Um grupo de WhatsApp, criado de maneira aleatória, resultou na ‘Cantoria a Lô Borges’, uma das homenagens póstumas mais emocionantes da história recente da música mineira. Feita a muitas mãos, artistas, fãs e moradores se reuniram no encontro das ruas Paraisópolis e Divinópolis, no bairro Santa Tereza, na região Leste de BH, para celebrar a vida e obra do cantor e compositor mineiro, que morreu na noite do último domingo (2). Foi ali, no encontro dessas ruas, que nasceu, no final dos anos 1960, o Clube da Esquina, movimento que teve Lô como um dos fundadores e que conquistou o mundo.
A cantora Bárbara Barcellos, de 33 anos, foi a responsável por criar o grupo virtual, na última quinta-feira (30). De maneira despretensiosa, e até não intencional, a artista reuniu mais de 200 pessoas na rede. A intenção era enviar, por lista de transmissão e mensagem privada, o novo lançamento da carreira da belo-horizontina.
“Eu, às vezes, sou um pouco devagar com tecnologia. Coloquei muitos músicos da cidade, um monte de gente envolvida na área da cultura. Criei esse grupo sem querer e coloquei o nome dele de ‘Amigos de Música'”.
Na lista, nomes reconhecidos do estado, como Fernanda Takai, Flávio Venturini e o próprio Lô Borges, foram adicionados. Bárbara tirou essas pessoas, por medo de incomodar e inclusive tentou desfazer o grupo, mas uma parcela dos amigos aderiu à ideia: “O pessoal começou a falar: ‘Nossa, não desfaz o grupo não, deixa aí, que grupo maravilhoso, vamos continuar aqui””.
+ FOTOS: Fãs e amigos prestam homenagens a Lô Borges em Santa Tereza, onde nasceu o Clube da Esquina +
As conversas seguiram animadas, mas, na segunda-feira (2), chegou a notícia: Lô Borges havia falecido. Da tristeza, surgiu uma nova manifestação: “Muitas pessoas ali no grupo já faziam um movimento de música na esquina, como o Marcelo Dante e o Gabriel Guedes. Periodicamente, várias pessoas se juntavam ali para homenagear o Clube (da Esquina). Inclusive, uma das últimas vezes que aconteceu, o Lô esteve presente. Ficamos arrasados com a notícia”, afirmou a cantora.
Juntos, os ‘amigos da música’ se organizaram. “O Bar do Museu do Clube da Esquina falou que ia disponibilizar o banheiro para as pessoas usarem. O Pedro Martins, do coletivo Alvorada, combinou de levar retroprojetor para projetar a imagem do Lô. Com medo de chuva, alugamos um toldo, também”, explicou a artista.
A mobilização foi coletiva e, à medida que as pessoas chegavam, o microfone passava de mão em mão. Cantores, músicos e fãs se juntaram em coro para interpretar o repertório de sucessos da MPB. Nomes como Toninho Horta, companheiro musical de Lô, estiveram presentes.
O grupo continua ativo. Bárbara diz que os integrantes já combinam outras homenagens. Assim, o legado de Lô Borges e do Clube da Esquina permanecem vivos. “Foi muito emocionante. Tenho certeza que o Lô sentiu essa energia. Ele merece todas as homenagens desse mundo”.










