Com a influência do El Niño e o aumento dos eventos climáticos extremos, o Sistema Faemg Senar desenvolveu uma série de ações em propriedades rurais de Minas Gerais para reduzir os impactos de secas prolongadas, ondas de calor e chuvas irregulares no estado. Os resultados das iniciativas — realizadas ao longo de 2025 — foram apresentados nesta quarta-feira (15), durante o lançamento do 1º Relatório de Sustentabilidade da instituição, na sede da instituição, em Belo Horizonte.
Entre as iniciativas destacadas estão ações de assistência técnica, capacitação de produtores e recuperação ambiental de propriedades rurais. Para a elaboração e sistematização do relatório, o Sistema Faemg Senar contratou a consultoria especializada Moore.
O documento, em parceria com o Instituto Antônio Ernesto de Salvo (INAES), também reúne práticas recomendadas aos produtores rurais para ampliar a sustentabilidade no campo, com foco na conservação de florestas, na proteção dos recursos hídricos, na recuperação de solos e na adoção de sistemas produtivos mais sustentáveis.
Entre as iniciativas destacadas estão capacitações para instalação de sistemas fotovoltaicos, cursos de agricultura orgânica, manejo integrado de pragas e doenças e técnicas de irrigação sustentável.
Recuperação de biomas e aumento de renda
Segundo o levantamento, 144.077 produtores rurais participaram dos cursos de Formação Profissional Rural (FRP) promovidos pelo Sistema Faemg Senar. Além disso, foram recuperados 583 hectares de áreas de reserva legal e 555 hectares de pastagens.
O relatório informa ainda que 22.058 propriedades receberam atendimento por meio da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG). Na pecuária de leite, os produtores assistidos registraram renda média 21% superior aos não assistidos; na cafeicultura, a diferença foi de 26%.
De acordo com o presidente do Sistema Faemg Senar, Antônio de Salvo, a iniciativa busca fortalecer a adaptação às mudanças climáticas e elevar a produtividade agropecuária sem a necessidade de ampliar as áreas de cultivo. “Esse primeiro relatório é para mostrar que o setor, além de ser uma alavanca de progresso e de riqueza em Minas Gerais, trabalha com ESG (Environmental, Social and Governance) de forma correta nos três pilares fundamentais: ambiental, social e econômico”, afirmou.
A gerente de Sustentabilidade do Sistema Faemg Senar, Mariana Ramos, afirmou que o relatório representa um marco de transparência da instituição e demonstra o compromisso da entidade com a adoção de práticas sustentáveis. Segundo ela, o Sistema acompanha as discussões internacionais sobre o tema e participa de fóruns da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e das Conferências das Partes sobre o Clima (COP) para incorporar boas práticas à realidade do campo em Minas Gerais.
“O tempo todo a gente está antenado naquilo que está acontecendo no mundo para trazer o melhor para Minas Gerais e para os produtores e produtoras rurais de Minas”, disse em entrevista ao BHAZ.
O desafio do El Niño
Mariana também ressaltou que, embora o relatório consolide as ações desenvolvidas em 2025, o planejamento da instituição vem sendo construído há anos para responder aos desafios impostos pelas mudanças climáticas. Segundo ela, a crise hídrica de 2015 impulsionou a criação do programa Nosso Ambiente, voltado à conservação da água e do solo.
“Com a crise hídrica de 2015, houve uma tomada de decisão para priorizar a conservação da água e do solo. A partir daí, criamos o programa Nosso Ambiente, que já capacitou mais de 51 mil pessoas. Notamos que o produtor é, essencialmente, um produtor de água, e queremos incentivar essa mudança de percepção da sociedade”, afirmou.
Alinhado ao Projeto Sustentabilizar, iniciativa que direciona as ações do Sistema Faemg Senar aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, o relatório reúne estratégias para ampliar a resiliência da atividade rural diante das mudanças climáticas e dos efeitos associados ao fenômeno El Niño. Para Mariana, a principal delas é a capacitação técnica dos produtores.

“Quando a gente fala de mudanças climáticas e de eventos extremos, sejam eles de seca ou de excesso de chuva, a palavra de ordem é adaptação. A propriedade rural é uma empresa a céu aberto, sujeita a todas as intempéries. O que apresentamos neste relatório é um pacote tecnológico traduzido em produtos advindos da pesquisa”, explicou.
Café está entre as culturas mais vulneráveis.
Entre as culturas mais vulneráveis está o café, que depende de temperaturas equilibradas e, em grande parte de Minas Gerais, do regime de chuvas. Segundo a gerente, a irrigação e o armazenamento de água nas propriedades são fundamentais para reduzir os impactos do déficit hídrico e garantir a produtividade.
Ela também defendeu a diversificação da produção como forma de tornar as propriedades mais resilientes. A combinação de culturas de ciclos diferentes e de atividades como a produção de leite e derivados, aliada à irrigação, à cobertura do solo, à rotação de culturas e à prevenção de incêndios por meio de aceiros, ajuda a minimizar os efeitos das ondas de calor e dos períodos de estiagem.
“A importância da resiliência produtiva também passa pela diversificação. A gente estimula que os produtores adotem tecnologias como a irrigação, além de práticas vegetativas, como a cobertura do solo e a rotação de culturas. Também é preciso trabalhar com prevenção, com aceiros, porque é um período que assusta os produtores, mas o sistema está aqui para ajudá-los a enfrentar esse cenário”, concluiu.










