A Justiça de Minas Gerais tornou ré a médica neurologista Cláudia Soares Alves, de 42 anos, acusada de ser a mandante do assassinato da farmacêutica Renata Bocatto Derani, em 2020. A decisão, que é da 5ª Vara Criminal da Comarca de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, foi proferida na última sexta-feira (29). A mulher, que ficou conhecida por sequestrar um bebê recém-nascido do Hospital das Clínicas de Uberlândia, responderá por homicídio qualificado.
Cláudia está presa desde 5 de novembro do ano passado, em Itumbiara, no sul de Goiás. Renata foi morta a tiros na porta do local onde trabalhava, uma farmácia em Uberlândia, após receber uma encomenda falsa. A médica é acusada de homicídio qualificado por motivo torpe.
Além de Cláudia, Paulo Roberto Gomes da Silva, apontado como executor do crime, se tornou réu pelo assassinato da farmacêutica. Ele foi ainda denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por adulteração de veículo. Paulo Roberto foi preso no mesmo dia que a médica, e ambas as prisões foram convertidas de temporárias para preventivas.
Na decisão dessa última quinta-feira (29), o juiz Dimas Borges de Paula manteve as prisões dos acusados, “como garantia da ordem pública, por conveniência da instrução criminal e para assegurar a aplicação da lei penal”.
O BHAZ tenta contato com as defesas dos réus.
Relembre o caso
Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), a médica teria mantido um relacionamento com o ex-companheiro da vítima. No dia do homicídio, a farmacêutica foi surpreendida por um homem armado enquanto chegava ao trabalho, em uma farmácia de Uberlândia. Ele entregou uma carta a ela e, em seguida, efetuou disparos. A vítima morreu no local.
Ainda conforme as investigações, a médica se casou com o ex-marido da vítima, mas a relação terminou após dois meses, quando ele percebeu sinais de instabilidade emocional e a intenção da médica de assumir a maternidade da filha menor que o casal anterior tinha em comum.
A PCMG ainda afirmou que a vítima impediu o convívio da filha com o pai quando ele estivesse acompanhado da médica, já que a considerava perigosa. A suspeita, então, teria planejado o homicídio da farmacêutica motivada pelo desejo de reatar o relacionamento e assumir a maternidade da criança.
Durante a investigação, foi identificado que o crime foi cometido com o uso de uma motocicleta com placa adulterada. O veículo pertencia aos vizinhos da mulher, pai e filho, que também foram presos na operação.
Nos interrogatórios, tanto a médica quanto um dos vizinhos confirmaram estar em Uberlândia no momento do crime e apresentaram um álibi posteriormente comprovado como falso.
A operação contou com o apoio da Polícia Civil de Goiás (PCGO). As prisões temporárias e os mandados de busca e apreensão foram deferidos pela Justiça de Uberlândia e cumpridos na cidade de Itumbiara (GO).
Sequestro de Bebê
Em julho de 2024, Cláudia sequestrou uma recém-nascida, poucas horas do nascimento dela, no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia.
Aproveitando-se de sua posição como funcionária concursada do hospital, a médica neurologista, vestida com jaleco de pediatra, entrou no quarto onde os pais estavam com o bebê e alegou que levaria a criança para ser alimentada com leite materno fornecido pelo hospital.
Após retirar a recém-nascida dos pais por volta das 23h30, a médica fugiu do local. Assim que os pais notaram o desaparecimento da filha, acionaram o sistema de segurança do hospital. No entanto, a médica já havia deixado o local.
Com o início das investigações, as polícias civis de Minas Gerais e Goiás realizaram uma troca intensa de informações. Os policiais conseguiram localizar e resgatar a recém-nascida no Jardim Morumbi, em Itumbiara. A médica foi presa em flagrante no local.
Segundo a PCGO, o que causou espanto foi o fato de os policiais encontrarem um grande enxoval no carro da médica, com diversas peças novas para bebê do sexo feminino, sugerindo a premeditação do sequestro.
Em sua defesa, a profissional alegou à época que os itens eram presentes para sua empregada doméstica, que estava grávida. Contudo, verificou-se que a empregada esperava um menino, desmentindo a versão apresentada pela médica.
O advogado da médica na época da prisão, Vladimir Rezende, afirmou que ela tem transtorno bipolar e, no momento dos fatos, estava em crise psicótica, não tendo “capacidade de discernir” as ações.
Conforme a PCMG, o processo de sequestro está no Fórum, e o juiz havia concedido que a mulher ficasse em casa, com tornozeleira eletrônica.










