A estatística é uma ciência que estuda as probabilidades e tem se tornado cada vez mais importante não apenas na sociedade em geral (como por exemplo para prever eleições, para empresas montarem seu planejamento ou avaliarem o mercado, entre muitas outras funções práticas), mas também no mundo dos esportes.
O Campeonato Brasileiro da série A está incluso nisso e os departamentos de futebol das equipes também trabalham com esse tipo de ferramenta para analisar o desempenho individual e coletivo das equipes, encontrar jogadores no mercado e muito mais.
A estatística no futebol atual
Antes de falarmos sobre o brasileirão, é preciso entender como a estatística tem mudado o panorama do futebol. Em primeiro lugar, esta é apenas uma ciência, que pode ter certamente uma miríade de opções, mas não influencia em nada diretamente, ela apenas ajuda a analisar dados e chegar a conclusões (e cabe a cada um decidir como utilizá-la).
No esporte (e especialmente no futebol), essa ciência vem sendo utilizada para entender como os times e atletas se comportam em campo, podendo assim ser utilizada para melhorar treinamentos e também na parte de preparação física, onde dados também são utilizados por áreas como as de departamento médico, ocorrendo uma verdadeira revolução nos últimos tempos.
Como isso tem sido importante no brasileirão
O mundo do futebol como um todo vem mudando e o cenário brasileiro não é diferente. Porém, o que muda é que o esporte tem suas peculiaridades no país, como um calendário arrastado, a situação financeira dos times e várias outras situações que acabam afetando o desempenho dentro de campo.
Por isso as estatísticas na competição acabam tendo algumas características próprias – o futebol brasileiro é muito diferente do europeu, por exemplo, e mesmo em comparação com outros países da América do Sul também existem muitas outras diferenças (e no momento, boa parte disso é por conta da situação financeira dos clubes).
Quais as estatísticas mais importantes?
O futebol brasileiro não permite tanto que se jogue de maneira mais ofensiva por conta do desgaste que as equipes sofrem, muito por conta do calendário, fazendo com que poupar sempre que possível seja a regra de ouro – e assim coisas como a posse de bola acabam em segundo plano, já que é muito mais difícil imprimir um ritmo de jogo mais intenso sempre. Assim, pesam coisas como:
● Chutes a gol
● Rendimento dos times como mandante
● Rendimento defensivo
Esse cenário reflete bem o que as partidas da competição geralmente apresentam, com uma média de gols que não chega a ser tão alta se comparada com, por exemplo, as grandes ligas do futebol europeu.
Essas são as consequências do que se apresenta, mas não as causas. Justamente por isso, são estatísticas tidas em consideração pelas melhores casas de apostas, que também trazem muitos dados (inclusive ao vivo) para embasar as análises.
Com mais datas e menos treinos, é mais conveniente montar equipes que sejam mais preparadas para aguentar um ritmo pesado – o futebol brasileiro pode ser comparado mais com uma maratona, em relação às principais ligas cuja intensidade dos jogos é mais como uma corrida de 100m livres, já que times europeus têm mais tempo para treinar e uma preparação física muito diferente.
O que não aparece tanto
Há algumas estatísticas que acabam não sendo tão valorizadas, mas que são importantes fatores no jogo, mostrando mais uma das facetas que aquela ciência possui.
Como já dissemos, a posse de bola acaba não importando tanto – é muito possível vencer jogos sem ter a posse por muito tempo, o que inclusive exige mais precisão nos ataques, mas menos criatividade dos times.
É importante frisar também que é muito difícil fazer times criativos renderem por muito tempo, dado que por vezes é necessário mudar a estratégia de jogo, que acaba ficando previsível com o passar do tempo (mas quando se monta uma equipe a partir de seu sistema defensivo isso não acontece, embora atuar dessa maneira possa custar caro caso seja cometido qualquer tipo de erro).
Os gols esperados – ou xG em vários aplicativos – também têm se tornado muito importantes, medindo a possibilidade real de sair um gol (descontando os chutes que não levam perigo), e dando uma impressão mais precisa sobre os jogos. Essa é uma ferramenta que também tem sido muito utilizada por departamentos de scout.
Outra coisa que acaba passando despercebida é a alta média de idade dos times do campeonato – é de 28,51 anos, de acordo com dados do Football Observatory, o que deixa esse campeonato com a 6ª maior média de idade entre os 50 maiores campeonatos nacionais do mundo (um dado que beira o bizarro).
Isso acontece muito porque o Brasil ainda é um país exportador de atletas, que saem muito cedo do país – ao passo que se paga muito por jogadores mais rodados, o que inclusive é preferência de vários treinadores e clubes. Além disso, ainda há times que não apostam tanto na base ou simplesmente não têm tanto material em suas categorias juvenis para depositar sua confiança.
Por que é importante ter noção desses dados
A estatística é uma ferramenta importante para entender melhor o mundo atual, e o esporte é uma das áreas que melhor expõem esse cenário, mostrando que quem sabe utilizá-la tem uma vantagem sobre seus concorrentes.
No caso dos clubes, é importante cada vez mais ter um departamento profissional que atue junto com o scout (e de preferência com a comissão técnica) para entender o comportamento dos times e dos jogadores em particular, algo que muitas vezes pode inclusive ser deixado em segundo plano num país onde ainda existe certo preconceito com a inovação por conta de um passado que já não existe mais.
Mesmo nas apostas a estatística é de extrema importância, com dados sendo disponibilizados em cada vez mais lugares – não somente em sites de apostas, mas aplicativos especializados também trazem uma experiência diferente nessa área.
Até mesmo para os torcedores pode ser interessante acompanhar esses dados para entender melhor o que se passa num jogo, em um esporte que anda em constante evolução e que exige cada vez mais atenção.







