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Eleições em Minas: saiba quem são os nomes já cotados para disputar governo e Senado

06/04/2026 às 18h47 - Atualizado em 06/04/2026 às 20h47
Fotos: Agência Senado e Divulgação dos próprios pré-candidatos

No estado conhecido por ser o espelho das eleições nacionais, com resultados que, nos últimos pleitos, foram próximos do que se desenhou no Brasil, uma dança das cadeiras movimenta o jogo político nesta pré-campanha em Minas Gerais. Enquanto algumas peças mudam de legendas, outras entram na disputa, ou, ensaiam entrar. No cenário atual, no entanto, há mais perguntas do que respostas, diante das indefinições de grandes nomes na corrida pelo governo de Minas e outros cargos no Congresso Nacional.

Rodrigo Pacheco é o nome favorito de Lula para a disputa ao Palácio Tiradentes, mas ainda não há uma resposta definitiva do senador sobre ser ou não candidato, embora a filiação ao PSB, do atual vice-governador Geraldo Alckimin, ocorrida na noite desta quarta-feira (01), tenha dado contornos de que a missão já foi aceita. Mas, como política é nuvem, só o tempo dirá.

Caso aceite, a missão de Pacheco seria mais do que um candidato competitivo ao governo de Minas Gerais. Ele teria a missão de servir de palco para Lula. Uma nova pesquisa da AtlasIntel, divulgada na última quarta-feira (1), mostra que ele é o único com chances reais de ir para o segundo turno, numa disputa com o senador Cleitinho (Republicanos). No primeiro turno, num cenário em que ele já contaria com apoio de Lula, há um empate técnico entre os dois. Pacheco ficaria com 37,9% das intenções de voto e Cleitinho 34,2%. Já no segundo turno, também haveria uma disputa acirrada, com Cleitinho recebendo 47% das intenções de voto e Pacheco, 42%.

Favorito nas pesquisas, o senador Cleitinho (Republicanos) tem um ativo nada desprezível: 4,2 milhões de votos das eleições de 2022, quando venceu para o Senado Federal. Resta saber se esses votos, de quatro anos atrás, vão se converter em apoio eleitoral em 2026. Fenômeno nas redes sociais, com uma comunicação popular, o senador está mais inclinado à direita, embora defenda pautas que também são de interesse da esquerda, como o fim da escala 6×1. Diferente de Pacheco, Cleitinho já confirmou a pré-candidatura ao governo de Minas, mas ainda não é possível cravar se, de fato, ele vai mesmo entrar no jogo.

Candidato mais do que declarado, Mateus Simões (PSD), atual governador de Minas Gerais, há alguns meses se cacifa em busca de apoios e alianças. Ele ainda aguarda a definição do PL e do Republicanos, de Cleitinho, sobre a realidade de uma candidatura que dificultaria sua vida.

Em um cenário em que os senadores Carlos Viana, Rodrigo Pacheco, Kalil e Cleitinho são colocados como opções – embora Viana deva tentar se reeleger ao Senado – as pesquisas mostram que Mateus Simões ainda não teria fôlego sequer para chegar a um segundo turno. A mais recente, do Instituto AtlasIntel, mostra que Simões segue estacionado em quinto lugar, com apenas 6,2% das intenções de voto, atrás de todos esses adversários.

Na tentativa de ganhar mais projeção no interior do estado, Simões, que acaba de assumir o governo, com a saída de Zema para tentar a presidência da República, estipulou a meta de visitar várias cidades que receberão, cada uma delas, o título de capital de Minas por três dias pelas próximas semanas. Uma estratégia para torná-lo mais conhecido. O apoio do ex-governador é visto como fundamental para mudar este cenário, mas resta saber se terá tempo para se dedicar a Simões, tendo pela frente uma campanha ao Palácio do Planalto.

E enquanto o desafio de Mateus é angariar votos, o de Alexandre Kalil (PDT) é ter, de fato, permissão para concorrer ao cargo de governador. Mesmo condenado, em primeira instância, por perda dos direitos políticos por cinco anos, em um processo por improbidade administrativa, Kalil acredita que irá reverter a condenação e será candidato. O processo é uma herança da época em que ele foi prefeito de Belo Horizonte. Para o Ministério Público, Kalil foi omisso e promoveu um “segregação socioespacial” para uma elite, ao permitir que a Associação Comunitária do Bairro Mangabeiras se apropriasse de espaços públicos.

