O sargento da Marinha Guilherme Augusto Rodrigues Martins, de 33 anos, preso em flagrante suspeito de matar o vizinho Carlos Alberto dos Santos, de 61 anos, num condomínio fechado, em Betim, foi interditado pela Justiça em 2022. A decisão atendeu a um pedido de curatela movido pela própria mãe do militar, só p argumento de que o filho sofria de graves transtornos mentais e não tinha condições de administrar sozinho os atos da vida civil relacionados ao patrimônio e aos negócios. Ele também pode ter cometido outro homicídio em Brasília.
Documentos obtidos pelo BHAZ mostram que laudos do processo de interdição declararam que Guilherme era portador de esquizofrenia paranoide, dentre outros transtornos. Foram feitas perícia médica e entrevista judicial com o militar, além de estudo social. O Ministério Público se manifestou favorável à concessão da curatela, que chegou a ser deferida de forma provisória antes da sentença definitiva. O entendimento final foi de que Guilherme Augusto necessitava do auxílio permanente de um curador.
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Na decisão, a Justiça destacou que o laudo pericial não deixou dúvidas sobre a incapacidade parcial e permanente de Guilherme para a prática de atos da vida civil. A médica responsável pelo exame concluiu que ele tinha síndrome de burnout, psicose não orgânica, transtorno obsessivo-compulsivo e esquizofrenia paranoide. Segundo a perícia, o militar sofreu um surto psicótico que motivou seu afastamento do trabalho e, posteriormente, passou a apresentar alucinações, delírios, desorganização do pensamento e ideias obsessivas.
Sargento da Marinha teria cometido outro homicídio
A sentença que condedeu a curatela também mencionou que Guilherme Augusto teria cometido outro homicídio em setembro de 2014. Conforme o laudo pericial, ele matou um homem desconhecido e permaneceu preso por cinco anos em razão desse crime. A informação coincide com relatos feitos pela família de Carlos Alberto após o assassinato ocorrido nesta terça-feira (14).
Segundo reportagens feitas à época, Guilherme utilizou uma espada para matar um pastor num ônibus que saiu de Goiânia com destino a Brasília.
Ele estaria sentado na poltrona reservada a Alessandro Veloso Pires, de 40 anos, que viajava com os filhos de 12 e cinco anos para acompanhar o desfile do filho mais velho na capital do país, durante as celebrações da Independência. Segundo testemunhas, o pastor pediu pelo assento e não houve discussão. No entanto, quando chegaram à rodoviária, Guilherme atacou a vítima.
À época, ele teria dito à polícia que cometeu o crime porque a vítima o tratou de forma debochada depois que reivindicou o assento. Testemunhas negaram as alegações de Guilherme
Crime em condomínio de Betim
Guilherme foi preso em flagrante, ontem (14), por suspeita de matar o vizinho em Betim. Carlos Alberto dos Santos foi atingido por cinco disparos dentro da própria casa. A esposa da vítima contou que ouviu os tiros e encontrou o marido ainda vivo, apontando para a casa do vizinho como autor dos disparos. O mecânico chegou a ser levado para o Hospital Regional de Betim, mas morreu pouco depois.
Segundo a família, há cerca de dois anos, Carlos Alberto vinha recebendo ameaças do vizinho, morador da casa em frente. Ao menos cinco boletins de ocorrência foram registrados nesse período. Os conflitos também envolviam outros moradores do condomínio.
O sargento da Marinha foi preso em flagrante. Ainda de acordo com os familiares, o suspeito alegou ter agido em legítima defesa.
A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou que a perícia compareceu no local do crime. Um Auto de Prisão em Flagrante Delito (APFD) é lavrado neste momento pela 2ª Central Estadual do Plantão Digital. A Marinha ainda não comentou sobre o caso e o possível afastamento do acusado.









