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Indiciado por matar gari em BH pediu que delegada ocultasse a arma do crime

03/09/2025 às 19h44
empresário delegada arma gari
(Reprodução)

O empresário Renê Júnior, indiciado pelo assassinato do gari Laudemir Fernandes, em BH, pediu que a delegada Ana Paula Balbino, da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), entregasse aos policiais uma arma diferente daquela utilizada no dia crime. O inquérito policial, o qual o BHAZ teve acesso, destaca que o homem trocou diversas mensagens e ligações com a esposa logo após o ocorrido.

Conforme o inquérito, após Renê Júnior receber a notícia de que seria conduzido à delegacia, ele mandou mensagens para Ana Paula com o “intuito de ludibriar as forças policiais e impedir a completa investigação dos fatos”.

Ele tentou instruir a esposa a não entregar à polícia a Pistola Glock, de calibre 380, utilizada no crime. Em contrapartida, ele pediu que Ana Paula entregasse apenas a “nove milímetros”. No entanto, a delegada não respondeu o marido. Os policiais apreenderam as duas armas na residência do casal.

O inquérito ainda destaca que Renê Júnior, provavelmente já ciente de sua prisão, mandou outras mensagens para a esposa dizendo que não teria feito nada, mas ficou sem resposta.

Fascínio por armas:

Nesta quarta-feira (3), BHAZ teve acesso a um vídeo encontrado no celular de Renê Júnior, indiciado por matar o gari Laudemir Fernandes, em BH, que mostra o homem portando e atirando para o alto com uma espingarda. Na última sexta-feira (29), a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) destacou que o ele possui fascínio por armas. Em outras imagens, o empresário aparece ostentando armas e o distintivo da esposa.

O crime

Conforme a ocorrência policial, o crime aconteceu na rua Modestina de Souza, no bairro Vista Alegre, região Oeste da capital, na manhã do dia 11 de agosto deste ano. Conforme testemunhas, um caminhão de lixo estava parado na rua, durante a coleta de resíduos, quando o gestor comercial Renê Junior exigiu para que fosse liberado espaço na via para passar com o veículo que dirigia, um BYD cinza.

Irritado, ele ameaçou a motorista do caminhão com uma arma. Os garis tentaram intervir e pediram que ele se acalmasse. Foi nesse momento que ele saiu do veículo e disparou contra os funcionários, acertando Laudemir, que não estava envolvido na confusão. “E aí ele entrou do carro e foi embora. Não prestou socorro, nem olhou para trás, ele seguiu o caminho dele”, relatou ao BHAZ a motorista do caminhão, Eledias Aparecida.

Renê Junior é marido da delegada Ana Paula Balbino, da Polícia Civil de Minas Gerais. A PCMG confirmou que a arma usada no homicídio está registra em nome da delegada Ana Paula Balbino, sendo de uso pessoal da policial. Renê alegou que pegou a pistola sem o consentimento da companheira e afirmou que ela não soube do crime. Mesmo assim, a servidora é alvo de uma investigação da Corregedoria-Geral da Polícia Civil.

Vinícius Sampaio

Jornalista pela Universidade Federal de Viçosa. Foi repórter da Fundação Rádio e Televisão Educativa e Cultural de Viçosa (Fratevi). Repórter no BHAZ desde novembro de 2024.
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