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Equipe médica atribui morte de mulher em BH após cirurgia às sucessivas transferências entre hospitais

17/02/2025 às 12h02 - Atualizado em 19/02/2025 às 11h45
Claudineia morreu no sábado (15) após complicações em cirurgia plástica (Reprodução)

A equipe médica do hospital-dia Bhariátrica — Instituto de Obesidade e Cirurgia, responsável pelos procedimentos estéticos realizados em Claudineia Francisca Lima, de 46 anos, defendeu a exatidão dos procedimentos em nota enviada à imprensa. A mulher morreu em BH na noite do último sábado (15) após série de complicações decorrentes de uma cirurgia plástica realizada na clínica coordenada pelo cirurgião Marcelo Reggiani.

No posicionamento, Regianni afirma que o estabelecimento possui autorização para a realização segura de procedimentos médicos e atribuiu o agravamento do quadro da paciente à demora no tratamento efetivo ocasionado por sucessivas transferências entre hospitais após a cirurgia plástica. Claudineia deu entrada na clínica Bhariátrica na quinta-feira (13) para fazer uma cirurgia de hérnia epigástrica e uma abdominoplastia, mas, de acordo com a família, teve a traqueia perfurada durante o procedimento e, posteriormente, precisou ser atendida em dois outros hospitais.

“A equipe médica não identificou nenhuma intercorrência durante o procedimento, que foi concluído e a paciente foi encaminhada ao quarto para observação e recuperação, conforme protocolo pós-operatório padrão. Duas horas após a internação no quarto, a equipe observou inchaço na face da paciente, compatível com um quadro de anafilaxia (reação alérgica), e todas as medidas necessárias foram tomadas. Diante da evolução do quadro, mesmo com suporte médico devido, o cirurgião estando presencialmente com a paciente recomendou a internação emergencial em um hospital com maior estrutura”, justificou a nota. Leia a íntegra do posicionamento ao fim da matéria.

O texto atribui o agravamento do caso à demora no tratamento efetivo, ocasionado por sucessivas transferências entre hospitais após a cirurgia plástica. “Durante todo o período após a cirurgia, ele [o cirurgião responsável] manteve contato próximo com a família, prestando apoio de forma ética e empática”, destacou a equipe médica.

Entenda o caso

Após a cirurgia de Claudineia, os profissionais da clínica Bhariátrica informaram que o procedimento havia sido um sucesso. No entanto, ainda no mesmo dia, a mulher começou a apresentar muito inchaço no rosto. Preocupados, os familiares acionaram a médica plantonista, que diagnosticou um quadro de anafilaxia e administrou antialérgico e adrenalina na paciente.

De acordo com o marido da vítima, ele sugeriu que a esposa fosse transferida para um hospital, mas a médica começou a chorar e disse que não sabia como realizar a transferência. O médico responsável pela cirurgia voltou para a clínica e garantiu que Claudineia estava bem, mas o quadro dela se agravou.

Claudineia, então, foi transferida para o Hospital Med Sênior, onde um outro médico constatou a perfuração na traqueia. Em seguida, ela foi transferida para o Hospital Alberto Cavalcanti e foi submetida a uma cirurgia de emergência, mas não resistiu.

A Polícia Civil de Minas Gerais afirma que investiga as causas e circunstâncias da morte de Claudineia. Não houve conduzidos até o momento. O velório da vítima ocorre numa funerária de Contagem na manhã desta segunda-feira (17), e o corpo será enterrado no Cemitério do Bonfim, em Belo Horizonte.

Nota completa da equipe médica

A cirurgia plástica foi realizada na quinta-feira, 13 de fevereiro, em um hospital-dia localizado no Condomínio Lifecenter, em Belo Horizonte. O local possui autorização para a realização segura de diversos procedimentos médicos.

As intervenções foram feitas sob anestesia geral, que exige intubação. Essa escolha foi necessária visto que a anestesia peridural não foi completamente eficaz, conforme identificado pela anestesista. Ou seja, não houve perfuração da traqueia da paciente pelo cirurgião plástico. A intubação foi realizada pela anestesista como um procedimento padrão para a cirurgia.

A equipe médica não identificou nenhuma intercorrência durante o procedimento, que foi concluído e a paciente foi encaminhada ao quarto para observação e recuperação, conforme protocolo pós-operatório padrão.

Duas horas após a internação no quarto, a equipe observou inchaço na face da paciente, compatível com um quadro de anafilaxia (reação alérgica), e todas as medidas necessárias foram tomadas. Diante da evolução do quadro, mesmo com suporte médico devido, o cirurgião estando presencialmente com a paciente recomendou a internação emergencial em um hospital com maior estrutura.

