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Secretário de Cultura de Minas sugere incluir blocos menores nas vias sonorizadas e criar escola do Carnaval em BH

20/06/2026 às 08h42 - Atualizado em 20/06/2026 às 10h07
Leonidas Oliveira, secretário de Cultura e Turismo, em entrevista exclusiva ao BHAZ
Leonidas Oliveira, secretário de Cultura e Turismo, em entrevista exclusiva ao BHAZ.

O secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Leônidas Oliveira, afirmou, em entrevista exclusiva ao BHAZ, que o modelo atual das chamadas “vias sonorizadas” do Carnaval de Belo Horizonte pode ser revisto para ampliar a participação de blocos menores e tornar as estruturas mais democráticas. A declaração foi dada ao ser questionado sobre as críticas recorrentes das agremiações em relação à destinação dos recursos financeiros e dos espaços para “poucos” grupos durante a folia (veja trecho da entrevista em vídeo abaixo).

Em Belo Horizonte, três avenidas recebem atualmente sonorização ampliada, com equipamentos mais potentes, que buscam melhorar a qualidade do som dos trios que desfilam. São elas: Andradas, Amazonas e Brasil. As estruturas são patrocinadas pelo governo do estado, por meio da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge). No ano passado, foram destinados cerca de R$ 10 milhões.

Representantes de blocos presentes em reunião na Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), após o fim do carnaval deste ano, pediram critérios mais claros e transparentes para escolher os blocos beneficiados. De acordo com a Bruta, liga que reúne 70 blocos, apenas 23 saíram nessas avenidas em 2026. A proposta dos grupos é que o patrocínio da Codemge seja repassado diretamente para os blocos.

Segundo Leônidas Oliveira, embora os investimentos no Carnaval tenham crescido ano a ano, ainda há limites estruturais e legais que organizam a distribuição dos recursos. O principal deles está no modelo de financiamento via patrocínio, cujos recursos da Codemge precisam respeitar um teto anual para aplicação em eventos culturais. Ele ressaltou que não é possível simplesmente remanejar os recursos diretamente para os blocos devido às regras da lei de incentivo e aos convênios que estruturam o financiamento cultural. “É impossível”, garante.

Sobre as vias, o secretário reconheceu que o formato pode ser reavaliado. Ele defendeu a construção de um modelo mais equilibrado, que inclua blocos de diferentes tamanhos e permita maior visibilidade para iniciativas de bairros e coletivos menores.

“A questão das vias sonorizadas é porque elas tem grandes blocos. Então, a gente faz o edital e os blocos demoram a passar. Eu acredito que deve ser mais democrático o edital. Eu acho que deveríamos colocar talvez uma porcentagem de blocos pequenos e blocos grandes, para dar a possibilidade de quem está nos bairros e queira apresentar a sua arte. Para que as vias se transformem numa vitrine da diversidade do carnaval e não dos maiores”, propõe.

Leônidas disse ainda que pretende levar o tema para discussão com os grupos envolvidos e não descarta mudanças no formato atual. Segundo ele, o próprio desenho das políticas públicas deve ser flexível e construído de forma coletiva entre governo e sociedade civil.

Diante das limitações orçamentárias, Leônidas defendeu a necessidade de equilíbrio entre blocos, escolas de samba e grupos caricatos, que, segundo ele, foram fundamentais para manter a tradição do Carnaval de Belo Horizonte em períodos anteriores ao crescimento da festa de rua.

“Se tem algo que precisa de revitalização urgente no Carnaval de BH são os blocos caricatos, as escolas de samba e os grupos tradicionais, que mantiveram a festa viva quando não havia essa estrutura atual”, afirmou.

Política Permanente para o Carnaval

O secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult-MG) também defende a criação de uma política pública permanente voltada ao Carnaval de Belo Horizonte, com foco na profissionalização de artistas, músicos e trabalhadores que dependem economicamente da festa. A proposta, segundo ele, busca reduzir a sazonalidade da atividade e garantir que os profissionais do setor tenham condições de atuar ao longo de todo o ano.

A fala ocorreu após ser questionado sobre o desafio enfrentado por trabalhadores do Carnaval, que muitas vezes precisam recorrer a outras ocupações fora do período da folia para garantir renda. Para o secretário, essa realidade evidencia a necessidade de estruturar o setor de forma contínua, a exemplo de modelos adotados em outras cidades brasileiras.

“Eu acho que é necessário [criar essa política permanente]. Nós pensarmos de criar, por exemplo, a escola permanente do carnaval. Nós temos problemas no nosso carnaval hoje, essa questão do dinheiro, ela leva a aluguel de músicos, pagamento de cachê e eles não têm nem prazo para treinar e fazer o que deveria ser feito”, avalia.

Segundo Leônidas, um dos principais entraves do Carnaval belo-horizontino é a falta de estrutura fixa para ensaios, formação e produção artística. Ele destacou que, atualmente, músicos e blocos dependem de espaços improvisados ou alugados, além de enfrentarem limitações financeiras que dificultam a preparação ao longo do ano.

“Você imagina se nós tivéssemos um espaço, financiado pelo poder público, onde os músicos tivessem lugar para ensaiar, laboratórios digitais para criação artística, oficinas de capacitação e formação. Acho que nós daríamos um salto imenso”, disse.

Pablo Nogueira

Pablo Nogueira é jornalista, formado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (Uni-BH), com mestrado em Comunicação pela UFMG. Tem passagens pela Rádio Itatiaia, Rádio BandNews, Rede Minas, TV Alterosa, governo do estado, Agência Minas e Centro de Comunicação da Universidade Federal de Minas. Venceu os prêmios de jornalismo CDL, em 2024, MOL, em 2023, e Amagis, em 2022, além de ter sido finalista dos prêmios ABMES, em 2023, CDL, em 2022 e 2023, e C6 Bank, em 2022. É editor do BHAZ.
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