Cerca de 231 mil clientes ainda estão sem energia elétrica em Minas Gerais nesta segunda-feira (26), após o temporal que atingiu o estado no domingo (25). Segundo a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), o número chegou a 640 mil consumidores durante o pico das ocorrências.
O balanço foi divulgado por Ernando Braga, vice-presidente de Distribuição da Cemig. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, 98 mil clientes continuam sem energia. Na capital, são 45 mil consumidores afetados.
No pico do temporal, a situação era ainda mais grave. A Grande BH chegou a registrar 380 mil clientes sem energia, enquanto Belo Horizonte contabilizou 221 mil consumidores com o fornecimento interrompido.
A companhia considera o episódio um evento climático severo, que provocou danos à rede elétrica em diferentes regiões do estado. As equipes trabalham na recuperação do sistema, atingido principalmente pela queda de árvores e pela força dos ventos.
“Esse evento severo aconteceu, ele veio trazendo o impacto do Sul do estado, veio para o Triângulo, Oeste, Mantiqueira e, no final da tarde, trouxe o maior impacto para a Região Metropolitana. Ou seja, o estado como um todo foi afetado”, afirmou Ernando.
Queda de árvores dificulta reparos
A recuperação da rede depende, em parte, da retirada de árvores que caíram sobre a fiação. O trabalho é realizado em conjunto com prefeituras, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros.
No bairro Nova Gameleira, em Belo Horizonte, uma árvore de grande porte caiu sobre a rede elétrica, quebrou três postes e danificou a estrutura. No local, 624 clientes estão sem energia.
A Cemig prevê instalar um gerador para restabelecer parte do fornecimento na região. Com o equipamento em funcionamento, a expectativa é reduzir de 624 para 24 o número de clientes que continuarão sem luz.
A companhia pretende restabelecer a energia de grande parte dos consumidores afetados ao longo desta segunda-feira, mas não apresentou um prazo para a normalização completa do serviço.
“Nosso contingente está empenhado para que, no decorrer do dia de hoje, à tarde e à noite, possamos restabelecer grande parte dos nossos clientes”, disse o vice-presidente.
Ventos chegaram a 150 km/h
A intensidade dos ventos contribuiu para os danos à rede elétrica. Conforme Ernando, foram registradas rajadas de até 150 km/h em partes de Minas Gerais e de aproximadamente 90 km/h em Belo Horizonte e na Região Metropolitana.
O vice-presidente explicou que árvores, telhas metálicas e outros objetos podem ser lançados contra a rede durante eventos dessa intensidade, provocando rompimentos e danos à estrutura.
Ernando afirmou ainda que a companhia investiu mais de R$ 1 bilhão em manutenção preventiva e realizou a poda de mais de 900 mil árvores no estado entre maio e setembro, período em que intensifica ações de preparação para a temporada de chuvas.
Apesar do monitoramento meteorológico e das medidas preventivas, o temporal teve força superior à esperada pela companhia. Segundo o executivo, a Cemig acompanhava as previsões antes da ocorrência.
“O fato relevante de ontem estava previsto, nós estávamos acompanhando, só que ele veio com uma força maior do que eu esperava”, declarou.








