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‘Mineração deixa um vazio’: presidente da Amig Brasil propõe debate entre candidatos sobre futuro da mineração em Minas Gerais

11/08/2026 às 16h50

A mineração, uma das principais atividades econômicas de Minas Gerais, estará no centro de um debate entre candidatos às eleições de 2026. Promovido pela Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (Amig Brasil), o encontro “Mineração em Debate” será realizado no dia 19 de agosto, no Hotel Mercure, e terá transmissão pelos canais da entidade no YouTube.

A proposta é colocar frente a frente os candidatos para discutir os caminhos da mineração no Estado e os impactos da atividade sobre os municípios e a população. Em entrevista ao Portal BHAZ, o prefeito de Itabira e presidente da Amig Brasil, Marco Antonio Lage, afirmou que a entidade pretende cobrar compromissos dos futuros governantes e parlamentares com as cidades mineradoras.

Segundo Lage, a ideia é que com planejamento estratégico e justiça social, as mineradoras gastem muito menos dinheiro do que com reparações bilionárias. “Primeiro se explora e depois deixa o vazio, então é importante debatermos sobre a sustentabilidade da nossa população. Minas Gerais tem que estar preparada para discutir isso, porque é um estado que tem a mineração como a espinha dorsal de sua economia”, destaca ele.

Fiscalização e novas regras para o setor

Durante a entrevista, o prefeito defendeu uma modernização da legislação mineral brasileira e da estrutura de fiscalização. Para ele, a chegada de novas fronteiras, como a exploração de terras raras, torna ainda mais urgente a discussão sobre as regras do setor.

Marco criticou a estrutura atual da Agência Nacional de Mineração (ANM) e defendeu o aumento do número de fiscais. Segundo ele, o órgão chegou a ter apenas quatro fiscais para acompanhar cerca de 40 mil processos de lavras no país.

Ele também defendeu que os municípios tenham maior participação nos processos relacionados à atividade mineradora, inclusive na fiscalização, anuência e licenciamento ambiental. “Os municípios recebem todos os impactos e praticamente não têm poder nem na anuência ambiental, nem na fiscalização”, disse.

O futuro das cidades mineradoras

Outro ponto destacado por Marco é a necessidade de preparar os municípios para o momento em que as reservas minerais se esgotarem. Ele usou Itabira como exemplo: segundo o prefeito, 82% da economia da cidade depende de um único setor e de uma única empresa, a Vale.

Para ele, o planejamento precisa começar enquanto as cidades ainda vivem o período de maior arrecadação e atividade econômica provocadas pela mineração. “É muito melhor ter planejamento estratégico. […] É importante que se faça um programa, um planejamento de curto, médio e longo prazo para que a mineração possa conviver no momento do boom econômico”.

A preocupação, segundo o prefeito, é evitar que municípios que hoje concentram riquezas minerais terminem com passivos ambientais e poucas perspectivas econômicas depois do encerramento da atividade. “E o que fica para aquela comunidade é passivo ambiental e falta de perspectivas para a sua juventude e para as próximas gerações”, declara.

O encontro promovido pela Amig Brasil, conforme explica Marco, pretende justamente ampliar essa discussão e colocar a mineração entre os temas prioritários da agenda política de Minas Gerais.

Amanda Serrano

Com experiência nas principais redações de Minas, como Jornal Estado de Minas e TV Band Minas, além de atuação como assessora política, Amanda Serrano é, atualmente, repórter do Portal BHAZ. Em 2024, fez parte da equipe vencedora do Prêmio CDL/BH de Jornalismo.
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