal Estado de Minas e do programa Agenda da Rede Minas. Repórter do BHAZ desde setembro de 2025.
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