O cirurgião atribui o agravamento do caso à demora no tratamento efetivo, ocasionado por sucessivas transferências entre hospitais após a cirurgia plástica e que estão listadas a seguir. Durante todo o período após a cirurgia, ele manteve contato próximo com a família, prestando apoio de forma ética e empática.

Esclarecimentos principais

  • O cirurgião perfurou a traqueia da paciente?
    Não. A intubação foi realizada pela anestesista, como procedimento padrão para a cirurgia.
  • O cirurgião realizou a plástica em uma clínica?
    Não. A cirurgia foi realizada em um hospital-dia localizado no Condomínio Lifecenter, em Belo Horizonte.
  • O cirurgião tinha conhecimento da lesão na traqueia?
    Não. Durante a cirurgia plástica, não houve qualquer intercorrência que indicasse essa complicação.
  • Por que o cirurgião recomendou a transferência da paciente para um serviço de emergência?
    Devido à gravidade do quadro de anafilaxia e à falta de resposta ao tratamento.
  • Quando o cirurgião tomou conhecimento da gravidade do caso?
    A gravidade do caso foi confirmada após a realização da tomografia, indicada por outro serviço de saúde, quando o diagnóstico inicial de anafilaxia foi descartado. Neste momento, o cirurgião plástico e sua equipe tiveram conhecimento sobre a perfuração.

Linha do tempo das transferências da paciente

Após a recomendação de transferência pelo cirurgião, a paciente deu entrada no Pronto Atendimento do Hospital Lifecenter, localizado no mesmo complexo do hospital-dia. Durante o atendimento, a equipe de plantão também suspeitou de anafilaxia e conduziu o tratamento com base nesse diagnóstico. No entanto, como a operadora de saúde da paciente não era aceita pelo hospital, a família optou por transferi-la para o Pronto Atendimento do Hospital MedSênior, na Pampulha. Como não havia risco imediato à vida, as equipes do Hospital Lifecenter e do cirurgião apoiaram a transferência.

No MedSênior, a equipe de emergência ampliou a investigação diagnóstica, pois o quadro continuava evoluindo mesmo com o tratamento para anafilaxia. Após a realização de uma tomografia, foi identificada lesão na traqueia e recomendada a internação para cirurgia torácica. No entanto, devido ao período de carência do plano de saúde da paciente e à ausência de risco iminente à vida naquele momento, a recomendação foi transferi-la para um hospital público (SUS).

Nesse ponto, a operadora já havia acionado uma ambulância para a transferência. Inicialmente, a família recusou a remoção, mas, após nova avaliação da necessidade, aceitou. Entretanto, foi necessário acionar outra ambulância, o que resultou em um atraso de aproximadamente duas horas na transferência para o Hospital Alberto Cavalcanti, localizado no Padre Eustáquio, isso na sexta-feira (14/02). No sábado (15/02), a paciente passou por um procedimento pela cirurgia torácica mais invasiva, sofreu duas paradas cardíacas e, infelizmente, faleceu.

A anestesista mencionou ao cirurgião algumas hipóteses para a perfuração da traqueia, que são descritas na literatura médica como riscos inerentes à manipulação da via aérea para intubação. Entre elas, estão possíveis lesões causadas pela guia utilizada para a intubação ou ruptura provocada pelo próprio tubo.

Em observação ao sigilo médico e à LGPD o cirurgião não cita o nome da paciente e de seus familiares e nem maiores detalhes sobre o procedimento. No entanto, coloca-se à disposição para o esclarecimento dos fatos.

Nota completa do Hospital ULC

O Hospital ULC lamenta profundamente o falecimento da paciente Claudineia Francisca Lima e se solidariza com seus familiares neste momento difícil.

A paciente passou por uma cirurgia de abdominoplastia, lipoaspiração, enxertia de glúteo e correção de hérnia, sendo intubada para garantir sua segurança. A cirurgia transcorreu sem intercorrências, com monitoramento rigoroso conforme os protocolos de segurança.

No pós-operatório, ela apresentou um quadro clínico sugestivo de reação anafilática e foi prontamente assistida pela equipe médica e de enfermagem do Hospital ULC. Seguindo o protocolo institucional de Transição de Cuidados, foi transferida monitorada, estável e comunicativa, por maca e elevador, para o Hospital Life Center ainda com a hipótese diagnóstica de anafilaxia.

Ressaltamos que após a transição de cuidados, a definição e condução da paciente foi estabelecida entre as equipes de saúde que a assistiram e os seus familiares.

Reforçamos o nosso compromisso com a saúde, segurança e busca na excelência há mais de 22 anos.

Thiago Cândido

Jornalista pela UFMG. Repórter no BHAZ desde 2023. Participou de reportagem vencedora do Prêmio CDL/BH de Jornalismo 2024.
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