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Médica que sequestrou recém-nascido em Minas tinha berço com bebê reborn em casa

05/11/2025 às 15h24 - Atualizado em 05/11/2025 às 16h49
Médica que sequestrou recém-nascido em Minas tem berço com bebê reborn em casa
Mulher foi presa nesta quarta-feira (5), suspeita de envolvimento em assassinato de farmacêutica em 2020. (PCMG/Reprodução)

A médica Cláudia Soares, que sequestrou um bebê em um hospital de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, e foi presa por suspeita de envolvimento no assassinato de uma farmacêutica para assumir a maternidade da filha dela, mantinha em casa um quarto decorado, com berço e uma boneca reborn dentro. A informação foi divulgada pela Polícia Civil (PCMG), nesta quarta-feira (5), durante coletiva.

Segundo o delegado Eduardo Leal, responsável pelo caso, a mulher tinha obsessão por ser mãe de menina. “Ela, inclusive, tentou adoções com documentos fraudados, comprar uma criança na Bahia e chegou ao ponto de sequestrar uma recém-nascida aqui em Uberlândia”, disse.

A médica e dois homens foram presos nesta quarta-feira (5), em Itumbiara, no sul de Goiás, suspeitos de envolvimento na morte de uma farmacêutica. O crime ocorreu em Uberlândia, em 2020, e a mulher teria mantido um relacionamento com o ex-companheiro da vítima.

A operação contou com o apoio da Polícia Civil de Goiás (PCGO). As prisões temporárias e os mandados de busca e apreensão foram deferidos pela Justiça de Uberlândia e cumpridos na cidade de Itumbiara (GO).

Motivação do crime

No dia do homicídio, a farmacêutica foi surpreendida por um homem armado enquanto chegava ao trabalho, em uma farmácia de Uberlândia. Ele entregou uma carta a ela e, em seguida, efetuou disparos. A vítima morreu no local.

Ainda conforme as investigações, a médica se casou com o ex-marido da vítima, mas a relação terminou após dois meses, quando ele percebeu sinais de instabilidade emocional e a intenção da médica de assumir a maternidade da filha menor que o casal anterior tinha em comum.

PCMG ainda afirmou que a vítima impediu o convívio da filha com o pai quando ele estivesse acompanhado da médica, já que a considerava perigosa. A suspeita, então, teria planejado o homicídio da farmacêutica motivada pelo desejo de reatar o relacionamento e assumir a maternidade da criança.

Durante a investigação, foi identificado que o crime foi cometido com o uso de uma motocicleta com placa adulterada. O veículo pertencia aos vizinhos da mulher, pai e filho, que também foram presos na operação.

Relembre o sequestro

Em julho de 2024, Cláudia sequestrou uma recém-nascida, poucas horas do nascimento dela, no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia.

Aproveitando-se de sua posição como funcionária concursada do hospital, a médica neurologista, vestida com jaleco de pediatra, entrou no quarto onde os pais estavam com o bebê e alegou que levaria a criança para ser alimentada com leite materno fornecido pelo hospital.

Após retirar a recém-nascida dos pais, a médica fugiu do local. Assim que os pais notaram o desaparecimento da filha, acionaram o sistema de segurança do hospital. No entanto, a médica já havia deixado o local.

Com o início das investigações, as polícias civis de Minas Gerais e Goiás realizaram uma troca intensa de informações. Os policiais conseguiram localizar e resgatar a recém-nascida no Jardim Morumbi, em Itumbiara. A médica foi presa em flagrante no local.

Segundo a PCGO, o que causou espanto foi o fato de os policiais encontrarem um grande enxoval no carro da médica, com diversas peças novas para bebê do sexo feminino, sugerindo a premeditação do sequestro.

Em sua defesa, a profissional alegou à época que os itens eram presentes para sua empregada doméstica, que estava grávida. Contudo, verificou-se que a empregada esperava um menino, desmentindo a versão apresentada pela médica.

O advogado da médica na época da prisão, Vladimir Rezende, afirmou que ela tem transtorno bipolar e, no momento dos fatos, estava em crise psicótica, não tendo “capacidade de discernir” as ações.

Conforme a PCMG, o processo de sequestro está no Fórum, e o juiz havia concedido que a mulher ficasse em casa, com tornozeleira eletrônica.

Ana Magalhães

Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foi estagiária do Jornal Estado de Minas e do programa Agenda da Rede Minas de Televisão. Repórter do BHAZ desde agosto de 2024.
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