Após cobranças de deputados estaduais, o Governo de Minas apresentou, nessa quinta-feira (16), um inventário com a localização dos bens que compunham o acervo do Palácio das Mangabeiras até 2019. A audiência pública da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) foi convocada porque parlamentares apontaram o desaparecimento de móveis e obras de arte durante uma visita ao local.
Segundo o relatório apresentado pela presidente da Codemge, Luísa Barreto, o acervo reúne mais de 3,9 mil itens, entre móveis, obras de arte, livros, pratarias e utensílios, atualmente distribuídos entre diferentes órgãos estaduais.
De acordo com a listagem, 187 peças permanecem sob guarda da Codemge; 90 obras de arte estão em espaços como o Palácio da Liberdade e a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo; cerca de 1.200 livros foram destinados à Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa e aproximadamente 2.400 itens de prataria e utensílios estão no Palácio Tiradentes. A presidente da companhia afirmou que o inventário está completo e que algumas obras passam por restauração na Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop).
A apresentação, no entanto, não encerrou a polêmica. O deputado Leleco Pimentel (PT), que solicitou a audiência, questionou a ausência de algumas obras no levantamento, entre elas um quadro do artista Carlos Bracher, e informou que o material será encaminhado ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) para investigação. Parlamentares da oposição também criticaram o modelo de gestão do Palácio, atualmente administrado por uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), e o uso do espaço para eventos privados, como casamentos e festas, alegando possíveis impactos ao patrimônio histórico.
Já representantes da base do governo defenderam a atual gestão do Palácio das Mangabeiras, argumentando que a abertura do espaço para visitação ampliou o acesso da população e permitiu investimentos em conservação. Segundo a Codemge, mais de 55 mil pessoas visitaram o local em 2025, recorde de público.
Além da representação ao TCE, deputados da oposição também protocolaram uma notícia-crime na Polícia Federal e aprovaram a realização de uma nova audiência pública para discutir a preservação do patrimônio cultural do Palácio.








