TikTok
Youtube
X (Twitter)
Instagram
Facebook
Whatsapp

STF determina que líder operacional do esquema de Vorcaro seja mantido em presídio federal

14/05/2026 às 11h40
Daniel Vorcaro
Daniel Vorcaro (Banco Master/Divulgação)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou a transferência de Marilson Roseno da Silva, apontado como líder operacional do esquema comandado por Daniel Vorcaro, para o Sistema Penitenciário Federal atendendo a um pedido da Polícia Federal. Segundo as apurações, a medida seria necessária em razão da posição que Marilson exerceria no núcleo denominado “A Turma”, braço da organização voltado a intimidações, monitoramentos e obtenção ilícita de dados sigilosos.

Conforme a decisão judicial, Marilson, que é policial federal aposentado, atuaria como o principal elo entre os mandantes do grupo — os empresários Daniel e Henrique Vorcaro — e os executores das atividades de campo. A investigação aponta que ele coordenaria um grupo composto por outros policiais (da ativa e aposentados) e operadores do jogo do bicho, sendo o responsável por repassar ordens e gerenciar recursos que chegariam a R$ 400 mil mensais destinados à manutenção da estrutura.

Um dos fatores mais graves apontados pela Polícia Federal para justificar o isolamento de Marilson seria a sua capacidade de manter influência mesmo sob custódia. Segundo as fontes, foram reunidos indícios de que, mesmo após ter sido preso em fases anteriores, Marilson teria continuado a receber informações sigilosas sobre diligências policiais em curso fora do cárcere. Esse cenário demonstraria a existência de uma rede externa ativa e a facilidade do investigado em burlar as restrições de unidades prisionais comuns para se comunicar com comparsas em liberdade.

A liderança de Marilson também estaria vinculada à sua expertise técnica e aos seus vínculos internos na corporação. A investigação detalha que ele teria articulado consultas indevidas ao sistema e-Pol da Polícia Federal, utilizando agentes como Anderson Wander da Silva Lima para monitorar inquéritos que visavam a família Vorcaro. Segundo a decisão, essa infiltração funcional conferiria ao grupo um poder de antecipação e embaraço às investigações que só poderia ser neutralizado com um regime de maior rigor e isolamento.

A decisão do ministro do STF destaca que a permanência de Marilson em um presídio estadual não seria suficiente para interromper as comunicações capazes de frustrar a persecução penal. O magistrado fundamentou a transferência com base no risco de continuidade delitiva e na necessidade de restringir contatos que permitissem a Marilson continuar gerenciando o braço policial-informacional da organização.

A defesa contábil e patrimonial de Marilson também é alvo da investigação, que aponta o uso de terceiros pessoas, como Erlene Nonato Lacerda, para administrar despesas e ocultar o patrimônio oriundo dos supostos pagamentos feitos pelo grupo Vorcaro.

Essa estrutura financeira paralela reforçaria, na visão dos investigadores, a tese de que Marilson possui recursos e meios para sustentar a rede criminosa se não for submetido a uma vigilância mais estreita.

Redação BHAZ

Mais lidas do dia

Leia mais

Acompanhe com o BHAZ