A Nasa, agência espacial americana, negou, nesta quarta-feira (11), ter vínculo com a mineira Laysa Peixoto, de 22 anos, que viralizou, na semana passada, com um post em que dizia que seria a primeira brasileira a ir para o espaço. Noutras oportunidades, a mineira já havia dito ser a primeira brasileira a liderar uma equipe na criação de tecnologias na NASA.
“Embora normalmente não comentemos sobre questões relacionadas a pessoas específicas, essa pessoa não é funcionária da NASA, investigadora principal nem candidata a astronauta”, registrou a agência em nota enviada ao BHAZ.
O posicionamento acendeu um alerta sobre a última declaração de Laysa, publicada no último dia 5 em seu perfil oficial no Instagram. Na oportunidade, ela afirmou ter sido selecionada para se tornar “astronauta de carreira”, atuando em “voos espaciais tripulados para estações espaciais privadas e para futuras missões tripuladas à Lua e para Marte”.
Segundo Laysa, os voos e as missões ocorreriam através companhia aeroespacial Titans Space, comandado pelo astronauta veterano da NASA, Bill McArthur. Entretanto, a Nasa afirma não ter vínculo com a empresa privada.
Segundo a Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA), a Titan Space não tem autorização para voos espaciais tripulados. Os projetos da empresa de voos espaciais começaram em 2021 e a previsão para o lançamento do voo inaugural é para 2029.
Para se ter uma ideia, a Virgin Galactic, criada em 2004, fez seu primeiro voo tripulado em 2021. E a Blue Origin, criada em 2000 por Jeff Bezos, da Amazon, também fez seu voo em 2021. Ambas levaram décadas para realizarem seus projetos.
Workshop para estudantes
Em 2023, Laysa atuou no programa Nasa L’Space Academy, onde ajudou no desenvolvimento do projeto “AquaMoon”, “que tem como objetivo extrair água da subsuperfície da Lua para reduzir a dependência dos recursos naturais da Terra e prolongar a duração das missões espaciais”.
Segundo a agência americana, no entanto, a participação não é suficiente para considerar vínculo institucional. “O Programa L’Space é um workshop para estudantes — não se trata de um estágio ou emprego na NASA. Seria inadequado alegar vínculo com a NASA com base nessa oportunidade”, apontou.
Ex-aluna da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Laysa Peixoto foi desligada da instituição de ensino em 2023 por não realizar matrícula no segundo período letivo do curso de Física naquele ano.
A assessoria de comunicação de Laysa enviou uma nota ao BHAZ esclarecendo alguns fatos e segue, na íntegra, abaixo:
“Laysa Peixoto Sena Lage é mineira, nascida em Belo Horizonte.
Após cursar o ensino médio técnico em Informática na FUNEC, ingressou na Universidade Federal de Minas Gerais, no curso de Física. A matrícula foi feita após o Enem 2020, com os estudos sendo iniciados em 2021 devido a pandemia. Laysa permaneceu na UFMG de 2021 a 2023, quando se transferiu para a Manhattan College (Manhattan University), em Nova Iorque, Estados Unidos.
Durante sua formação, participou do programa NASA L’Space, aberto a jovens estudantes e profissionais da área, com objetivo de aprendizado de propostas tecnológicas para a NASA. Durante o curso, os alunos desenvolvem propostas de projetos de estudo, e o de Laysa Peixoto foi aceito – Project Investigator – AquaMoon, NPWEE, Proposal para a Nasa.
Em um post em 2023 no Instagram, Laysa postou uma foto mostrando o nome do programa e nunca afirmou que trabalhava para à Nasa, mas que liderava equipes no programa L’SPACE. A participação no programa L’Space gera dois certificados: Nasa NPWEE e Nasa Mission Concept Academy.
Em 2022 Laysa concluiu o curso Advance Space Academy, feito no Alabama, um treinamento que acontece no Marshall Space Flight Center e U.S. Space and Rocket Center, que contou com a presença do Astronauta Larry DeLucas na formatura da Expedicao 36 do Advanced Space Academy.
Laysa também possui os seguinte cursos de formação no MIT: Machine Learning, Modeling, and Simulation Principles – ministrados online.
Laysa foi selecionada pela Titan Space para se tornar uma astronauta de carreira, atuando em voos espaciais tripulados para estações espaciais PRIVADAS e para futuras missões tripuladas a lua e para Marte. O único vinculo indireto do vôo em relação à NASA, é que será comandado pelo astronauta veterano Bill McArthur. Vale esclarecer que somente cidadãos americanos podem ser selecionados como astronautas de carreira da NASA.”












