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Betim lança cadastro para identificar e mapear benzedeiras e benzedores

25/08/2026 às 15h37
Iniciativa faz parte do processo de revalidação do ofício da benzeção como patrimônio cultural imaterial da cidade. (Foto: Prefeitura Municipal de Betim)

A Prefeitura de Betim criou um cadastro para identificar e mapear benzedeiras e benzedores que atuam no município. A iniciativa faz parte do processo de revalidação do ofício da benzeção como patrimônio cultural imaterial da cidade.

O cadastro é feito por meio de um formulário online e reúne informações que vão ajudar a Secretaria Municipal de Cultura a atualizar o diagnóstico sobre a tradição em Betim. Os dados também serão utilizados em ações de pesquisa, documentação e preservação do ofício.

A iniciativa integra o Plano de Revalidação do Ofício da Benzeção, que prevê pesquisas de campo, mapeamento da tradição, levantamento de documentos e registro dos saberes e práticas ligados à atividade.

O processo também inclui a elaboração de uma proposta de salvaguarda e de um dossiê de revalidação.

Segundo a Prefeitura, as informações serão analisadas tecnicamente e reunidas em um relatório que deve orientar futuras ações de proteção e valorização da tradição.

As ações de revalidação e salvaguarda devem continuar nos próximos meses, com participação das benzedeiras e dos benzedores e acompanhamento da Secretaria Municipal de Cultura.

Benzedeiras

Em algum momento da vida, você foi benzido? Pode ser que na infância sua avó, tios e até vizinhos recomendaram para que sua mãe te levasse em uma. Não é difícil ouvir contos e casos desse tipo em famílias mineiras. Mas e hoje? Como anda a tradição?

“Minha mãe me contou que, quando eu era bebê, chorava muito mais do que o normal e, sempre que possível, ela me levava a uma benzedeira para tentar me acalmar e aliviar meus desconfortos”, esse é o relato da benzedeira, terapeuta e escritora Juliana Gomes, de 37 anos, que hoje dá curso de benzimento justamente para que a tradição não desapareça e seja mantida com muito respeito até mesmo entre os jovens.

Ao BHAZ, a belo-horizontina disse que o benzimento chegou até ela antes mesmo de ter consciência —ainda bebê. Estudiosa de outras religiões, a escritora se especializou e durante a inauguração de um espaço terapêutico, Juliana conta ter recebido um chamado espiritual para que desse seguimento à essa tradição, além de ensinar.

“Existe sim uma tradição familiar que é linda, que deve ser valorizada, mas eu acredito que o benzimento é uma sabedoria da alma e não um dom exclusivo de uma linhagem. Ele pode ser aprendido. E eu ensino que quem tem amor no coração, fé e humildade e uma vontade genuína de ajudar o outro, pode benzer.” Foi daí que surgiu a ideia de lançar o livro e o curso “Resgatando o Benzimento”.

Laís Marques

Jornalista formada pela PUC Minas. Acumula passagens anteriores pela equipe de jornalismo da Rede 98 e assessorias de comunicação da PMMG e da UEMG

Laís Marques

Repórter

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