A mineração, uma das principais atividades econômicas de Minas Gerais, estará no centro de um debate entre candidatos às eleições de 2026. Promovido pela Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (Amig Brasil), o encontro “Mineração em Debate” será realizado no dia 19 de agosto, no Hotel Mercure, e terá transmissão pelos canais da entidade no YouTube.
A proposta é colocar frente a frente os candidatos para discutir os caminhos da mineração no Estado e os impactos da atividade sobre os municípios e a população. Em entrevista ao Portal BHAZ, o prefeito de Itabira e presidente da Amig Brasil, Marco Antonio Lage, afirmou que a entidade pretende cobrar compromissos dos futuros governantes e parlamentares com as cidades mineradoras.
Segundo Lage, a ideia é que com planejamento estratégico e justiça social, as mineradoras gastem muito menos dinheiro do que com reparações bilionárias. “Primeiro se explora e depois deixa o vazio, então é importante debatermos sobre a sustentabilidade da nossa população. Minas Gerais tem que estar preparada para discutir isso, porque é um estado que tem a mineração como a espinha dorsal de sua economia”, destaca ele.
Fiscalização e novas regras para o setor
Durante a entrevista, o prefeito defendeu uma modernização da legislação mineral brasileira e da estrutura de fiscalização. Para ele, a chegada de novas fronteiras, como a exploração de terras raras, torna ainda mais urgente a discussão sobre as regras do setor.
Marco criticou a estrutura atual da Agência Nacional de Mineração (ANM) e defendeu o aumento do número de fiscais. Segundo ele, o órgão chegou a ter apenas quatro fiscais para acompanhar cerca de 40 mil processos de lavras no país.
Ele também defendeu que os municípios tenham maior participação nos processos relacionados à atividade mineradora, inclusive na fiscalização, anuência e licenciamento ambiental. “Os municípios recebem todos os impactos e praticamente não têm poder nem na anuência ambiental, nem na fiscalização”, disse.
O futuro das cidades mineradoras
Outro ponto destacado por Marco é a necessidade de preparar os municípios para o momento em que as reservas minerais se esgotarem. Ele usou Itabira como exemplo: segundo o prefeito, 82% da economia da cidade depende de um único setor e de uma única empresa, a Vale.
Para ele, o planejamento precisa começar enquanto as cidades ainda vivem o período de maior arrecadação e atividade econômica provocadas pela mineração. “É muito melhor ter planejamento estratégico. […] É importante que se faça um programa, um planejamento de curto, médio e longo prazo para que a mineração possa conviver no momento do boom econômico”.
A preocupação, segundo o prefeito, é evitar que municípios que hoje concentram riquezas minerais terminem com passivos ambientais e poucas perspectivas econômicas depois do encerramento da atividade. “E o que fica para aquela comunidade é passivo ambiental e falta de perspectivas para a sua juventude e para as próximas gerações”, declara.
O encontro promovido pela Amig Brasil, conforme explica Marco, pretende justamente ampliar essa discussão e colocar a mineração entre os temas prioritários da agenda política de Minas Gerais.