Apesar de perder no primeiro turno nas eleições de 2022, Kalil ficou em segundo lugar, com mais de 3,8 milhões de votos. Esse número é, sem dúvidas, o que sustenta o desejo de se manter firme em uma nova campanha que, até o momento, parece surgir sem grandes apoios. Diferente do que aconteceu nas últimas eleições, quando teve o apoio de Lula, agora, Kalil não receberia apoio da esquerda. Em um vídeo, publicado em meados de março, o pré-candidato disse que “querem levar a eleição no WO. Eles tão querendo que não tenha um candidato. Eu sou candidato! Quando vocês forem lá votar, o meu nome vai tá lá”.

Ainda no páreo pelo Governo de Minas, Gabriel Azevedo é o pré-candidato do MDB. Ex-vereador de Belo Horizonte, ele passou longe do segundo turno, nas eleições municipais, mas pode se tornar uma figura importante no desenrolar dos próximos meses e, assim como Simões, viaja o interior do estado em busca de ser mais conhecido.

Mais recententemente, o nome de Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG) surgiu como uma alternativa na direita. No último dia 31 de março, ele se filiou ao Partido Liberal (PL) e pode ser um candidato que, embora careça de musculutura política-partidária, pode crescer diante do apoio do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência, ou ainda, se vier a compor aliança com o Republicanos, de Cleitinho. Apesar da pretensão, Roscoe disse, em entrevista, que se não houver alinhamento com algum dos candidatos com quem pode formar uma chapa, não será vice de ninguém. Ele também descartou concorrer a uma vaga no Legislativo.

Senado

A ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, chegou a ser cogitada como a candidata do PT para o governo de Minas, mas já se lançou como pré-candidata ao Senado Federal. A candidatura dela é avaliada como uma estratégia multifocal. Por um lado, ganha reconhecimento – e precisar testar o apoio – de um público que vai muito além da Região Metropolitana de Belo Horizonte; por outro, se torna uma importante figura de campanha, sendo cabo de Rodrigo Pacheco, caso seja ele o candidato ao governo na chapa. Na pesquisa AtlasIntel, divulgada na quarta-feira (1), Marília aparece como a mais cotada a uma das duas vagas, com 20% das intenções de voto, o que a deixa mais confortável.

Enquanto Marília se projeta com apoio de Lula, Carlos Viana deve tentar a reeleição com as bençãos de Gilberto Kassab, presidente do PSD, e Simões, atual governador e candidato à reeleição. O senador deixou o Podemos na última quarta (01) e se filiou novamente ao PSD. Presidente da “CPMI do INSS”, que rendeu boa exposição ao senador, ele é o segundo mais citado por eleitores na pesquisa do Instituto AtlasIntel, com 18,1% das intenções, ficando atrás apenas de Marília Campos.


Também possível candidato da direita, Domingos Sávio aparece em terceiro nas intenções de voto, sendo citado por quase 16% das pessoas. O deputado federal e presidente do PL em Minas é ligado ao bolsonarismo e pode sair candidato numa chapa que pode ter ainda Roscoe concorrendo pela outra vaga ou até mesmo à vaga de candidato a governador ou vice.

Quem também está mirando o Senado é Marcelo Aro (PP). Visto como um nome da direita e centro-direita, ele tinha acordo firmado para ser um dos nomes de Simões, mas, na última semana, diante da filiação de Viana ao PSD, mudanças podem ocorrer sobre o destino que a candidatura vai tomar. Em um vídeo de despedida da Secretaria de Estado de Governo, da qual foi exonerado no último dia 2 de abril, Aro deixou uma dúvida no ar ao dizer que não está desanimado e que “ainda tem muito a ser feito por Minas e pelo Brasil”. Mas, em entrevista ao jornal O Tempo, chegou a mostrar descontentamento com a escolha do antigo aliado.

Na última semana, um novo nome surgiu no horizonte: o do ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, Jarbas Soares. Ele anunciou que deixa o Ministério Público para se candidatar a algum cargo político pelo PSB, de Rodrigo Pacheco. Dentre as opções, ainda que remotas, está a de concorrer ao Senado.

Fábio Galdino

Fábio Galdino é jornalista, apresentador de TV e, agora, repórter do Portal BHAZ. Natural de Santa Luzia, na Grande BH, é formado pela Universidade Federal de Ouro Preto e, nos últimos anos, dedicou à cobertura jornalística em diferentes emissoras de televisão, com passagens por afiliadas à Rede Globo, SBT e Band. Em 10 anos, participei de grandes coberturas, como eleições municipais e estaduais, a tragédia do rompimento de uma barragem, em Mariana, e a pandemia de Covid-19.

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