A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) lançou, nesta quinta-feira (17), uma campanha de conscientização contra golpes digitais que têm idosos como vítimas. Para fortalecer o projeto, a corporação vai contar com a ajuda do influenciador digital Tião, da turma do Gustavo Tubarão.
A campanha foi batizada de “Se deu Dúvida, é Golpe”. O chefe do Estado-Maior da PMMG, coronel Maurício José de Oliveira, explica que o objetivo da iniciativa é conscientizar a população idosa que interage em redes sociais sobre os riscos de golpes. Com isso, a corporação quer munir o grupo com informações sobre como identificar possíveis crimes e o que fazer nestes casos.
Para isso, a PM desenvolveu uma série de vídeos e cartazes educativos que vão ser publicados em plataformas digitais, canais de TV, painéis pelas cidades e outdoors.
A parceria com Tião, que abriu mão do cachê em prol da causa, é uma aposta para o sucesso do projeto.
“Tião se aproxima da figura de um homem ruralista, representa os idosos na internet e conversa com os jovens. Jantando com ele ontem, presenciei várias crianças querendo tirar foto com ele”, comentou o major Flávio Santiago, chefe do Comando de Grupo da Patrulha da PM, sobre a abrangência do público do influenciador digital.
O militar ressaltou que dentre os crimes mais comuns envolvendo pessoas idosas na Internet estão golpe do Pix, extorsão por compartilhamento de imagens e estelionato. Com a popularização do projeto, a PM espera incentivar as vítimas a registrarem boletins de ocorrência. No futuro, a corporação vai usar os dados para avaliar outras medidas de combate aos crimes cibernéticos.
“Nós começamos a patrulhar no multiverso. Temos a equipe inteligência refinando a ação e dando prosseguimento dos padrões para melhorar todos os aspectos e facilitar a persecução criminal”, comentou o major Santiago.
Veja dicas do Tião sobre os golpes digitais:
Tião, que vai estrelar as peças da campanha, conta que nunca foi vítima de delitos virtuais, mas viu a esposa quase ser. “Passaram um telefone falando pra mandar dinheiro pro meu menino e ela quase que cai [no golpe]”, contou.
O idoso, também conhecido como bruto e sistemático, grava vídeo de humor mostrando a vida simples na roça e as lidas no bar “raiz” que ele tem em Cana Verde, no Sul de Minas. O influenciador tem cerca de 3,1 milhões de seguidores apenas em uma rede social.
Crimes contra idosos
Apenas no primeiro semestre de 2024, a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, por meio do Disque 100, recebeu 90.310 denúncias de violência contra pessoas idosas. Do total, 24.631 foram de violência patrimonial e financeira.
De acordo com o Relatório Global sobre Tendências de Fraude Digital Omnichannel 2023, o prejuízo médio de um golpe com pix de uma pessoa 60+ é quase oito vezes maior que o prejuízo de um brasileiro de 18 a 39 anos.
“Isso acontece primeiramente porque eles tem mais dinheiro que os mais jovens. Quanto maior a faixa etária, mais dinheiro a pessoa tem porque já trabalhou e conseguiu juntar. O que acaba sendo muito cruel também, porque é um dinheiro que a pessoa trabalhou a vida toda e às vezes perde em um golpe”, explica Marcia Netto, CEO da empresa de segurança digital Silverguard.
Veja dicas da Polícia Civil para fugir dos golpistas:
1 – Use apenas o aplicativo e site do próprio banco
A chave Pix só pode ser acessada na própria conta bancária. Então, sempre utilize esse meio de pagamento no aplicativo ou no site oficial do banco.
Desconfie sempre de mensagens recebidas com links para acessar sites e baixar aplicativos de bancos.
2 – Nunca informe a senha da conta ou cartão de crédito
Alguns criminosos pedem, além da chave Pix, a senha da conta bancária ou do cartão de crédito do consumidor para supostamente fazer uma transferência.
Mas lembre-se: chave Pix é diferente de senha. Ao fazer um pagamento com Pix o único dado que é preciso informar é a chave – nenhum outro dado pessoal é solicitado.
3 – Não utilize internet pública para o pagamento via Pix
As redes de wi-fi públicas podem ser porta de entrada para criminosos que miram o vazamento de dados pessoais e bancários. Essa entrada é facilitada pela falta de segurança dessas redes públicas, que podem ser infestadas de vírus.
Por isso, sempre que for utilizar o aplicativo ou site do banco para fazer a transferência via Pix, utilize a sua própria rede de internet. De preferência, instale antivírus nos computadores e dispositivos móveis.
4 – Confira se o dinheiro do Pix caiu na conta na mesma hora
Ao receber um pagamento via Pix, esteja com o aplicativo de banco acessível para conferir o extrato na hora da transação ou aguarde a compensação para confirmar.
5 – Atenção aos QR Codes
Uma das formas de realizar o pagamento por Pix é enviando ou recebendo QR Codes, o que elimina a necessidade de inserir uma chave Pix.
Por isso, sempre confira os dados da conta de destino que constam logo abaixo do QR Code. Isso evita muitos golpes do Pix, que são enviados por esse tipo de código.
6 – Desconfie sempre de pedidos de Pix por aplicativos de mensagem
Sabe aquela mensagem suspeita do filho ou do amigo que chega de um número estranho no WhatsApp? A foto é a mesma, mas a mensagem é pedindo um valor de Pix?
Isso é golpe e ocorre quando o WhatsApp da vítima é clonado. Por isso, não faça a transferência e tente verificar pessoalmente, se possível, se a mensagem é da pessoa ou não.










