A diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, não apenas esfaqueou o casal de idosos, mas submeteu Maria Clotilde, de 76 anos, a uma forma de tortura química antes de matá-la. A mulher foi indiciada na última segunda-feira (14) pela morte da idosa e do marido dela, Cláudio Atala, de 75 anos, em um apartamento no bairro São Pedro, em BH.
De acordo com o delegado Gustavo Barletta, responsável pela investigação, a autora tentou inicialmente sufocar Maria Clotilde utilizando uma almofada embebida em thinner, um solvente químico altamente forte, tóxico e corrosivo. “Isso foi falado por ela própria e confirmado pelo laudo de exame cadavérico”, destacou. Segundo o policial, a ação resultou em queimaduras graves na região do tórax, no rosto e nos olhos da vítima, chegando a queimar a córnea da idosa.
Conforme Barletta, apesar da tentativa de sufocamento, a idosa não teria morrido. Foi então que Paola Stefany passou a desferir 15 golpes de faca contra Maria Clotilde, inclusive atingindo o coração. “Posteriormente a isso, ela então passou a subtrair os bens que lhe interessava, dentre eles uma certa quantia de dinheiro, objetos de valor, relógios, uma coleção de relógios do idoso e diversas roupas também da senhora”, comentou.
“Covardia Bárbara”
O crime, classificado pelo delegado como uma “covardia bárbara”, começou com a aplicação do golpe ‘Boa Noite Cinderela’, onde Paola dopou o casal com sedativos misturados em suco. Além da violência contra Maria Clotilde, a diarista também desferiu 43 golpes de faca contra Cláudio Atala.
Segundo o Gustavo Barletta, a polícia acredita que o idoso tenha acordado durante o roubo e tentado reagir, o que desencadeou o ataque. Conforme o laudo, as lesões de defesa de Cláudio reforçam essa hipótese.
“Diversas lesões de defesa na sua mão, no seu antebraço e na região do tórax, o que foi demonstrado pelo perito. Deixar claro que um excelente trabalho da perícia, né, tanto regista quanto criminal, demonstrando que ele tentou eh se defender da a morte que se avizinhava aí a essa pessoa.
Surto
Embora a defesa de Paola tenha solicitado um exame de sanidade mental alegando que ela ouviu “vozes que pediam sangue”, o delegado Barletta classifica essa narrativa como um “surto eletivo” e fantasioso. Segundo ele, a investigação aponta para uma criminosa calculista que já havia feito outras vítimas com o mesmo modus operandi de dopagem para furto.
Paola Stefany foi indiciada por duplo latrocínio, e a soma das penas pelos crimes pode variar de 48 a 60 anos de prisão. Outros quatro homens responderão por receptação dos objetos roubados, que incluíam joias e uma coleção de relógios das vítimas.












