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Gatilho Festival une funk e ativismo LGBTQIAPN+ no Afro Galpão, em BH

08/10/2025 às 16h08 - Atualizado em 09/10/2025 às 12h42
Gatilho Festival BH
(Reprodução/Redes Sociais | @liriofotos)

A segunda edição do Gatilho Festival promete unir funk e ativismo, além de desconstruir estereótipos de gênero em BH no sábado (18). O evento, que amplifica o trabalho de artistas LGBTQIAPN+ independentes da música, será no Afro Galpão – Pequena África, região Noroeste da capital. A entrada é gratuita, mas é necessário retirar os ingressos antecipadamente.

A programação inclui apresentações de All Ice (SP), com seu mais novo álbum “para os loucos e para os românticos”; da dupla Pamka Pauli (SP), com beats potentes de funk, jersey club e outras vertentes da música eletrônica; Dornelles (RJ), um dos funkeiros de maior projeção nacional com funk queer; Mano Feu (MG) e Marieh, com o melhor do funk lésbico; Tetê (MG), travesti preta e periférica que transforma o palco em território de afirmação, desejo e resistência. Além disso, também se apresentam Tai (MG), NBaile (MG), coletivo de DJs trans e não bináries do funk e Pelas DJ (MG).

Idealizado por pessoas jovens e trans, o Gatilho Festival tem a proposta de marcar a paisagem cultural da capital mineira com a presença de artistas independentes da comunidade LGBTQIAPN+. De acordo com o produtor cultural e cantor transmasculino, Lui Rodrigues, “colocar o funk LGBTQIAPN+ no palco é desafiar algumas camadas a mais de silêncio e fortalecer a cultura como direito humano e de livre expressão. O objetivo é o fortalecimento de uma rede de artistas que têm sido historicamente marginalizados pelos grandes circuitos culturais e pelo mercado hegemônico”, afirma.

Conheça os/as artistas

O Artista All Ice pesquisa os ritmos afro percussivos, rap , reggae e culturas populares. Ele traz para a programação o álbum recém lançado “para os loucos e para os românticos” com “Lado A” narrando história e desilusões amorosas e o “Lado, a realidade das experiências de um corpo negro. O show terá a participação do seu DJ e Back vocal, Joseph Rodrigues. 

Tai Alves em show-performance inédito “Baile da Tai” cria uma atmosfera de baile, mas reivindicando espaços que sempre foram negados a corpos como o seu. Sua presença rompe o elitismo artístico ao legitimar a estética do funk como expressão legítima de arte, pensamento e vivência. Nascida e criada no Jardim São José, um bairro periférico de Belo Horizonte, carrega em sua arte as marcas da vivência, da ancestralidade e da potência das mulheres negras que a inspiram.

Pelas DJ é homem trans negro nascido e criado na periferia de BH, é um selecta que tem como base de suas pesquisas a musicalidade preta brasileira. Imerso desde a infância nos ritmos afro-brasileiros, ele busca novas inspirações na música negra, celebrando a diversidade da diáspora africana em suas performances. Seu trabalho é uma afirmação cultural e um legado de resistência, elevando vozes marginalizadas e celebrando a ancestralidade através da música.

PAMKA é uma dupla de rap e funk que vem marcando presença no cenário musical underground brasileiro desde 2018. Formada pelos MCs Flóki e Mlk de Mel, a dupla é responsável por sucessos como “Ventania”, “Banco do Gol”, “Volume 69”, “CLT”, “Mlk de Sorte”, além de co-assinar a faixa “Fazer Fumaça” em parceria com Evehive e Zaila. Com letras que celebram corpos trans, abordam autoestima, afeto e lançam críticas afiadas ao ‘cistema’, o espetáculo também conta com a participação de um ballet, trazendo ainda mais potência visual e corporal à apresentação.

Tete Novinha do Funk, a Preferida é uma travesti preta e periférica que transforma o palco em território de afirmação, desejo e resistência. Sua performance inédita mistura o batidão do funk com coreografias sensuais e presença cênica poderosa, trazendo à cena o corpo travesti como potência artística. Mais que música, é vivência e afronta em forma de baile.

Marieh é cantora, compositora e artista visual brasileira, conhecida por sua presença marcante na cena do funk independente e por sua forte ligação com a cultura LGBTQIAP+. 

MC Mano Feu é uma artista lésbica, negra e periférica que carrega no funk sapatão sua voz de resistência e celebração. Com letras diretas, batidas envolventes e presença de palco marcante, Mano Feu transforma sua arte em espaço de orgulho, liberdade e visibilidade para a comunidade LGBTQIA+. A apresentação de MC Mano Feu no festival traz a energia do funk sapatão, unindo potência musical e representatividade. O show é uma celebração da diversidade, fortalecendo o protagonismo lésbico e promovendo um encontro vibrante entre público, música e identidade, além de reafirmar o funk como território de expressão e resistência cultural.

Dornelles é cantor e performer carioca que vem se consolidando como uma das vozes mais marcantes do funk queer contemporâneo. Em 2023, ganhou destaque nacional com o single “Putífero”, em parceria com Kalef Castro e PZZS, que ultrapassou 1 milhão de streams no Spotify. Com visual marcante e letras afiadas, Dornelles propõe uma estética potente, capaz de provocar, inspirar e afirmar a diversidade da música brasileira.

NBaile é uma coletiva de DJs dedicada à celebração e exaltação da música periférica, trans, preta e LGBTQIA+ em Minas e no Brasil. Fazem parte da coletiva Djahi, Shigara e Gana que discotecam do baile funk ao pagodão, do afrobeats ao techno, exaltando a música eletrônica feita pela periferia.

Então, anota aí!

Afro Galpão – Pequena África

Anota aí!

Classificação etária: Livre
Entrada: Gratuita

Vinícius Sampaio

Jornalista pela Universidade Federal de Viçosa. Foi repórter da Fundação Rádio e Televisão Educativa e Cultural de Viçosa (Fratevi). Repórter no BHAZ desde novembro de 2024.
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