Nova república: Barbados rompe com Elizabeth II e Rihanna recebe título de heroína nacional

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Rihanna participou da cerimônia de rompimento de laços entre Barbados e a rainha Elizabeth II (Reprodução/@tracklist/Twitter)

A ilha de Barbados, no Caribe, cortou, nessa segunda-feira (29), seus laços com a Rainha Elizabeth II. Com isso, a monarca deixa de ser chefe de estado do país, e ele passa de colônia da Inglaterra a uma república. Na cerimônia de oficialização, a cantora Rihanna recebeu o título de heroína nacional. Além disso, a governadora do país, Sandra Mason, foi eleita como a primeira presidente da ilha, e passará a ocupar o cargo daqui para frente.

Na noite de ontem (29), o país celebrou o rompimento dos laços com a família real britânica em uma espetacular cerimônia. À meia-noite local, a multidão aplaudiu o nascimento da república, com uma saudação de 21 tiros e a reprodução do hino nacional de Barbados, segundo a NBC.

Rihanna é heroína nacional

Em meio a uma admirável exibição de fogos de artifício, dança e música, a primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley, declarou Rihanna como a heroína de Barbados. A cantora nasceu na ilha e viveu lá antes de ficar famosa mundialmente.

“Em nome de uma nação grata, mas um povo ainda mais orgulhoso, nós, portanto, apresentamos a designada para heroína nacional de Barbados, a embaixador Robyn Rihanna Fenty”, disse a primeira-ministra.

Ela ainda fez menção à música da cantora, “Diamonds”. “Que você continue a brilhar como um diamante e honrar sua nação por meio de seus trabalhos, de suas ações”. Assista ao momento:

Príncipe Charles discurssa

O príncipe Charles esteve presente na cerimônia, e fez um discurso dizendo que a criação da república “oferece um novo começo”. Segundo o monarca, sua mãe, a rainha Elizabeth II, enviou à ilha seus “votos mais calorosos”.

“Desde os dias mais sombrios de nosso passado e a terrível atrocidade da escravidão que mancha para sempre nossa história, o povo desta ilha abriu seu caminho com extraordinária firmeza”, disse Charles.

A ilha permanecerá na Commonwealth of Nations (Comunidade das Nações), que é uma organização do parlamento do Reino Unido que reúne várias ex-colônias britânicas que a rainha Elizabeth II defendeu ao longo de sua vida.

‘Monarquia britânica causou sérios danos’

Para Kristina Hinds, professora sênior de ciência política na Universidade das Índias Ocidentais, em Barbados, a presença do príncipe na cerimônia foi “um pouco estranha”. “É problemático para aqueles entre nós que acreditam que a monarquia britânica, por mais importante que tenha sido para Barbados historicamente de maneira positiva, também causou sérios danos ao país”.

No entanto, ela não deixou de ressaltar a importância da ilha ter se tornado uma república. “É um passo monumental. Acho que faz parte da evolução de nossa independência e certamente já deveria ter acontecido há muito tempo”, apontou Kristina.

Escravidão

No século 17, os britânicos reivindicaram Barbados, tornando o país uma colônia lucrativa com o trabalho de milhares de pessoas levadas da África como escravas. Com isso, a ilha se tornou um grande centro de produção de açúcar, e enriqueceu os proprietários britânicos de escravos.

Várias pessoas de Barbados receberam bem a decisão da ilha romper os laços com os governantes britânicos. “Para os barbadianos, isso não é algo pessoal contra a rainha, mas sim sobre nosso orgulho nacional e governança”, disse René Holder-McClean-Ramirez, advogado e consultor da comunidade LGBTQ.

Edição: Roberth Costa
Andreza Mirandaandreza.miranda@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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