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Adilson Maguila, lutador de boxe, morre aos 66 anos

24/10/2024 às 15h28 - Atualizado em 24/10/2024 às 18h06
Maguila
O lutador foi diagnosticado em 2013. (Reprodução)

O lutador de boxe Adilson Maguila morreu em São Paulo, nesta quinta-feira (24), aos 66 anos. O boxeador enfrentava uma encefalopatia traumática crônica, doença conhecida no meio científico como ‘demência do pugilista’, desde 2013.

A notícia da morte do lutador foi confirmada pela esposa de Maguila, Irani Pinheiro, à Record TV. “Ele estava há 28 dias internado. Procuramos não falar com a imprensa, pois procurei cuidar da minha família. É o momento de cada um. O Maguila estava há 18 anos com encefalopatia traumática crônica. Há 30 dias foi descoberto um nódulo no pulmão. Ele sentiu muitas dores no abdômen, tiraram dois litros de água do pulmão. Não conseguimos fazer a biópsia”, afirmou Irani na entrevista.

O lutador, nos últimos anos, estava internado em um centro terapêutico, em Itu, no interior de São Paulo.

A lenda do boxe

Nascido em 1958 em Aracaju, Maguila se mudou para São Paulo quando completou 14 anos. Desde novo se interessou pelo esporte ao acompanhar a carreira de Muhammad Ali pela TV. Mas até começar a lutar profissionalmente, enfrentou muitas adversidades na capital paulista, trabalhando como ajudante de pedreiro.

Em 17 anos de carreira, de 1983 a 2000, ele realizou 85 lutas oficiais, com 77 vitórias (sendo 61 por nocaute), sete derrotas e um empate técnico.

Ao longo da sua trajetória, o boxeador conquistou o título de campeão sul-americano e campeão brasileiro dos pesos pesados, cinturões que manteve por anos, além de ser o primeiro pugilista brasileiro a disputar um título mundial nos pesos pesados.

Em 1989, Maguila enfrentou o também peso-pesado Evander Holyfield. O brasileiro vencia o duelo quando foi nocauteado pelo estadunidense. O vencedor da luta enfrentaria o todo poderoso Myke Tyson.

O boxeador recebeu a alcunha de “Maguila” por semelhança ao porte físico do personagem Magilla Gorilla, de Hanna-Barbera.

Fora dos ringues, Maguila lançou, em 2009, o álbum ‘Vida de campeão’. O trabalho conta com a música que nomeia o disco, de sua autoria, além de sambas consagrados. O lutador, inclusive, foi homenageado ao virar samba de enrendo da escola ‘Me chama que eu vou’, em 2021.

O boxeador também fez algumas aparições na televisão, inclusive como comentarista de economia.

Ministério do Esporte divulga nota de pesar

O Ministério do Esporte lamentou a morte de Maguila, “um dos maiores nomes da história do boxe brasileiro”. Ainda conforme a pasta, fora dos ringues, ele “era conhecido por seu carisma e generosidade, sempre defendendo causas sociais e usando sua fama para ajudar os menos favorecidos”.

“O Ministério do Esporte reconhece a importância de Maguila para o esporte nacional e presta suas condolências à família, amigos e fãs que o acompanharam ao longo de sua brilhante carreira. O Brasil perde não só um ícone do boxe, mas também um homem cuja luta transcendeu o esporte”, informou a nota.

Demência do pugilista

A demência do pugilista ganhou este nome porque é muito comum em lutadores profissionais. Trata-se da fase final de uma doença cerebral crônica e progressiva, causada por uma alteração neurológica em decorrência de traumas cerebrais repetitivos.

Entre os sintomas da doença estão alterações motoras, cognitivas ou psíquicas. Inicialmente, o paciente pode perceber tremores e falta de coordenação, além de mudanças de humor. Com a evolução da demência, um quadro parkinsoniano pode se instalar, além de um agravamento na parte psiquiátrica.

Redação BHAZ

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