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‘Engrenagem Financeira’: entenda o papel do pai de Vorcaro no esquema criminoso

14/05/2026 às 12h55
Daniel Vorcaro
(Divulgação)

As investigações da Polícia Federal apontam que Henrique Vorcaro, pai do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, ocupava papel central no esquema investigado na Operação Compliance Zero. Ele foi preso na manhã desta quinta-feira (14), por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, que determinou a prisão preventiva no âmbito do inquérito.

A decisão aponta que Henrique Vorcaro não atuava apenas como colaborador próximo do grupo investigado, mas como um dos principais articuladores financeiros e demandantes de ações do núcleo conhecido como “A Turma”. Segundo o relatório policial citado no processo, esse braço operacional era formado por policiais e ex-integrantes das forças de segurança, responsável por ações de intimidação e obtenção clandestina de informações.

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Mensagens interceptadas mostram que o custo de manutenção dessa estrutura chegava a R$ 400 mil mensais. Em diálogos ocorridos em janeiro de 2026, Henrique foi cobrado por atrasos nos pagamentos pelo líder operacional do grupo, o policial federal aposentado Marilson Roseno. Em resposta, Henrique assegurou que enviaria os valores “imediatamente” assim que recebesse recursos.

A investigação também aponta que Henrique utilizava a estrutura criminosa para benefício pessoal direto, especificamente para monitorar inquéritos sigilosos que estavam investigando as suas ações. O grupo teria mobilizado agentes da ativa, como o policial federal Anderson Wander da Silva Lima, para consultar sistemas internos da corporação.

O objetivo era descobrir o teor do inquérito policial no qual Henrique havia sido intimado. O esquema permitia que a organização soubesse antecipadamente os passos das autoridades, utilizando a “Turma” como uma fonte estatal clandestina para fins privados e retaliatórios.

As apurações também descrevem encontros presenciais considerados estratégicos entre integrantes do grupo e interlocutores ligados ao núcleo central. Em um dos episódios monitorados, há registro de reunião em que um dos interlocutores identificado como “H” teria participado de tratativas relacionadas às demandas do grupo — elemento que a investigação associa à atuação de Henrique.

Além disso, outros encontros teriam ocorrido em ambientes privados, envolvendo diferentes integrantes da estrutura em momentos próximos a contatos telefônicos atribuídos ao investigado. Para a PF, esse padrão de articulação presencial e digital indicaria uma dinâmica de coordenação contínua das ações atribuídas ao grupo.

Ao fundamentar a prisão, o ministro André Mendonça destacou risco à ordem pública e à continuidade das ações investigadas, citando a influência e a capacidade financeira atribuídas a Henrique. A decisão também aponta possibilidade de interferência na instrução do caso, com risco de destruição de provas e articulação para obstrução das investigações.

Com a medida, Henrique Vorcaro e os demais investigados ainda terão a decisão analisada pela Segunda Turma do STF em sessão virtual.

Raul Costa

Graduando em Jornalismo pela UFMG e estagiário no BHAZ. Gosto jornalismo cultural, cultura pop e tudo que envolve contar boas histórias.

Raul Costa

Email: [email protected]

Estagiário do BHAZ

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