Doze PMs são denunciados por assassinato de integrante do MTST em Uberlândia

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Membro do MTST foi assassinado com tiro na cabeça (Reprodução/@mtstmg/Instagram)

Doze policiais militares foram denunciados pelo MPMG (Ministério Público de Minas Gerais) por envolvimento na morte de Daniquel Oliveira dos Santos, de 40 anos, integrante do MTST (Movimento dos Trabalhadores sem Teto). O crime foi cometido em março do ano passado na cidade de Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Procurada, a Polícia Militar afirmou que ainda não foi notificada da decisão (leia abaixo).

Daniquel era coordenador da ocupação Fidel Castro, que fica no bairro Jardim Ipanema, e foi assassinado a tiros por quatro policiais militares. Segundo o Ministério Público, os acusados ainda tentaram matar outros dois integrantes do movimento, mas nenhum dos disparos atingiu os alvos. Após o crime, os policiais fugiram e se esconderam em uma vegetação próxima ao assentamento.

Os quatro policiais foram denunciados por homicídio qualificado, com recurso que dificultou a defesa da vítima, além de tentativa de homicídio, duas vezes.

Mais oito PMs envolvidos

Os outros oito agentes foram denunciados por forjar provas no curso da investigação com intuito de impedir que os quatro policiais que participaram do crime fossem responsabilizados.

De acordo com o as investigações do Ministério Público, eles destruíram o celular de Daniquel, desapareceram com um aparelho multímetro e plantaram um revólver ao lado do corpo da vítima, além de terem modificado os horários dos fatos no registro da ocorrência e abandonado o local antes de a equipe de perícia chegar. “Tudo com o propósito de prejudicar a apuração integral dos crimes”, diz o MP.

Os procuradores entraram com representação na Justiça para que sejam aplicadas “medidas cautelares” aos quatro acusados, pedindo afastamento de qualquer trabalho ostensivo e nas ruas de qualquer cidade de Minas Gerais; como também a proibição de se ausentarem de Uberlândia por mais de oito dias, sem autorização judicial; e a proibição de contato com vítimas, familiares e testemunhas do processo.

Integrantes do movimento acusam ‘covardia’

Após a morte de Daniquel, os integrantes do movimento acusaram a polícia de executar “covardemente com um tiro na nuca o companheiro”. O grupo reforçou a conclusão do Ministério Público logo no dia do assassinato e afirmou que a vítima não estava armada.

“Estão querendo criminalizar nosso movimento apontando que havia arma com Daniquel. O que é uma mentira. Até quando a polícia continuará nos perseguindo, perseguindo nossos militantes, até quando tamanha covardia com nossa luta? Daniquel era coordenador da ocupação Fidel Castro, organizada pelo MTST em Uberlândia há 3 anos. Responsável pela infraestrutura da ocupação, Daniquel foi alvejado depois de subir em um poste de uma das casas”, disse o MTST à época.

Os moradores chegaram a protestar contra o assassinato e bloquearam uma das rodovias da cidade exigindo justiça pelo coordenador. “É inadmissível que um trabalhador que luta pelo direito básico à moradia seja assassinado de maneira tão cruel e fria por um agente de segurança pública. Não é com tiro que irão interromper a luta do povo brasileiro. Daniquel era e será exemplo para os lutadores sem-teto por sua dedicação à luta e a coletividade. Milhares de lutadores como ele seguirão em frente, para que essa injustiça jamais seja esquecida. Daniquel, presente!”, disse o MTST.

O que diz a PM?

Procurada pelo BHAZ, a Polícia Militar de Minas Gerais informou, em nota, “que ainda não foi notificada oficialmente sobre o fato, motivo pelo qual não irá se pronunciar neste momento”.

Jordânia Andrade
Jordânia Andradejordania.andrade@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde outubro de 2020. Jornalista formada no UniBH (Centro Universitário de Belo Horizonte) com passagens pelos veículos Sou BH, Alvorada FM e rádio Itatiaia. Atua em projetos com foco em política, diversidade e jornalismo comunitário.

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