“Em uma semana com sete dias, pelo menos cinco dias nós temos arrombamentos”. A declaração é da presidente do Polo Moveleiro de BH, Eliana Reis, que revela um desabafo sobre a insegurança enfrentada por lojas na avenida Silviano Brandão. De acordo com a empresária, a região tem sofrido com arrombamentos e furtos, principalmente durante a noite e madrugada. Em nota, a Guarda Civil Municipal de Belo Horizonte (GCMBH) informou que “o patrulhamento na região será intensificado”.
Segundo a presidente, a avenida possui mais de 500 estabelecimentos, com cerca de 200 lojas dedicadas ao comércio de móveis. Conforme Eliana, os principais alvos dos criminosos não são os móveis pesados, mas sim itens de fácil transporte e alto valor. “Eles roubam ventilador, eles roubam computador… os móveis eles não conseguem carregar. É mais eletrônico”, explicou.
As perdas dos comerciantes vão além do furto de mercadorias. De acordo com Eliana, os crimes também prejudicam a infraestrutura das lojas. “Tem o prejuízo imenso das portas de aço, que eles arrombam e a gente tem que mandar arrumar”, acrescentou.
Ela também destacou que o emocional dos lojistas fica “abalado” diante de crimes reincidentes. Além disso, a presidente citou que casos recorrentes também levaram ao fechamento de empreendimentos na avenida Silviano Brandão. “Tem lojista lá que foram 16 vezes que aconteceu [furtos]… Teve muita gente que desistiu”, contou.
Dona de uma franquia de uma loja de colchões na avenida, Eliana Reis disse que o comércio dela também já sofreu com furtos pelo menos outras duas vezes, somando mais de 20 mil de prejuízo. Em uma das ocasiões, os criminosos furtaram cerca de R$ 11 mil em acessórios. Recentemente, “eles arrebentaram a vitrine e levaram a televisão”, tendo que gastar em torno de R$ 10 mil para recompor a loja.
Furtos em BH
Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) revelam a magnitude desse tipo de crime na capital. Segundo os registros, o número total de furtos a estabelecimentos de BH foi de 14.505 em 2024, com leve queda para 12.524 em 2025. Até maio de 2026, o levantamento já aponta 4.581 furtos consumados.
Para Eliana Reis, a instalação de ferros-velhos e centros de reciclagem na região, autorizada pelo poder público, é um fator determinante para a insegurança enfrentada pelos comerciantes da Silviano Brandão. “A partir do momento que a prefeitura libera alvará para dentro do perímetro urbano, dentro de um corredor comercial, colocar reciclados e ferros velhos, isso está trazendo uma violência para o entorno muito grande”, desabafou.
Além disso, a empresária também denunciou que a a via possui iluminação precária, sendo um facilitador para a ocorrência de crimes. “A iluminação da Silviano Brandão foi surrupiada […], tiraram toda a iluminação baixa. E onde está tudo escuro, meu filho, é violência mesmo”, relatou. “O básico pra segurança pública é a iluminação”, defendeu.
Em nota enviada ao BHAZ, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) disse que a BHIP, concessionária de iluminação pública de Belo Horizonte, vai vistoriar o local.
O que diz a PM
Em contrapartida, a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) informou, em nota, que realiza policiamento ostensivo regularmente na avenida Silviano Brandão e adjacências. A corporação destacou que utiliza viaturas e equipes em ações preventivas e repressivas, monitorando constantemente os indicadores criminais para direcionar o policiamento.
A PM reconheceu que a dinâmica desses crimes ocorre geralmente em períodos de menor circulação de pessoas, como noite e madrugada. No entanto, a corporação ressaltou que as “denúncias sobre receptação ou comercialização de materiais furtados são repassadas aos órgãos competentes para apuração e adoção das medidas cabíveis”, disse em nota.
