A Rota do Queijo de Minas, idealizada por Jordane Macedo, realizou o primeiro evento não religioso no Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade, em Caeté, a cerca de 50 quilômetros de Belo Horizonte. Durante os dois dias de programação, realizados nesse final de semana, o público pôde degustar produtos de queijarias artesanais e de produtores locais de quitandas, mel e geleias, além de entrar em contato com os bordados produzidos no município.
A Serra da Piedade é um território onde fé, paisagem, história e cultura alimentar se encontram. Foi ali que o Frei Rosário deu início à produção do primeiro queijo maturado em caverna do Brasil. Segundo Jordane, a escolha do local para a primeira edição da Rota do Queijo de Minas no santuário amplia o sentido da experiência.
“Fizemos tudo de uma forma para compreender como essa proposta seria recebida, já que é a primeira vez que um evento que não está ligado à igreja acontece neste espaço”, celebrou o idealizador em conversa com o BHAZ.
Além do foco no turismo de experiência e na valorização dos produtores artesanais da região, o evento contou com atividades de cozinha ao vivo, com cardápios elaborados para dialogar com a atmosfera tranquila do santuário.
Identidade mineira
Entre os produtores artesanais presentes estavam: Apibom, com mel de Caeté, a Historiarte, com bordados produzidos no município; OR natural, cosméticos naturais diretamente de Sabará; a Dulce La Vie, com geleias e doces; e as quitandas dos Queijos Dagualimpa. A programação queijeira reúne Trilhos do Ferro, de Rio Piracicaba; Queijo do Zé Célio, de Santa Bárbara; Queijos Emboabas, de Caeté; João de Barro, de Diamantina; do Santuário da Piedade; e Queijaria Almeida Guimarães, de Itanhandu.
O percurso também incluiu exposições ligadas à memória e à identidade mineira. Na Estação do Santuário, o público visitou a exposição da expedição fotográfica pela Rota do Queijo de Minas, com imagens de Sylvie Moyen. Na Basílica, foi exposta uma carta enviada pelo Papa Francisco a Jordane em 2023. Durante uma visita ao Vaticano naquele ano, ele havia levado um queijo e uma carta ao pontífice, que respondeu abençoando sua família e o povo de Minas Gerais.
Cave Queijo Frei Rosário
Durante a primeira edição da Rota do Queijo de Minas, Jordane Macedo também divulgou uma novidade: a Serra da Piedade vai ganhar a “Cave Frei Rosário“, que propõe uma imersão intimista na tradição queijeira mineira através da degustação de queijos de produtores do projeto, harmonizados com vinhos.
A experiência ocorrerá nas cavernas construídas pelo Frei Rosário, que mantêm uma relação singular com a produção de queijos em Minas Gerais. Foi nesse espaço que o religioso criou, há mais de 70 anos, o Queijo Frei Rosário, considerado o primeiro queijo maturado em caverna do Brasil. A iguaria, de casca aveludada, sabor terroso e interior cremoso, ainda hoje é produzida no Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade, onde passa até 60 dias maturando em uma caverna localizada a 1.700 metros de altitude.
São três cavernas: uma onde o Queijo Frei Rosário é produzido, a outra onde vai ocorrer a degustação e uma outra onde ficarão expostos os queijos dos produtores parceiros da rota. À reportagem, Jordane conta que teve uma intuição ao visitar as cavernas pela primeira vez e, dali, nasceu o sonho de aproximar o público que visita o local de uma cadeia produtiva que envolve saberes tradicionais, paisagens culturais, modos de fazer reconhecidos e novas leituras da cozinha mineira.

“Quando conheci as cavernas pela primeira vez, percebi que esse espaço tinha um potencial enorme. A ideia é que as pessoas possam conhecer as caves, entender a história do Queijo Frei Rosário e, depois, viver uma experiência com os queijos e outros produtos mineiros. O mais importante para mim é manter viva a história do Frei Rosário e aproximar o público de tudo o que existe por trás dessa produção. Acredito que muita gente vai querer vir aqui justamente para conhecer essa tradição e viver essa experiência em um lugar tão especial”, destaca ele.
Cave Frei Rosário
Nesse domingo (21), a Rota do Queijo de Minas fez uma edição compacta da experiência para convidados. O Portal BHAZ esteve presente e te conta tudo sobre a novidade.
A experiência inclui a degustação de sete queijos, que são harmonizados com vinho. Segundo Macedo, a ideia não é fazer uma aula, mas proporcionar uma experiência mais próxima e exclusiva, em que as pessoas possam conhecer os queijos e outros produtos mineiros de forma guiada e intimista.

Entre os queijos disponíveis estão:
Di Capre – Mantiqueira de Minas: o Borsin da Di Capre é um queijo artesanal de leite de cabra produzido em Itanhandu, na Serra da Mantiqueira. Em 2024, ficou em terceiro lugar no Cheese Worlds.
Queijo Almeida Guimarães – Mantiqueira de Minas: o Gran Mantiqueira Almeida Guimarães, de Itanhandu, é um queijo artesanal que se destaca pela intensidade de sabor e pela tradição familiar. Conquistou a medalha de bronze na ExpoQueijo 2025.
Queijo Mineirim – Araxá: o Queijo Mineirim, QMA, produzido pela Fazenda Só Nata, é um dos queijos mais premiados da microrregião e se destaca por sua maturação diferenciada. Eleito o melhor QMA de 2025, já recebeu, entre outras premiações, medalha de ouro no Mondial du Fromage, na França.
Queijo João de Barro – Diamantina: o Queijo João de Barro é um QMA produzido em Datas, na região de Diamantina. Ganhou o Prêmio Brasil 2024.
Queijo Pingo do Mula – Serra da Canastra: é um QMA produzido no Sítio Recanto Paraíso, em Rio Piracicaba, com leite de vacas Jersey e maturação média de 22 dias.
Queijo Frei Rosário – Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade: é considerado o primeiro queijo maturado em caverna do Brasil, criado por Frei Rosário Joffinly a partir da década de 1950 e maturado a 1,746 metros de altitude.
Ainda não há informações sobre quando a experiência será aberta ao público, mas a expectativa é que o tour esteja disponível ainda este ano. Jordane explica que ainda está resolvendo os últimos detalhes para entregar um projeto completo para o público e que mais detalhes serão divulgados em breve.










