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Prefeita de Juiz de Fora diz que socorro prestado por moradores evitou tragédia ainda maior: ‘arriscaram a vida’

24/02/2026 às 17h19
'A comunidade se mobilizou prontamente', diz prefeita sobre chuva histórica em Juiz de Fora
Prefeita de Juiz de Fora também comentou sobre os recursos enviados pelo Governo Federal. (Reprodução/Redes Sociais)

A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT), relatou, nesta terça-feira (24), a solidariedade da população após o deslizamento que fez com que nove casas “se engavetassem” no bairro Costa Carvalho, onde um morro desabou sobre os imóveis. Segundo ela, “a comunidade se mobilizou imediatamente”. Em razão das tempestades, a cidade teve diversos pontos de alagamentos, além de desabamentos. O Corpo de Bombeiros (CBMMG) informou que já foram registradas 16 mortes, enquanto 43 pessoas seguem desaparecidas. O município está em estado de calamidade pública.

“Nove casas deslizaram e ficaram sobrepostas na rua. A comunidade, imediatamente, acionou a prefeitura. Nossa diretora de denúncias, que inclusive tem vínculo com os moradores, foi até o local. Ao chegar, viu que o resgate era feito de forma coletiva, na união. A primeira pessoa foi retirada pelas mãos desses moradores, um esforço heroico, pois arriscaram a própria vida”, relatou a prefeita Margarida Salomão.

Segundo a Defesa Civil de Juiz de Fora, este é o fevereiro mais chuvoso da história da cidade, com 584 milímetros acumulados. Ao todo, 13 vítimas foram resgatadas e levadas ao pronto-socorro, enquanto 440 pessoas estão desabrigadas.

Em coletiva de imprensa, nesta terça-feira (24), a prefeita também informou que o município conta com núcleo de atendimento às famílias atingidas. “Ao todo, quatro escolas municipais estão sendo ocupadas pelas pessoas que foram desalojadas. Mais tarde, outras instituições de ensino também irão recebê-las”, disse.

Reforços

Ainda conforme Salomão, diante do estado crítico, a cidade contará com apoio das equipes de segurança e saúde, além de recursos do Governo Federal. Além disso, a Defesa Civil de Minas Gerais mantém diálogo com o Executivo municipal.

“Recebemos um telefonema do presidente em exercício, Geraldo Alckmin, colocando o Governo Federal do Brasil à nossa disposição. Em seguida, um telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está embarcando para os Emirados Árabes Unidos, mas fez questão de dizer que está conosco”, reiterou.

A prefeita contou que o governo mandará reforços da Defesa Civil Nacional, ajuda humanitária, além da Força Nacional da Saúde. “Será um grupo de profissionais da saúde que irá apoiar com os atendimentos que forem necessários. Mandaram também um conjunto de psicólogos que irão fazer o acolhimento das famílias atingidas, seja pela perda de um familiar ou bens”, disse.

Outro auxílio foi decretar Juiz de Fora em estado de calamidade nacional. “Isso facilita que tenhamos acesso às condições legais que nos permitem responder algumas questões prontamente e fazer contratações emergenciais. Isso nos liberta de uma série de amarras legais que, na verdade, caracterizam a gestão pública, mas que dificultam muito”, explicou.

Chuvas causam pelo menos 20 mortes na Zona da Mata

As fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora e Ubá, na Zona da Mata Mineira, deixaram ao menos 20 mortos e 47 desaparecidos, segundo informações divulgadas pelo Corpo de Bombeiros até a manhã desta terça-feira (24).

Até o momento, 16 pessoas morreram e outras 43 estão desaparecidas em Juiz de Fora. Já Ubá registrou sete óbitos.

O temporal soterrou casas, arrastou carros, provocou alagamentos e deixou um rastro de destruições nas duas cidades. Em Ubá, um prédio chegou a desabar no centro do município. Segundo relatos enviados ao BHAZ, a situação é caótica. Há pedidos por botes para o resgate de pessoas ilhadas, além de relatos de desaparecidos.

Ana Magalhães

Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foi estagiária do Jornal Estado de Minas e do programa Agenda da Rede Minas de Televisão. Repórter do BHAZ desde agosto de 2024.
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