Moradores de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, denunciam a irresponsabilidade do tutor de um pitbull no bairro Eldorado. Segundo vizinhos, no domingo (27), o animal atacou uma cadelinha de nove anos, que morreu em função dos ferimentos.
Eva Aparecida Soares, de 63 anos, conta ao BHAZ que a filha Olívia levava o lixo para fora quando o cachorro avançou na lhasa da família. Bibi teve costelas quebradas e acabou morrendo após receber atendimento veterinário.
Em Minas Gerais, a lei exige que pitbulls usem focinheira em espaços públicos. Segundo as moradoras ouvidas pela reportagem, o animal fica solto pela rua sem coleira ou equipamento de contenção. A vizinhança teme novos ataques.
Moradores interferiram
Imagens de circuito de segurança do prédio, acessadas pela reportagem, mostram o instante em que o pitbull morde Bibi por volta de 0h do dia 27. Ele teve que ser contido por moradores após alguns minutos (assista abaixo).
“Tem duas entradas no prédio, uma porta de vidro e o portão da rua. Minha filha passou do vidro e ficou na área entre o vidro e o ferro, encostando o portão. Enquanto ela estava na lixeira pondo o lixo, sentiu algo subindo nela”, conta Eva.
Naquele momento, a jovem de 20 anos viu que o cão cheirava o pescoço dela. Eva explica que o pitbull estava solto durante a noite, o que avalia ser responsabilidade do tutor.
De dentro do prédio, Bibi latiu e o barulho acabou por chamar a atenção do pitbull. Usando o peso do próprio corpo, o cachorro empurrou o portão e avançou. No vídeo, o animal aparece com Bibi na boca, arrastando-a pela área comum do prédio.
Cadela não resiste aos ferimentos
“O pessoal do prédio desceu, o vizinho pegou pelo rabo e rodou até ele soltar. Só tive tempo de pegar a Bibi e levar no veterinário. Ela ficou em estado de choque, minha filha também”, recorda.
O profissional detectou três costelas quebradas e, além disso, a cadela estava com respiração subcutânea. Por volta das 6h40 da manhã, Eva recebeu a ligação sobre a morte de Bibi.
Ataque anterior
Não é a primeira vez que moradores do prédio têm problemas com o animal. Eva conta que o cachorro já atacou o poodle de Evani, irmã dela, que mora no mesmo edifício.
Trovão foi alvo dos ataques em março deste ano. Evani de Fátima, de 62 anos, conta que conversou com os tutores do pitbull após o ocorrido, mas eles não tomaram providências ou custearam o atendimento do cachorro dela.
A idosa diz que o filho de 21 anos escapou por pouco de ser atacado. Ele passeava com Trovão na rua quando, de repente, ouviu um grito e pegou o cachorro no colo.
O pitbull foi para cima do rapaz, que conseguiu dar um tapa na pata do cão antes de cair. Trovão teve uma perfuração na barriga, além de outros ferimentos.
“Depois de irmos ao veterinário, eu passei lá na casa dele e conversei com a esposa. Ela disse que não era dona, que era do marido. Disse que mais tarde ele estaria lá. Quando eu fui, expliquei o que tinha acontecido e ele não fez nada, falou que não pagaria”, recorda.
Suspeita de maus-tratos
“O cachorro nunca ficou com focinheira. Aqui passa idoso, criança. Eu só quero que tirem de lá, porque todos nós corremos riscos de estar passando na rua e não saber de onde ele vai vir”, complementa Evani.
Eva, irmã dela, finaliza acrescentando que os moradores desconfiam de possíveis maus-tratos ao animal: “Ele não tem cuidado com o cachorro, não sai com o cachorro. Os vizinhos do lado da casa dele têm até receio de se intrometer. Dizem que são pessoas difíceis”.
O BHAZ não obteve a identidade do tutor do pitblull. Por meio de nota, a Polícia Civil informa que a ocorrência foi encaminhada à Delegacia Adida de Juizado Especial Criminal em Contagem. A investigação vai apurar se o tutor omitiu cautela “na guarda de animal perigoso” (leia abaixo na íntegra).
Nota da Polícia Civil na íntegra
“A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informa que a ocorrência foi destinada à Delegacia Adida de Juizado Especial Criminal em Contagem para apuração da eventual omissão de cautela, por parte do proprietário, na guarda de animal perigoso, conforme descrito no Artigo 31 na Lei de Contravenções Penais. A PCMG analisa as circunstâncias dos fatos.”









