“Era minha vida!” diz Maurício Calixto Gomes, pai do garoto Bernardo Amorim Calixto Santos, de apenas 11 anos, morto após a trave de um gol cair sobre a cabeça dele. O acidente aconteceu no Estádio Municipal Inácia de Carvalho, em São José da Lapa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A criança brincava próximo ao equipamento, quando a estrutura de ferro veio ao chão.
A partida de futebol disputada por Maurício havia acabado de terminar, no sábado (9). Uma resenha, entre os amigos do jogo, estava começando em uma área localizada atrás do gol. Bernardo foi orientado a devolver a bola, por isso retornou acompanhado de um amigo até a área onde duas traves estavam. Amante de futebol, o garoto seguiu brincando, até que o amigo retornou sozinho. “O Bernardo machucou, está sangrando lá”, disse a criança. Maurício conta que saiu em disparada e, quando chegou perto do filho, ele já estava desacordado.
Bernardo foi socorrido pelo próprio pai. Com o filho nos braços, Maurício entrou em um carro e seguiu em direção ao Pronto Atendimento de São José da Lapa. Ao chegar na unidade de saúde, recebeu a assistência médica necessária. Duas ambulâncias com suporte avançado foram acionadas, mas já era tarde demais. O trauma provocado pela pancada foi forte demais e, cerca de uma hora depois, a morte da criança foi confirmada. “A família está desolada. A comoção no velório, que foi na residência nossa aqui, você tem que ver. Os alunos da escola que ele estudava, os professores, a professora dele, os colegas, familiares, pessoal que conhece a família… é uma coisa que um pai e uma mãe não quer passar por isso nunca”, relatou o tio do menino, Mauro Calixto Gomes, de 45 anos. Pai e tio conversaram com o BHAZ.
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Paixão pelo futebol
A família de Bernardo mora na região do Justinópolis, em Ribeirão das Neves. Ele era o único filho de Maurício com a mãe do garoto, Gislaine, e tinha ainda uma irmã por parte de mãe. Desde muito pequeno, a paixão pelo futebol chamou a atenção de todos. Educado, alegre e com talento para o esporte, costumava acompanhar o pai nos treinos sendo, muitas vezes, chamado de mascote do time Colorado.
Torcedor do Atlético, a criança fazia questão de acompanhar os jogos do time de coração. Fotos mostram uma das visitas ao estádio do Galo. E a paixão do filho levou o pai a voltar para os gramados. “Eu voltei a jogar bola por causa dele. Pensei ‘vou voltar a jogar bola, porque o Bernardo está crescendo, senão ele vai direcionar por outros caminhos’”, relembrou Maurício.
Família cobra autoridades
A família de Bernardo afirma que ainda não foi procurada pelas autoridades do município, nem pela polícia. Mesmo com a criança chegando na unidade hospitalar com um trauma na cabeça, eles ainda não têm informações sobre a apuração dos fatos. O campo seria administrado pelo município de São José da Lapa. “Outras pessoas relataram que já aconteceu isso lá, com outras crianças, mas não chegou ao ponto de vir a óbito. A intenção nossa é que o caso [do Bernardo] seja o último, pra não ter pais chorando dessa forma”, disse o tio da criança, Maurício.
Em nota, a Prefeitura de São José da Lapa disse que “acompanha o caso desde o ocorrido e que, neste momento, ainda aguarda a conclusão dos laudos e apurações dos órgãos competentes para a adoção das medidas necessárias e cabíveis”. Informou, ainda, que providências poderão ser tomadas a partir das informações técnicas oficiais.
O BHAZ questionou a Polícia Civil de Minas Gerais sobre a apuração dos fatos e aguarda retorno.