Durante a conversa com o BHAZ, Eliana Reis reconheceu o esforço da corporação durante o dia, mas apontou limitações no período noturno. “O esforço deles é muito grande, mas o contingente deles na madrugada não dá conta”. De acordo com ela, atualmente, cerca de 300 lojistas se organizam em um grupo de segurança próprio para tentar mitigar as perdas.
O que diz a PBH
Em nota, a Guarda Civil Municipal de Belo Horizonte (GCMBH) informou que realiza “patrulhamento preventivo da cidade, visando garantir a proteção e segurança da população”, disse. Além disso, a GCMBH disse que a avenida Silviano Brandão “já recebe rondas frequentes, no entanto, o patrulhamento na região será intensificado”, completou.
Já a Secretaria Municipal de Política Urbana esclareceu que existem dois estabelecimentos de ferro-velho localizados na avenida Silviano Brandão com Alvará de Localização e Funcionamento regular. Segundo a pasta, fiscais inspecionam rotineiramente os locais e realizaram a última vistoria em 28 de maio.
“Não há legislação que proíba a instalação de ferros-velhos em perímetro urbano, desde que sejam observadas todas as normas e exigências legais aplicáveis à atividade”, explicou. “Estabelecimentos irregulares estão sujeitos à multa de R$ 1.161,70 por não manter livro de registros comprobatórios da origem do material, valor que dobra em caso de reincidência. Na terceira ocorrência, há cassação do alvará e interdição do local”, finalizou a nota.
Leia a nota da PM na íntegra
A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) informa que realiza policiamento ostensivo regularmente na Avenida Silviano Brandão e adjacências, com emprego de viaturas e equipes em ações preventivas e repressivas.
Em relação aos furtos a estabelecimentos comerciais, a corporação monitora constantemente os indicadores criminais da região e direciona o policiamento conforme a análise das ocorrências registradas. A dinâmica desses crimes varia, mas geralmente ocorre em períodos de menor circulação de pessoas, especialmente durante a noite e a madrugada.
A PMMG ressalta que denúncias sobre receptação ou comercialização de materiais furtados são repassadas aos órgãos competentes para apuração e adoção das medidas cabíveis.
A população pode colaborar com informações por meio do telefone 181 (Disque Denúncia), com garantia de anonimato.
Leia a nota da PBH na íntegra
A Guarda Civil Municipal de Belo Horizonte (GCMBH) exerce suas funções conforme a Lei Federal 13.022/2014, com foco no patrulhamento preventivo da cidade, visando garantir a proteção e segurança da população. As ações de patrulhamento preventivo, com rondas periódicas realizadas 24 horas por dia, são realizadas em toda a cidade.
A GCMBH informa que a Avenida Silviano Brandão já recebe rondas frequentes, no entanto, o patrulhamento na região será intensificado. Cabe ressaltar que o patrulhamento da GCMBH, soma-se às ações das demais forças de Segurança Pública. Denúncias podem ser feitas pelos seguintes canais: 153 (Guarda Civil Municipal), ou ainda 190 (Polícia Militar).
Com relação à iluminação pública, a equipe da BHIP irá vistoriar o local.
Sobre fiscalização de ferro-velho, a Secretaria Municipal de Política Urbana informa que existem dois estabelecimentos de ferro-velho localizados na Avenida Silviano Brandão com Alvará de Localização e Funcionamento regular. Esses locais são fiscalizados rotineiramente, sendo que a última vistoria ocorreu em 28 de maio. Não há legislação que proíba a instalação de ferros-velhos em perímetro urbano, desde que sejam observadas todas as normas e exigências legais aplicáveis à atividade.
A Secretaria ressalta que realizada de maneira permanente ações voltadas ao combate à comercialização de materiais metálicos de procedência irregular em ferros velhos.
Estabelecimentos irregulares estão sujeitos à multa de R$ 1.161,70 por não manter livro de registros comprobatórios da origem do material, valor que dobra em caso de reincidência. Na terceira ocorrência, há cassação do alvará e interdição do local.












